Livro que aponta percursos para construção de uma educação integral democrática é lançado na capital

Lançamento reuniu jovens das nove escolas estaduais que colaboraram para formatar o material formativo, agora em sua versão definitiva

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A ideia do livro é oferecer trilhas de práticas e saberes para a educação integral de jovens
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Foi lançado nesta quarta-feira (30/8), no PlugMinas, em Belo Horizonte, o livro “Itinerário para as Juventudes e a Educação Integral em Minas Gerais - Parte I – Concepções e Metodologias”.
 

Crédito: Divulgação/SEE

Iniciativa da Secretaria de Estado de Educação (SEE), em parceria com a Fundação Itaú Social e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a publicação traz o resultado do trabalho desenvolvido pelo Programa Jovens Urbanos em nove escolas estaduais da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que envolveu mais de 600 estudantes. A ideia do livro é oferecer trilhas de práticas e saberes para a educação integral de jovens, delineando a primeira parte de um itinerário para uma escola transformadora, em diálogo com as políticas de educação do estado.

O Programa Jovens Urbanos teve início na rede estadual de Minas Gerais em 2015, logo que a secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, assumiu a pasta.

“Eu tinha uma experiência pessoal e uma história de trabalho com o Cenpec e a Fundação Itaú e queria muito que eles trouxessem esta experiência para contribuir, sistematizar e desenhar uma proposta para o aumento do tempo do ensino médio. As ideias presentes neste material são frutos do acúmulo do trabalho desenvolvido com toda a comunidade escolar nesses dois anos”, comentou.

Crédito: Divulgação/SEE

Macaé salientou a importância da construção de um material onde se percebe múltiplas vozes e que tem a cara da diversidade das pessoas que participaram de todo processo. Segundo a secretária, o itinerário, de certa forma, é uma bússola para a construção de uma educação democrática e popular, comprometida com as comunidades, com a diversidade e com os diferentes territórios em que os jovens estão inseridos.

A secretária pontou, também, que o material serviu de base pra a construção do Decreto 47.227, que regulamenta a Educação Integral e Integrada em Minas Gerais.

“O decreto que trata da implementação da educação integral no estado, publicado no início de agosto, apresenta um texto bem próximo das ideias contidas no livro. Percebemos no texto as múltiplas vozes, para construir uma educação integral dentro da realidade e dos desejos dos jovens, possibilitando o ensino de diferentes áreas do conhecimento a serviço do desenvolvimento integral de cada um desses estudantes”, explicou Macaé.

 

“Este livro, por si só, é resultado de uma especial articulação empreendida em prol da educação pública e de qualidade para as juventudes no Estado de Minas Gerais. Trata-se de um importante material de disseminação, que representa o nosso compromisso pela construção de conhecimento, de modo a oferecer bases e propostas para o Ensino Médio integral e integrado”

(Trecho da Apresentação do Livro)


 A coordenadora de projetos sociais da Fundação Itaú Social, Fernanda Zanelli, apontou em sua fala que o desafio de acesso, permanência e aprendizagem no Ensino Médio é enorme, mas que o estado de Minas Gerais sai na frente ao constituir um diálogo permanente com a comunidade escolar.

“O diálogo que a SEE construiu com a comunidade escolar é fundamental para construção de um projeto democrático que dialogue com os interesses, necessidades e realidades das juventudes. Esse projeto foi desenvolvido no dia a dia das escolas e pelos profissionais que atuam na educação. Só assim foi possível criar metodologias, saberes e práticas que conversem com o interesse da juventude, que seja mais participativo e dialogue com as linguagens contemporâneas”, afirmou.  

Durante a cerimônia de lançamento, o coordenador do Programa Jovens Urbanos, Wagner Santos, apresentou um breve resgate da trajetória de parceria entre o programa e a SEE, que culminou na produção do livro. 

No projeto, os estudantes realizaram diversas atividades de política de formação, produção de conhecimento, estratégias de disseminação e oficias de experimentações com os jovens, de rádio, mídia comunitária, teatro, gastronomia, paisagismo, dentre outras.

A estudante Thaís Fátima, da Escola Estadual Geraldo Teixeira da Costa, em Santa Luzia, que participou do Programa Jovens Urbanos e representou todos os alunos que fizeram parte do processo de desenvolvimento, disse que a oportunidade foi gratificante e importante para os jovens descobrissem os seus potenciais.

“Foi uma oportunidade de encontrar atividades que gostamos e descobrir talentos que estavam escondidos dentro de cada estudante, mas que antes não tivemos a oportunidade e espaço para mostrar. O projeto teve uma adesão muito grande dos alunos e professores e aprendemos valores que iremos levar ao longo de nossas vidas”, declarou.

 

“O debate não se encerra nas páginas deste livro-itinerário. Ele se prolonga no contato com a própria realidade, na escuta contínua dos profissionais da Secretaria de Educação, dos professores e técnicos das escolas de Ensino Médio, dos jovens e dos vários grupos de atores que participam do processo educacional”

(Trecho da Apresentação do Livro)

 

Jovens das nove escolas da região metropolitana de Belo Horizonte  que protagonizaram  as atividades apresentadas no livro participaram de uma roda de conversa sobre a educação integral e as juventudes, mediada pela diretora de Juventude da SEE, Priscylla Ramalho. As escolas estaduais que participaram são: Engenheiro Prado Lopes, José Brandão, Celso Machado, Joaquim Corrêa, Santa Quitéria, Geraldo Teixeira da Costa, Antônio Miguel Cerqueira Neto, Romualdo José da Costa e Tancredo de Almeida Neves.

Para o estudante da Escola Estadual Antônio Miguel Cerqueira Neto, Rafael Petrus, uma das principais contribuições no desenvolvimento do projeto foi a proximidade criada entre professores e alunos.

“Não é sempre que temos a oportunidade de falar sobre nossas experiências e esse projeto deu a oportunidade de diálogo e escuta. Se queremos criar escolas mais próximas da juventude, deve-se ampliar os espaços que aproxime as relações humanas e, sobretudo, o vínculo entre professores e alunos”, argumentou ele.  



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