Atitude cidadã de ajudar uma pessoa com deficiência também requer 'etiqueta'

Coordenadoria de Políticas para Pessoas com Deficiência da Sedpac listou, a pedido do portal Agência Minas, as principais dicas para que a boa vontade do cidadão seja realmente eficiente

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Viver com qualquer tipo de deficiência requer superação diária. A solidariedade no dia a dia e ações dos governos municipal, estadual e federal são fundamentais para a integração dessas pessoas na sociedade. E, embora ajudar pareça fácil, é preciso entender como, para que as pessoas com deficiência recebam atenção diferenciada sem que o tratamento dado a elas seja de vitimização ou menos valia. Gabriel Aquino Gomes, de 24 anos, por exemplo, sabe bem como é isso, desde que ficou cego aos 16 anos.

O caso acima atenta para duas importantes dicas: por mais que sinta vontade de ajudar, é necessário saber se a pessoa com deficiência quer ajuda. A outra é: no caso, especificamente, de um cego, identifique-se antes da abordagem.

Romerito Nascimento, coordenador de Políticas para as Pessoas com Deficiência, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), explica que o processo de humanização da inclusão ainda não foi absorvido por muitas pessoas.

“A lógica das cidades ainda não consegue pensar totalmente as necessidades de corpos diferentes. Por isso ainda é preciso que cidadãos contribuam para a melhor locomoção e interação de pessoas com deficiência. Contudo, ao ajudar, precisa imperar o respeito e o entendimento de que aquela pessoa tem vontades e é um sujeito capacitado para tomar decisões”, diz o coordenador. Nascimento completa que há muita gente bem-intencionada que desconhece como colaborar.

Por isso, a Coordenadoria de Políticas para Pessoas com Deficiência listou, a pedido do portal de notícias Agência Minas, dicas de como, efetivamente, auxiliar cegos, surdos e usuários de cadeiras de rodas.

Gabriel, que hoje faz da sua deficiência um meio de trabalho atuando como técnico em Braille e consultor de audiodescrição, compreende que a adaptação individual e social é um aprendizado longo, contínuo e desafiador.

“Nasci com glaucoma e a progressão da doença foi gradual, até que há oito anos deixei de enxergar totalmente. Uma vez pedi ajuda para identificar um ônibus em um ponto e recebi o silêncio como resposta. Foi frustrante. Só que, felizmente, na maioria das vezes, nosso povo é muito aberto ao próximo. É nessa boa vontade, aliada à informação e políticas públicas, que creio estar o segredo do sucesso”, diz Gabriel.



Romerito concorda com Gabriel. “Muito se fala sobre não parar em vagas para usuários de cadeiras de rodas ou ajudar os cegos a atravessarem a rua. E mesmo assim ainda há desinformação e até desrespeito. E não é só isso. Os surdos eram negligenciados e, considerando suas especificidades linguística e comunicacional, reativamos e implantamos três centrais de interpretação de Língua de Sinais que visam prestar atendimento aos surdos, disponibilizando profissionais intérpretes para atendimentos diversos, principalmente na mediação da comunicação em órgãos públicos. Além disso, precisamos ampliar a discussão que inclua os próprios deficientes como vem sendo feito nestes dois últimos anos. A comunicação do Governo com eles e com a sociedade é o pilar da transformação”.

A servidora pública Mariana Oliveira Ferreira, 28 anos, é surda de nascença e usa a Libras desde os três anos e meio de idade. Para ela, o conhecimento da língua é a forma de comunicação e expressão, num sistema de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, eficiente para sistema transmissão de ideias e fatos.

Mariana avalia, ainda, que as pessoas estão se adaptando para conviver com os surdos. A maioria dos pais já se preocupa em aprender a linguagem de sinais e eles são os principais interlocutores dessa comunidade. E nesse sentido, a escola tem papel importante na ampliação da oferta dos cursos de libras.

 



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