Feijão produzido por agricultores familiares na Zona da Mata passa por testes de qualidade

Ação faz parte de um projeto do Governo do Estado, por meio da Epamig e com participação da Emater-MG, que envolve pesquisa e extensão rural

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Após todas as análises previstas, pesquisadores e extensionistas irão produzir materiais para apresentar os resultados aos agricultores
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Um trabalho envolvendo a pesquisa agropecuária e a extensão rural promete melhorar a produtividade das lavouras e a qualidade do feijão produzido na Zona da Mata pelos agricultores familiares. A ideia é avaliar as sementes tradicionalmente cultivadas pelos produtores e difundir cultivares que melhor se adaptem às condições encontradas nas propriedades da região.

Segundo o coordenador técnico da Emater-MG, Marcelo Libânio, um dos grandes entraves na região é a pouca utilização de sementes melhoradas, com características adaptadas à agricultura familiar. “É necessário adotar práticas que minimizem as perdas ocasionadas por doenças, com a melhoria genética das sementes e utilização de variedades mais resistentes, com potencial de produção renovado”, afirma.

Em 2016, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) fez um convite à equipe da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) da região para participar do projeto 'Avaliação da qualidade de sementes de feijão usadas por agricultores familiares'. Ao todo, foram coletadas 72 amostras de feijões (a maioria não comercial) cultivados pelos agricultores nos municípios da região. Também foi preenchido um questionário com os produtores para conhecer melhor o sistema de produção adotado.  

“A ideia é avaliar e comparar a qualidade fisiológica e fitossanitária das sementes utilizadas pelos agricultores familiares com as cultivares produzidas pela Epamig. As amostras coletadas nas propriedades rurais incluem até algumas sementes raras e tradicionais, conhecidas como sementes crioulas”, explica o pesquisador da Epamig, Roberto Araújo.

Segundo o pesquisador, já foi verificado que apenas 19% das sementes utilizadas pelos agricultores familiares da região apresentam vigor semelhante às cultivares desenvolvidas pela Epamig.  Roberto Araújo explica que o motivo para este baixo vigor das sementes usadas pelos produtores está relacionado à maneira com que eles conduzem as lavouras e processam os grãos. “Por tradição, a maioria dos agricultores familiares utiliza grãos da colheita anterior como sementes”, comenta o pesquisador.

A Epamig informou que, numa outra etapa, as sementes produzidas pela empresa de pesquisa serão cultivadas utilizando os sistemas adotados pelos agricultores em suas propriedades. A comparação dos resultados, por sua vez, será feita com os métodos de produção recomendados pela pesquisa.

As cultivares desenvolvidas pela Epamig utilizadas no experimento são a Ouro Vermelho, Ouro Verde e Majestoso. Após todas as análises previstas no projeto, pesquisadores e extensionistas irão produzir materiais impressos e promover dias de campo para apresentar os resultados aos agricultores.

“Será o momento de discutir aspectos importantes do sistema de produção e de adotar novas práticas que melhorem o desempenho econômico da agricultura familiar”, comenta Marcelo Libânio. O projeto de pesquisa também conta com a participação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).

Produção em Minas Gerais

Minas Gerais é o segundo maior produtor de feijão do país. A safra 2016/2017 no Estado está estimada em 547,9 mil toneladas. Na Zona da Mata, o grão é cultivado por pequenos e médios agricultores. Na primeira safra deste ano, a região ficou no quinto lugar no ranking de produção estadual, com uma área plantada de aproximadamente 11,8 mil hectares.



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