Atendimento realizado por equipe do Hospital João XXIII salva vida de menina atacada por cachorro

Somente em 2021, a unidade atendeu 146 casos de agressões de cães. Neste ano, já foram 42 pessoas atendidas no hospital

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Podia ter sido o fim quando Luiza, de apenas 1 ano e 4 meses, foi atacada por um cachorro da raça Rottweiler. Mas foi apenas o começo de uma corrida contra o tempo até chegar ao Hospital João XXIII, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), onde ela foi atendida por uma equipe  altamente preparada.

Vivian Lemos / Arquivo pessoal

Eram 18h do dia 24 de setembro de 2021 quando o ataque aconteceu, na cidade de Pará de Minas, localizada no interior do estado, onde ela recebeu os primeiros atendimentos. A transferência para o Hospital João XXIII ocorreu algumas horas depois, comovendo toda a equipe pela gravidade do caso.

“A Luiza sofreu arrancamento de todo o couro cabeludo, além de uma fratura óssea no crânio, e chegou à unidade em estado de choque. Como não havia possibilidade, no caso dela, de cobertura cutânea e não seria possível usar a técnica que chamamos de “retalhos”, já que ela ainda é muito pequena, a única opção que nos restava era a matriz dérmica (telas biológicas para reconstituição das camadas mais profundas da pele)”, relata a cirurgiã plástica do HJXXIII Vivian Lemos.

A mãe da criança, Flávia Guimarães Silva Faria, é só elogios ao hospital. “Ficamos 60 dias no João XXIII, onde ela foi muito bem cuidada. Não tenho como agradecer a equipe.  A Luiza teve um atendimento excelente, fizeram tudo o que podiam por ela. É um hospital espetacular!”, afirma.

Novas cirurgias

Atualmente, Luiza está com 1 ano e 10 meses e segue sendo acompanhada pela cirurgia plástica do HJXXIII. “Nosso principal objetivo, quando ela chegou, era salvar sua vida. Hoje, seguimos em tratamento para tentar amenizar a sequela que ficou, que é a paralisia facial do lado direito, comprometendo seu sorriso e o olhinho”, aponta a cirurgiã plástica Vivian Lemos.

Para isso, a criança passou por uma nova cirurgia. “Realizamos a cirurgia de reanimação facial da Luiza. Após a sua recuperação, ela deverá complementar seu tratamento com fonoaudiólogo e fisioterapeuta e, possivelmente,  em um futuro próximo passar por outra cirurgia para reabilitação completa”, explica Vivian.

Cirurgia plástica

A médica chama a atenção para a importância da cirurgia plástica reparadora e comenta sobre a falta de profissionais no mercado. “Se a gente não tiver cirurgiões plásticos formados fica difícil atender à grande demanda de pessoas com sequelas que necessitam dos procedimentos cirúrgicos, seja por necessidades estéticas ou motoras. Essa é nossa filosofia, ajudar essas pessoas. Ter cirurgiões com habilidades para lidar com retalhos e com toda essa logística que envolve  o planejamento cirúrgico de casos como estes que tratamos aqui - desde quando recebemos o paciente até a sua reabilitação e reinserção na sociedade - é extremamente importante”.

Atendimento no João XXIII

A equipe de cirurgia plástica do Hospital João XXIII é a segunda que mais realiza cirurgias no hospital. Isso sem falar dos procedimentos cirúrgicos que são feitos na Unidade de Pequenos Ferimentos (UPF) e no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ). 

Além disso, participa da Comissão de Prevenção e Tratamento de Lesões, colaborando com o treinamento oferecido para melhorar a assistência no Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência da Fhemig.

De acordo com a coordenadora da cirurgia plástica do Complexo e do CTQ, Kelly Araújo, além das vítimas de mordeduras caninas, grande parte do atendimento é feito a vítimas de animais peçonhentos e queimaduras (com líquidos quentes , combustíveis , chama direta ou produtos químicos), pessoas que se acidentaram no trabalho  e, principalmente, no trânsito (pedestres, motociclistas e ocupantes de outros veículos). 

“Com a organização da Rede de Urgência e Emergência,  incluindo o trabalho do Samu e dos Bombeiros,  pacientes com complexidade  extrema de ferimentos são levados ao hospital e recebem atendimento especializado da nossa equipe, em tempo hábil”, contextualiza Kelly.



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