Professor da rede estadual é um dos vencedores do prêmio Educador Nota 10

Di Gianne de Oliveira Nunes foi destaque no prêmio com projeto desenvolvido em escola do sistema prisional de Lagoa da Prata

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O professor de História, Di Gianne de Oliveira Nunes, da Escola Estadual Monsenhor Alfredo Dohr, do município de Lagoa da Prata, é um dos 10 vencedores do Prêmio Educador Nota 10 de 2017.

Di Gianne foi destaque na premiação com o projeto “Regime Fechado, Visão Aberta”, desenvolvido com alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no segundo endereço da escola que atende a 90 recuperandos, em regime fechado, do sistema prisional da Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado). O primeiro lugar da premiação será anunciado no dia 30 de outubro.

O projeto usou a Bíblia como fonte de história para estudo sobre sociedades dos egípcios, assírios e romanos, em materiais fornecidos pelo docente. As pesquisas também ajudaram os alunos a compreender aspectos de conflitos atuais entre israelenses e palestinos — justificados em boa medida por argumentos históricos —, ou do fundamentalismo islâmico. Di Gianne provou que os recuperandos se interessam pelo estudo da História quando se propõe a eles um trabalho pleno de sentido.

O professor conta que a ideia surgiu de um aluno, que questionou se havia possibilidade de estudos da história através da Bíblia. “Respondi que sim, e que separaríamos as citações religiosas dos fatos históricos e compararíamos com os fatos narrados nos livros didáticos”, relata.

O resultado foi um sucesso, com envolvimento de todos os alunos, que passaram a desenvolver pesquisas, construíram mapas, reproduziram roupas de época e fizeram apresentações em outras turmas.

“Pudemos desenvolver trabalhos de arte, cultura, antropologia, história, geografia. Comparamos a evolução das leis do antigo para o novo testamento”, descreveu Di Gianne. A repercussão foi tamanha que o projeto será estendido para Apac de Arcos, no próximo ano.

O diretor da Escola Estadual Monsenhor Alfredo Dohr, Rodrigo Vaz Pereira, disse que a notícia de classificação do projeto foi recebida com muita alegria pelas comunidades escolares dos dois endereços.

“Todos os alunos se envolveram muito e se dedicaram aos estudos. A proposta devolveu a autoestima dos nossos 90 alunos atendidos no sistema prisional e provou que as pessoas têm potenciais a serem estimulados, basta ter oportunidades. Por isso lutamos pela Educação”. A escola atende a um total de 1.480 alunos do Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), dentro os quais 90 são da Apac.

Premiação

O Prêmio Educador Nota 10, uma realização da Fundação Victor Civita, está na sua 20ª edição e foi criado para valorizar o trabalho docente, disseminar práticas educativas de qualidade e reconhecer os melhores projetos de professores e gestores da Educação Básica Brasileira.

Em 2017, o Prêmio recebeu 5.006 inscrições, número 20% maior que o do ano anterior. Deste total, 50 projetos foram selecionados como finalistas e agora são 10 vencedores. Para conhecer os vencedores acesse www.fvc.org.br. Entre estes professores vencedores, será conhecido o Educador do Ano 2017, no dia 30 de outubro, em São Paulo.

Os 50 finalistas ganharam uma assinatura anual do site Nova Escola Clube, com acesso às revistas Nova Escola e Gestão Escolar digitais. Já os 10 vencedores receberão R$ 15 mil cada um e um vale-presente de R$ 1 mil para a escola onde o projeto foi aplicado. O Educador do Ano será premiado com mais R$ 15 mil e um vale-presente de R$ 5 mil para a escola onde trabalha.

Histórico mineiro

Minas Gerais é o segundo estado que mais inscreveu profissionais na história do Prêmio Educador Nota 10, com 6.259 participações, perdendo apenas para o estado de São Paulo, com 15.311.

Em 2014, Ana Cláudia Santos, professora de Língua Portuguesa da Escola Estadual Padre Paulo, no município de Santo Antônio do Monte, foi uma das 10 finalistas da premiação. A educadora foi escolhida após desenvolver o projeto ‘O povo conta’, realizado com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, com objetivo de desenvolver nos alunos a compreensão do processo de construção do texto. Por meio de e-books e entrevistas escritas, os estudantes observaram a diferença entre texto escrito e falado e, também, realizaram entrevistas e produziram um e-book.

No ano de 2013, João Paulo Araújo, professor de História na Escola Estadual Justiniano Fonseca, no distrito de Tebas, em Leopoldina, inscreveu o projeto ‘Nos Caminhos da Escravidão’, que desenvolveu com alunos do 6º ano do ensino fundamental. Figurando entre as dez finalistas, a iniciativa teve por objetivo ensinar aos estudantes sobre a história da escravidão dentro e fora da região onde vivem.



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