MAX 2017 reflete destaque da indústria audiovisual na economia brasileira

Governo do Estado, Sebrae Minas e Fiemg promovem, em agosto, em BH, uma das maiores iniciativas do poder público de fomento ao setor audiovisual no Brasil

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Não é por acaso que a edição 2017 da MAX - Minas Gerais Audiovisual Expo - tem como tema Indústria Audiovisual 360. A programação foi ampliada de modo a promover a integração de toda a cadeia produtiva do setor: produtores, distribuidores e exibidores de conteúdo de cinema, televisão e internet, desenvolvedores de jogos e profissionais de artes gráficas, música e publicidade. Com essas características, apresenta-se como uma das maiores iniciativas do poder público no Brasil de fomento ao setor audiovisual.

A MAX 2017, programada para ocorrer de 22 a 26 de agosto, em Belo Horizonte, vai reunir salão de negócios, exibição de filmes e atividades de capacitação. O evento é realizado pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas) e pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Sistema Fiemg), por meio do Serviço Social da Indústria (Sesi-MG). 

O objetivo da MAX é ser uma vitrine dos avanços do setor audiovisual mineiro e de todo o Brasil, fortalecendo a cadeia produtiva do setor e ampliando a competitividade das iniciativas dos profissionais de Minas e dos outros estados. “Os pequenos negócios do audiovisual brasileiro estão inovando e se capacitando para competir. A MAX vai mostrar ao mercado a evolução do segmento”, afirma o diretor-técnico do Sebrae Minas, Anderson Cabido.

Já são presenças confirmadas nas rodadas de negócios os seguintes players: A&E/History, Arte 1, Box Brazil, Canal Brasil, CineBrasil, Discovery, Discovery Kids, Elo Company, Encripta, Endemol Shine, Formata, FOX, Futura, Globo Filmes, Globonews, Gloob, H2O Films, Looke, Lucky You, PlayTV, Record TV, TV Brasil, TV Cultura, TV Curta!, TV RaTimBum! e Zoomoo.

Em sua primeira edição, no ano passado, a MAX recebeu um público de 10 mil pessoas e promoveu mais de 450 encontros entre produtores, canais e distribuidoras, gerando expectativas de negócios superiores a R$ 200 milhões, consolidando-se como referência nacional entre os profissionais de mídia e entretenimento.

“A adesão do setor e o envolvimento do público foram extraordinários. O sucesso do evento deixou clara a dimensão estratégica do investimento público no audiovisual”, salienta o diretor-presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco.

A MAX 2017 será realizada no contexto do Programa de Desenvolvimento do Audiovisual Mineiro (Prodam), que visa à articulação de entidades da administração pública direta e indireta de Minas Gerais, municípios e União, além de instituições privadas, para o incentivo e fomento ao setor audiovisual.

Em 2017, junto às rodadas de negócios e dos painéis de capacitação, a MAX vai realizar, ainda, uma mostra de cinema aberta ao público na Praça da Estação, em Belo Horizonte. Além da Serraria Souza Pinto e do Museu de Artes e Ofícios, outros espaços da cidade irão receber as atividades.

Audiovisual

Segundo o mais recente e amplo mapeamento do impacto econômico do setor audiovisual no Brasil, feito em conjunto pelo Sebrae, pela Associação Brasileira de Produção de Obras Audiovisuais (Apro) e pela Fundação Dom Cabral, o valor gerado pela indústria criativa no mundo é de U$ 4,7 trilhões (estimativa de 2014), ou seja, mais de duas vezes o PIB do Brasil (Banco Mundial). Dentro dessa indústria, o setor audiovisual gera, no mundo, mais de U$ 400 bilhões por ano (European Audiovisual Observatory, 2015).

O presidente da Fiemg, Olavo Machado Junior, lembra que o incentivo aos negócios no setor audiovisual movimenta uma série de cadeias produtivas da indústria – das diretamente envolvidas, como eletroeletrônica até outras, importantes para a economia mineira, como vestuário e mobiliário.

“Nossa proposta, com a MAX, é gerar mercado para as empresas do estado. Temos profissionais qualificados e prontos para transformar Minas Gerais em um polo para a indústria criativa”, afirma.

No Brasil, a indústria criativa tem tido relevância crescente ao longo dos últimos anos. O setor audiovisual aumentou sua participação na economia de 0,4% (2010) para 0,44% (2014), um crescimento de 10% na participação relativa do setor. No mapeamento, a receita das empresas do setor foi estimada em cerca de R$ 42,7 bilhões (2015), adicionando R$ 20,8 bilhões na economia brasileira, dos quais R$ 6,6 bilhões em remuneração direta e R$ 2,13 bilhões em impostos diretos, mais R$ 1,25 bilhão em impostos indiretos.

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram mais da metade dos estabelecimentos do setor, somando juntos 4.281 estabelecimentos (51,9%) e gerando mais de 58 mil postos de trabalho.

Amplo crescimento 

Em todos os segmentos, como cinema, TV por assinatura e Video on Demand (VOD), há forte concentração das atividades econômicas na região Sudeste, em receita, investimentos e geração de empregos.

No campo do cinema, por exemplo, em 2015, foram exibidos 209 filmes nacionais, que atingiram 22,5 milhões de pessoas e renderam R$ 277,7 milhões nas bilheterias dos cinemas. As empresas nacionais distribuíram 201 filmes nacionais que, juntos, atingiram um público de 19,3 milhões de pessoas (85,9% da bilheteria total de filmes nacionais exibidos nos cinemas) e geraram uma renda de R$237,2 milhões. O número de salas de exibição no país passou de 2.110, em 2009, para 3.005, em 2015 (crescimento de 42%).

Segundo os dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em 2015 havia 284 canais de TV por assinatura e 79 programadoras registradas no país, com 19,4 milhões de assinantes de TV por assinatura, 64% deles na região Sudeste. Os estados com maior número de assinantes do Brasil são: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

De acordo com pesquisa da Nielsen (2016), a maioria destes assinantes complementa os serviços pagos de TV com VOD. Em 2014, a receita de VOD no mercado mundial foi de US$ 21 bilhões. A Idate estima que o mercado de Video on Demand no mundo dobre de tamanho no período 2014 e 2018, chegando a US$ 40 bilhões em 2018.

No Brasil, as receitas esperadas de serviços OTT (over-the-top) Premium terão um crescimento anual (CAGR) de 33% até 2018, passando de US$ 260 milhões, em 2015, para US$ 462 milhões, ultrapassando países como o México.

Efeito multiplicador

Em praticamente todo o mundo, ainda de acordo com a pesquisa, a indústria de conteúdo audiovisual recebe subsídios diretos ou indiretos. No Brasil, entre 2009 e 2014, os recursos públicos liberados ao mercado audiovisual “aumentaram de R$ 149,1 milhões para R$ 356 milhões, um crescimento de 138,7%, totalizando investimentos de R$1,3 bilhão no período”.

De acordo com a Ancine, cada R$ 1,00 investido em filmes e séries de TV pela RioFilme, por exemplo, atraiu em média R$ 6,30 de outras fontes e gerou R$ 30,00 em PIB, R$ 3,57 em impostos e R$ 1,04 em receita para a empresa, um efeito multiplicador muito relevante.

Prodam: política estadual em prol da cultura

Lançado em maio de 2016, o Programa de Desenvolvimento do Audiovisual Mineiro (Prodam) tem o objetivo de viabilizar políticas públicas para o audiovisual. O Prodam vem direcionando recursos para o segmento audiovisual mineiro, distribuídos em editais destinados a roteiros, produção e finalização de longas-metragens para cinema e séries para televisão, além de mostras de cinema e cineclubes, entre outros.

Para estimular todos os ângulos de ação do segmento, o Prodam unifica, no campo do audiovisual, além de instituições privadas, as secretarias de Estado de Cultura (SEC), de Educação (SEE) e de Turismo (Setur-MG).

Entre as entidades da administração pública indireta, participam das discussões as fundações de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Clóvis Salgado (FCS) e a TV Minas Cultural e Educativa - Rede Minas, as companhias Energética de Minas Gerais (Cemig) e de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), a Rádio Inconfidência, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) e a Imprensa Oficial de Minas Gerais.

Minas de Todas as Artes

O fomento da Codemig ao audiovisual integra o Minas de Todas as Artes – Programa Codemig de Incentivo à Indústria Criativa, lançado em agosto de 2015. A iniciativa inédita e estratégica busca fomentar o desenvolvimento de novos negócios que gerem empregos, renda e riquezas para o Estado.

Até o fim de 2018, serão investidos mais de R$ 50 milhões em editais de fomento e fortalecimento, com iniciativas de valorização de setores como gastronomia, audiovisual, design, moda, música e novas mídias.



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