Pronunciamento do governador Fernando Pimentel na solenidade de recebimento do título de cidadão honorário de Camanducaia

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Eu tenho um carinho muito grande pelo trabalho das prefeituras. Eu sei que é nas prefeituras que os problemas começam a ser resolvidos. Às vezes não consegue resolver tudo, mas é sempre o prefeito ou a prefeita, o vereador, aquele que é o agente público mais perto da população. Então eu tenho muito carinho com os nossos prefeitos, com os nossos vereadores, porque são parceiros muito importantes do Governo do Estado para a gente melhorar a vida dos mineiros e das mineiras. Por isso eu vou pedir licença para mencionar cada um deles.

Eu não posso deixar de contar um caso aqui que ilustra bem o sentimento que a gente compartilha aqui na manhã de hoje. Ontem eu estava em Belo Horizonte e nós tivemos reunião já no final do dia com empresários de fora do estado que querem investir aqui e aí começou a demorar muito e eu pedi licença para sair mais cedo, deixei os secretários lá com eles e mencionei que vinha a Camanducaia. Um deles, que não é de Minas, perguntou: “aonde é essa cidade?” Eu disse: é no Sul de Minas, quase divisa com São Paulo. “Mas o senhor vai lá, é uma cidade grande?” Bem, para nós é grande, são 20 mil habitantes. Eu percebi que ele não gostou muito, porque 20 mil ele acha que é pequeno. Eu falei não, para nós é importante. “Mas o que o senhor vai fazer lá?” Eu vou entregar algumas obras, mas vou, acima de tudo, receber o título de cidadão honorário da cidade. E ele virou para mim e disse: “isso é uma chatura, não é não? Esse negócio de título de cidadão?” Aí eu pensei, agora tenho que explicar para ele, esse aí não entendeu nada. Em Minas Gerais, esses títulos de cidadão honorário têm uma importância muito grande. Porque o mineiro tem uma característica de hospitalidade, de convivência muito forte. Isso é característica da gente de Minas Gerais, do estado inteiro, o mineiro é sempre hospitaleiro. E o mineiro, principalmente do interior, trata a sua cidade como se fosse a sua casa, ele tem um carinho pela cidade dele que é igual ao que tem com a casa dele, com a família dele.

Então quando você ganha um título de cidadão honorário, a cidade te dá um título, é como se estivessem te convidado para a casa deles, para dentro da casa deles. Aqui em Minas, inclusive, a gente chegar na casa de alguém e não ter ninguém ali na varanda na porta de casa, você grita ‘ô de casa’, e a pessoa responde, lá de dentro: “pode entrar”.

Pois bem, lá em Camanducaia eu não preciso mais falar ‘ô de casa’ eu já sou de casa. Eu estou contanto esse caso para vocês porque é o seguinte. Essa coisa de sermos mineiros é meio diferente mesmo. Às vezes o resto do Brasil olha para nós com uma certa - não vou dizer inveja para não ser injusto – com uma certa estranheza, não entende direito como é esse negócio. O que é isso? Minas Gerais é diferente, e é mesmo. E não é só por causa desse afeto, por causa desse carinho, dessa sensação de pertencimento que a gente tem. Eu chego ao lugar, ganhei o título, eu já me sinto daqui. As pessoas me tratam como se eu fosse daqui, e de fato eu sou mesmo, porque eu sou mineiro e Minas é esse território grande – 853 municípios – mas nós todos compartilhamos o mesmo sentimento.

Eu acho, sem exagero, que isso está nos ajudando muito agora. Porque como o prefeito Edmar falou aqui, o Brasil está atravessando um momento de muita dificuldade, não é segredo para ninguém. Uma crise econômica, política, institucional, social como nunca teve na história da República. Então a gente se assusta quando vê as notícias, a coisa parece que está só piorando ao invés de melhorar. Mas no meio dessa crise, dessa tempestade, quando a gente olha para Minas Gerais, e aí eu digo isso com muito orgulho não por ser governador, porque governador passa, mas com orgulho de ser mineiro: Minas está diferente, Minas está melhor. Porque nós criamos aqui, e não é mérito meu só, é mérito de todos nós, a sociedade mineira, um ambiente de concórdia, de harmonia, que possibilita ao Poder Executivo, ainda que com muito pouco recurso – dinheiro está faltando para todo mundo, para as prefeituras, para o Governo, está todo mundo com muitas dificuldades – mas o Poder Executivo, em harmonia com o Poder Legislativo, em harmonia com o Poder Judiciário, avançar e fazer coisas e entregas importantes para a população do estado, sempre nesse espírito de ouvir as pessoas, e foi por isso que nós criamos esse mecanismo dos Fóruns Regionais de Governo, dividimos o estado em 17 territórios e cada um deles tem um Fórum Regional, que é uma grande assembleia, um grande fórum com as lideranças daquela região, lideranças políticas, lideranças regionais, de trabalhadores, de movimentos sociais, religiosas, enfim, as lideranças da região participam do Fórum e ali você consegue ouvir as demandas da região. Ouvir com carinho e com humildade e se, tiver críticas, também ouvi-las, aceitar as sugestões e ir compartilhando as buscas por soluções.

Não tem dinheiro para fazer tudo, mas um exemplo é isso aqui que nós fizemos hoje. Certamente tem muita coisa importante para ser feita aqui em Camanducaia e na região, mas não tinha nada mais importante que a ponte que a chuva do verão atrasado levou, e impossibilitava o trânsito para Monte Verde que, hoje, é um dos principais, se não for o principal, geradores de renda para a cidade. Essa era a prioridade. Se não tinha dinheiro para fazer tudo, um pouquinho do que tinha foi pedido pela população para o que era mais importante. E está sendo feita a entrega aqui.

Então, quando a gente olha esse exemplo e o exemplo de Minas Gerais e você olha o entorno para outros estados, e eu digo isso até com tristeza, porque nós todos gostamos muito, por exemplo, do Rio de Janeiro e somos solidários com nossos irmãos cariocas. Mas o Rio de Janeiro está se dissolvendo a olhos vistos, um colapso completo dos serviços públicos na saúde, na educação, na segurança. Mas a situação do Rio, do ponto de vista financeiro, é a mesma que a nossa. Eles têm um déficit orçamentário enorme e nós também temos. Eles decretaram estado de calamidade financeira e nós também, assim como o Rio Grande do Sul. Só que aqui, com todas as dificuldades, as coisas estão funcionando. As escolas estão abertas, os postos de saúde estão funcionando, a polícia está cumprindo o seu dever, nas ruas, presente. Mas alguém podia dizer que poderia estar muito melhor. Claro que poderia estar muito melhor, se nós não estivéssemos nessa crise arrasadora, com quatro anos de recessão econômica, desemprego de 16 milhões de trabalhadores, aí as coisas poderiam estar melhor. Mas, no meio dessa dificuldade toda, eu tenho muito orgulho de olhar e dizer que Minas Gerais está se saindo muito melhor que a maioria dos estados brasileiros. E não é mérito meu, nem nos deputados, nem dos novos prefeitos, é mérito de Minas Gerais, desse espírito que a gente criou de tentar compartilhar tudo, as dificuldades, aquela coisa do casamento, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Nós somos mineiros e nós estamos juntos, vamos enfrentar a tempestade e nosso barquinho vai navegando, não está naufragando e vai andando para frente. Com dificuldade, faz parte da vida, nós estamos acostumados com isso.

E eu quero encerrar, porque já estou falando muito, além de agradecer ao Tito, o que eu já fiz, e gostaria de mencionar um escritor mineiro, de quem eu gosto muito e muitos aqui já devem ter lido sobre ele, que é o Guimarães Rosa. Ele tem um texto muito bonito sobre a mineiridade, sobre o que é ser mineiro, e esse texto começa com uma frase singela que eu vou repetir para vocês e sei que todo vão me entender. Ele fala assim: “Minas, o que é? Minas é a montanha”. Aí você para e pensa, mas porque ele está dizendo isso? Ele está dizendo que, diferentemente, dos povos que vivem no litoral, onde a referência é o mar, que é imprevisível. Um dia ele está tempestuoso, tem dia em que ele está calmo, tem dia em que ele está brilhante, azul, verde, tem dia em que ele está cinzento. Você nunca consegue prever o mar. E essa é a referência dos povos do litoral. Nós, não. Nossa referência é a montanha, que é totalmente previsível. Ela está lá, sempre, sólida, permanente, serena, acima de tudo. Então, Minas é o estado que cultiva o sentimento da serenidade, que é tudo que nós precisamos agora. Como é que nós estamos enfrentando a crise, agora? Com trabalho, que é nossa vocação primeira, de um lado, e com serenidade, de outro. Sem estarmos pelos cantos lamentando, choramingando, reclamando. Isso não adianta. Ninguém vence as dificuldades assim. Vence fazendo aquilo que os mineiros sabem fazer de melhor: levantar cedo, trincar os dentes e ir trabalhar. Chega ao fim do dia, agradece a Deus que deu saúde para ele atravessar o dia e pede saúde no dia seguinte para começar de novo. E assim vai, a montanha está lá e nós com ela. Chove, faz sol e a montanha está lá. E aqui é bom porque nós estamos na região das montanhas e todo mundo tem esse sentimento. Nós não temos que nos abalar com crise nenhuma, Minas é maior do que qualquer crise e nós, com trabalho e dedicação, serenidade, trabalho e equilíbrio, e também com esse sentimento de afeto que nós temos, vamos vencendo as crises. Então, quero encerrar agradecendo muito por esse título que me honrou e me honra sempre, de cidadão de Camanducaia, e dizer para vocês que eu tenho absoluta confiança e absoluta fé no futuro do nosso país e do nosso estado. Viva Camanducaia, viva Minas Gerais, viva o Brasil.