Pesquisadores desenvolvem bebida nutritiva feita com soros de leite

Composição do soro desproteinado apresenta grande quantidade de nutrientes, segundo estudo desenvolvido pela Epamig, com apoio da Fapemig

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Você sabia que todos os dias são descartados milhões de litros de soros do leite, literalmente jogados fora no ralo das indústrias? O que muita gente não sabe é que há na composição nutricional do soro desproteinado uma grande quantidade de nutrientes que poderia ser aproveitada em um alimento refrescante e nutritivo.

A partir daí, foi desenvolvido um projeto pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), que aproveita os diferentes tipos desses soros para a elaboração de bebidas lácteas.

De acordo com coordenador do projeto, Junio Cesar de Paula, a ideia da pesquisa surgiu pelo fato das pessoas não consumirem a quantidade recomendada de lácteos.

Por outro lado, segundo ele, é cada vez maior a utilização de tecnologias geradoras de soro desproteinado, que é o último da indústria de laticínios e que são produzidos e descartados em milhões de litros no Brasil.

“Nesse soro, a lactose, o cálcio, outros sais minerais e as vitaminas ainda permanecem conferindo considerável valor nutricional”, afirma Junio, ressaltando que, no entanto, o aproveitamento dele na indústria esbarra na indisponibilidade de subsídios científicos.

Com isso, a pesquisa realizada observou que, entre as diversas formas de utilização do soro de leite, a elaboração de bebidas lácteas constitui uma das alternativas mais simples e atrativas para o seu aproveitamento. Isso porque, de acordo com Junio, atualmente existe grande possibilidade de uso de equipamentos previamente disponíveis nas indústrias para tal procedimento.

“Tais produtos, por serem de baixo custo e nutritivos, podem incentivar o consumo de lácteos, melhorando a nutrição das pessoas, além de reduzir problemas ambientais”, garante.

O pesquisador considera como fundamental a participação da Fapemig para a execução do projeto, o que demonstra o compromisso da agência nas propostas. Segundo ele, graças a esse apoio, os resultados possuem validade científica para serem publicados e utilizados com segurança e aplicabilidade pelas indústrias de laticínios.

“Além de incentivar a inovação tecnológica, o que certamente irá contribuir para evolução do setor em Minas Gerais e no Brasil”, acredita o coordenador do projeto.

A bebida foi apresentada na última edição do Inova Minas, realizado no ano passado, em Belo Horizonte. Na ocasião, cerca de 300 pessoas degustaram o produto possibilitando um feedback aos pesquisadores.

A pesquisa, que já foi concluída, também já gerou uma dissertação de mestrado.



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