Programa de internato da FJP cresce e assessoria prestada pelos alunos alcança mais municípios em Minas Gerais

Com o Prinagem, iniciado em 2015, estudantes da fundação aplicam seus conhecimentos nas administrações municipais que manifestam interesse em modernizar práticas de planejamento e outras ações

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Os estudantes Caroline Ribeiro e Bruno Notini com servidores da prefeitura de Ribeirão das Neves
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Dezenove municípios de Minas Gerais vão receber, em janeiro de 2018, o Programa de Internato em Administração e Gestão Municipal (Prinagem) da Fundação João Pinheiro (FJP), instituição do Governo do Estado, vinculada à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). Eles foram selecionados entre 89 inscritos, de todas as regiões do estado.

Nesta quarta edição do programa, as prefeituras terão assessoria técnica de 39 alunos da FJP, que permanecerão um mês acompanhando as atividades das administrações locais. Durante a imersão, com observação e vivência diárias, eles vão propor soluções para serviços que podem ser mais eficientes, democráticos e transparentes à sociedade.

Reconhecida nacionalmente como instituição de excelência em pesquisa e ensino, a FJP tem chegado a mais municípios mineiros por meio do Prinagem. Essa iniciativa do Governo do Estado, que vem sendo encorpada de uma edição para outra, leva os futuros especialistas em políticas públicas e gestão governamental para uma experiência que enriquece os dois lados.

Os municípios de São Domingos do Prata e Araçuaí foram contemplados com a primeira edição do programa em janeiro de 2016. A segunda edição ocorreu no início de 2017, ocasião em que 14 alunos do curso de Administração Pública da FJP estiveram em cinco municípios: Guanhães, Itaguara, Itamarandiba, Juiz de Fora e São Brás do Suaçuí.

Já entre junho e julho de 2017, 35 alunos foram a 13 municípios: Bom Despacho, Capitólio, Conselheiro Lafaiete, Itamarandiba, Itumirim, Machacalis, Mateus Leme, Moeda, Nova Era, Nova União, Oliveira, Ribeirão das Neves e Rubelita.

A FJP oferece a consultoria aos municípios desde 2015 - Crédito: Fabricio Goulart/FJP

Para o quarto Prinagem, os 39 alunos vão atuar, em Abre Campo, Açucena, Almenara, Barroso, Carmo da Mata, Catas Altas, Catuji, Itaúna, Jequitinhonha, Lassance, Machacalis, Mata Verde, Papagaios, Passa Quatro, Passatempo, Rubim, São Lourenço, São Roque de Minas e Serro.

Coordenação especializada

Durante a realização do programa, os alunos são acompanhados por um professor-orientador, que é responsável por supervisionar as atividades de campo, incluindo a coleta de dados e informações, indicação de bibliografias e sugestões. Os estudantes são instruídos a propor atividades possíveis de serem realizadas no período em que permanecerão no município, percebendo o contexto da organização e propondo melhorias.

Segundo o coordenador do Prinagem, professor Mauro Silveira, gerente de Extensão e Relações Institucionais da Escola de Governo da FJP, ao serem selecionados os estudantes realizam um diagnóstico inicial a partir das demandas encaminhadas pelas administrações municipais, a fim de identificar os principais problemas e potencialidades locais. 

“Com os dados em mãos, os alunos trabalham em parceria com os servidores municipais durante toda a sua estada, tanto para acompanhar as rotinas administrativas e verificar, na prática, seu funcionamento, quanto para capacitá-los em ações específicas e torná-los multiplicadores junto a suas unidades”, explica Silveira. 

Entre as atividades desenvolvidas durante o programa, os estudantes realizam o mapeamento e redesenho de processos com o objetivo de otimizar fluxos. Eles buscam formas de estimular e aumentar a participação da sociedade civil e contribuem com sugestões para uma melhor estruturação do Plano Plurianual (PPA). 

“Contudo, entendemos que nossas ações são pontuais, pois existem limitações de recursos e o tempo é curto para resultados mais significativos”, pondera Silveira.

Para o coordenador, a iniciativa do Governo de Minas Gerais é considerada de grande relevância, pois possibilita aos estudantes conhecer e começar a entender a dinâmica própria da administração municipal.

“É uma oportunidade de troca de saberes e experiências em que alunos e servidores buscam contribuir para o desenvolvimento local, por meio do aprimoramento das capacidades de planejamento e de execução de políticas públicas, especialmente nos municípios de pequeno porte ou mais frágeis nos indicadores socioeconômicos”

Professor Mauro Silveira, gerente de Extensão e Relações Institucionais da Escola de Governo da FJP

Trabalhos feitos até então geraram frutos. Em Itamarandiba, os alunos conseguiram organizar o setor de Recursos Humanos, a gestão da frota de veículos da prefeitura e ainda produziram um diagnóstico do atendimento primário na política de saúde.

Já em Capitólio foi feito um balanço do processo decisório e um mapa dos fluxos, com proposta de redesenho para a administração.

Em Ribeirão das Neves, os estudantes da FJP atuaram junto à Secretaria de Planejamento para tornar a emissão de alvará para construção civil mais rápida e menos dispendiosa.

Em São Brás do Suaçuí, a intervenção foi no estudo da estrutura da administração municipal, com vistas à sua reorganização, e em relação aos problemas na legislação local, que dificultam soluções para o saneamento básico.

Em Moeda, as ações foram direcionadas à saúde municipal, relatório sobre a parte fiscal e análise dos convênios celebrados.

Testemunho de protagonistas

Caroline Ribeiro Barbosa, 22 anos, está no 4º período do curso de Administração Pública e participou do Prinagem em Ribeirão das Neves, no Território Metropolitano, durante todo o mês de julho deste ano. Ela tinha acabado de cursar a disciplina Gestão de Processos e Estrutura Organizacional e pôde colocar em prática o conhecimento adquirido em sala de aula.

A estudante, acompanhada de uma colega de turma, foi encaminhada a subsecretaria que cuidava da Ordenação Territorial.

“Procuramos saber como era o trâmite dos processos e documentamos tudo. Em algumas fases, o processo ficava com uma única pessoa e quando ela saía de férias ele parava. Depois da troca de informações, propuseomos e implantamos um sistema em que todos tinham condição de dar andamento em qualquer fase”, resume Caroline. Ela avalia a experiência como “muito positiva”, razão pela qual quer ter oportunidade de voltar ao programa em outra cidade.

Alunos do curso de Administração Pública reunidos com servidores da prefeitura de Capitólio - Crédito: Arquivo Luiz Fernando Prado

Capitólio é um município pequeno, com menos de 10 mil habitantes, no Território Sul, distante 249 km de Belo Horizonte. É mais conhecido por abrigar uma das mais belas partes do Lago de Furnas, razão pela qual atrai grande número de turistas ao longo do ano.  Lá foi o destino de Luiz Fernando Prado de Miranda, 24 anos, estudante do 7º período de Administração Pública da FJP.

Durante a permanência no município, Luiz Fernando focou o trabalho nas questões relativas às compras públicas, como elas se davam e o que poderia ser melhorado para ficarem mais ágeis e transparentes para a sociedade. Em outra frente, mergulhou nos aspectos principais do planejamento. 

“O planejamento era restrito aos servidores das áreas financeira e contábil, que repetiam todos os anos a mesma coisa. Não havia espaço para discussão. Conversamos muito com eles e todos foram receptivos às nossas propostas, que posteriormente foram levadas ao prefeito”, observa o estudante. 

Luiz Fernando ressalta que Capitólio tem uma condição financeira boa e o seu contato com a gestão municipal foi fundamental para ver como as carências são diferentes. “O trabalho ganhou robustez e foi muito bom ver o interesse de todos para aprender e mudar práticas a partir de uma nova visão de planejamento, pois o próprio chefe do setor havia admitido ausência de discussão”, relata.

Nesta parceria foi estabelecido um modelo de relatório final, documento obrigatório que os estudantes precisam entregar, constando todas as atividades realizadas durante o período de imersão.

O relatório é avaliado e armazenado no banco de dados do Prinagem para servir de consulta aos estudantes em outras edições e municípios que ainda não foram beneficiados pelo programa e que podem demandar a realização de ações semelhantes.

Parceria com a Segov amplia alcance

O Prinagem foi criado com um programa de imersão capaz de atuar sobre dois eixos principais: desenvolvimento municipal, com redução de desigualdades regionais, e formação de servidores públicos sensíveis e conhecedores da realidade dos municípios.

Dessa forma, os futuros gestores da carreira de especialistas em políticas públicas e gestão governamental podem pensar em políticas públicas com mais sintonia com as necessidades do município e de sua população.

Atividades de imersão na administração pública municipal estão previstas no projeto pedagógico da Escola de Governo da Fundação João Pinheiro desde 2013, e o Prinagem possibilitou a operacionalização dessas atividades de modo amplo a todos os 17 territórios de desenvolvimento de Minas Gerais.

Uma parceria firmada com a Secretaria de Estado de Governo (Segov)  viabilizou a inclusão do programa da Fundação João Pinheiro no Catálogo de Serviços do Governo de Minas Gerais aos Municípios.

A iniciativa possibilitou que a divulgação do programa fosse ampliada e chegasse ao interior, despertando a atenção das prefeituras. O acordo com as prefeituras prevê o deslocamento de pelo menos dois alunos para efetivar o programa.

 

Mais informações

Escola de Governo / Fundação João Pinheiro - Gerência de Extensão e Relações Institucionais (Geri)

E-mail: mauro.silveira@fjp.mg.gov.br

Telefone (31) 3448-9594



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