Governo de Minas intensifica escuta ativa e diálogo direto com atingidos pela tragédia de Mariana
Visita a Governador Valadares e Alpercata é a segunda realizada pela Seplag-MG nos territórios, avançando no processo de reparação com foco nas demandas dos atingidos
O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MG), esteve, entre os dias 28 e 30/4, em Governador Valadares e região, para a realização da 3ª Reunião Ordinária da Instância Mineira de Participação Social do Rio Doce (IMPS/Doce).
As visitas técnicas contemplaram as localidades de Ilha Brava, o município de Alpercata e o bairro São Tarcísio, em Governador Valadares, com o objetivo de ouvir diretamente as pessoas atingidas e qualificar as pautas que seriam debatidas na reunião da Instância.
A agenda priorizou o diálogo direto com os moradores, permitindo identificar desafios e fortalecer o planejamento das políticas públicas relacionadas ao Acordo de Reparação do Rio Doce. Durante as visitas, representantes do Poder Público ouviram relatos sobre temas como agricultura familiar, infraestrutura e condições de vida nas comunidades.
“A instância é um espaço essencial para que as pautas debatidas estejam conectadas com as prioridades dos territórios, e grande parte das discussões nasce das demandas apresentadas pelos membros da sociedade civil que compõem o grupo. A Seplag-MG reforça o compromisso institucional de manter a presença constante nos territórios para o acompanhamento direto das demandas locais”, afirmou a superintendente Central de Reparação do Rio Doce, Thais Vilas Boas.
Essa é a segunda visita da série que será realizada pela Seplag-MG nos territórios atingidos. O calendário foi iniciado em fevereiro deste ano, com encontros para escuta da população nos distritos de Merengo e Santana do Deserto, nos municípios de Santa Cruz e Rio Doce. Já a primeira reunião da IMPS/Doce realizada no território atingido foi no dia 26/2, em Ponte Nova.
Escuta qualificada
As reuniões ordinárias da IMPS/Doce em Governador Valadares tiveram como objetivo apresentar encaminhamentos em blocos temáticos como o Plano Estadual de Saúde, soluções de abastecimento de água e apoio à assistência técnica rural. A pauta foi estruturada para acolher devolutivas do Estado e responder a questionamentos diretos dos representantes da sociedade civil.
Os encontros também permitiram coletar as demandas levantadas com órgãos como as secretarias de Estado de Saúde (SES-MG), de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-MG) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG).
"É de grande valia estarmos reunidos com os representantes do Estado tendo uma devolutiva do que compete ao governo fazer por nós. É fundamental olhar para esses territórios para que as pessoas possam ser atendidas com dignidade, seja na saúde ou com uma pavimentação melhor para o escoamento da produção," disse o membro da IMPS/Doce que representa o Território 4, Ageu José.
Para a secretária executiva da IMPS/Doce, Luísa Lacerda, a presença física é o que valida o planejamento público: "Estar nesses locais, conversar com moradores, produtores rurais e lideranças comunitárias ajuda a qualificar muito o nosso trabalho, porque permite que o planejamento das políticas públicas seja construído a partir da realidade vivida pelas pessoas atingidas", ressaltou.
O funcionamento da IMPS/Doce, instituída pela Portaria Conjunta nº 1, de 22/10/25, está previsto no Acordo Judicial de Reparação do Rio Doce e as reuniões ocorrem de forma itinerante a cada dois meses nos territórios atingidos.
Essa estratégia visa aproximar a gestão estadual da realidade de quem vive os impactos do desastre, consolidando a escuta ativa como a base do processo de governança e justiça reparatória em Minas Gerais.