Pronunciamento do governador Fernando Pimentel na solenidade de entrega de maquinário agrícola a prefeituras do Norte de Minas

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Eu estava ontem em Rio Branco, capital do Acre, quatro horas e meia de voo, mais três horas de fuso horário, eu cheguei aqui de noite, cansado. O que eu fui fazer lá? Eu tinha uma reunião de governadores do Brasil inteiro, era para estar os 27, mas só foram 21.

Mas os governadores mais importantes estavam lá, do Rio, São Paulo, Nordeste, todos estavam lá. A reunião era para cobrar do governo federal, e estava previsto que o presidente Temer fosse lá, ele iria, acabou não indo porque ele teve um problema de saúde, mas mandou quatro ministros lá. Defesa, Justiça, o general do gabinete de Segurança Institucional, e o chanceler, o ministro de Relações Exteriores. Para cobrar do governo federal uma coisa que o governo federal não está fazendo, que é a segurança das fronteiras do pais, que tem sido invadida por tudo quanto é tipo de droga e armamento pesado que passa pelas fronteiras lá de cima, pela Amazônia, as fronteiras aqui do centro-oeste, e infelizmente a Polícia Federal e o Exército não têm feito o que tem que ser feito, que é a vigilância de fronteiras. Então, os governadores reunidos foram cobrar, assim como fomos, do governo federal um programa efetivo de segurança das fronteiras. Porque os estados não podem fazer isso, não é nossa tarefa constitucional. Então nós ficamos aqui em baixo, enxugando gelo. Porque o Brasil não produz droga, não tem cocaína produzida no Brasil, nós não produzimos fuzil automático. Os armamentos que chegam para as quadrilhas chegam de fora. Quem tem que segurar isso? O governo federal. Então o objetivo da reunião era esse.

Bem, fizemos nossa cobrança, não foi muito frutífera porque os ministros foram, mas o presidente não foi, mas valia a pena ter reunido, assim como eu acho importante para a gente mostrar que é preciso que o governo federal faça alguma coisa. Bom, e aí eu anunciei que não iria ficar até o final porque eu vinha para Montes Claros. Mas ai eles me perguntaram: vai para o Norte de Minas? E eu disse: vou, porque eu tenho uma cerimônia lá que eu vou entregar alguns tratores para os municípios e as associações de produtores. Alguém lá me disse: mas governador, o senhor vai entregar trator sábado, fazer essa viagem longa, deste tamanho, isso é importante assim?

Ai eu falei, mas é claro que é importante. É só quem não conhece Minas Gerais que acha que esse tipo de entrega é uma coisa pequena, é uma coisa miúda, coisa desprezível. Não é não. Faz uma diferença enorme no município pequeno que tem um assentamento rural ou comunidade agrícola, com produção familiar, você ter um trator para ajudar para fazer aqui aquilo que, às vezes, o sujeito sozinho não dá conta.

É muito importante, e é graças às emendas dos deputados - por isso é importante chamar atenção para a presença deles aqui - que o Estado possa fazer isso, possa proporcionar ao prefeito, ou a associação de agricultores, um equipamento que vai melhorar de fato a vida das pessoas. Nós trabalhamos é para isso. Não por outro motivo. Nós não trabalhamos para ficar famosos, não trabalhamos para ganhar dinheiro e ficar rico. Tem gente lá em Brasília que faz isso, nós não. Nós trabalhamos para melhorar a vida dos mineiros e mineiras. É por isso que eu tenho tanto carinho pelos prefeitos e prefeitas. Então fiz questão de vir, atravessar o Brasil inteiro para ficar junto com vocês.

E aí eu confesso para vocês que eu fico alegre, fico feliz, por mais dificuldades que a gente tenha, eu me reuni com os prefeitos ali dentro, falei das dificuldades que o Estado tem, mas ter com quem compartilhar a dificuldade faz muita diferença. A gente sentar com maturidade, com alegria, o prefeito falar qual é o problema, nós tentarmos resolver, se não tem dinheiro, nós vamos arrumar, se está precisando de alguma coisa, nós vamos buscar em algum lugar, e no final, a gente consegue atender. É aquilo que eu sempre falo: farinha pouca, vamos dividir o pirão. Não é essa história de meu pirão primeiro não, porque isso não funciona em Minas Gerais. Farinha pouca a gente divide o pirão e, no final, todo mundo sai com um pouquinho, é melhor do que não sair com nada. Então, eu fico muito feliz de compartilhar isso com vocês. Eu falei ali agora com os prefeitos, além do que combinamos, não só a questão das estradas, mas os repasses que estão atrasados, nós vamos fazer um cronograma, mas eu, aliás, todos nós, estamos muito preocupados com a situação hídrica do estado.

Há 10 anos nós estamos em Minas Gerais inteira, não é só no Norte e no Vale do Jequitinhonha não, estamos com chuvas abaixo da média histórica de 30 anos. O resultado é que os reservatórios estão todos vazios, os rios estão secando, e cada vez mais nós somos obrigados a improvisar soluções para buscar resolver este problema. Aqui em Montes Claros mesmo nós estamos com um problemão de fornecimento de água, a Copasa está fazendo a obra do rio Pacuí, nós vamos achar outras soluções, o Pacuí não vai ser uma solução definitiva, vamos olhar se a gente pode captar mais longe ainda, mas nós não podemos deixar nossa população ao desabrigo de uma solução permanente para a questão da água. Eu acho que nós vamos ter que construir um plano de longo prazo para Minas Gerais na questão hídrica que vai envolver barragem, que vai envolver um programa mais permanente de captação de água subterrânea e, mais do que tudo, mudar um pouco a nossa cultura, da população inteira em relação à água. Vamos falar a verdade, gente, mesmo no Norte de Minas que sempre teve problema de seca, nós somos daquele tempo que você abre a torneira e a água sai de lá de dentro e você não preocupa muito com isso. Água é uma coisa que existe, ou era. Agora acabou. Agora nós vamos preocupar com isso. Eu fico olhando as grandes cidades, aqui mesmo em Montes Claros, que é uma das maiores de Minas Gerais, você deve contar nos dedos de uma mão, se contar uma mão, os prédios que têm reuso de água. A maioria não tem. A maioria não, a totalidade. E garanto que não tem uma lei municipal, um projeto novo obrigando isso. Eu estava olhando da janela do hotel um prédio novo sendo construído e garanto que não tem reuso de água. O reuso de água é você ter o equipamento de captação da água de chuva e um reservatório subterrâneo para aquela água. Se você não tem (esse sistema), a água cai, escorre pela rua, vai para dentro do canal e vai embora. Não, gente. Vamos captar água de chuva. Vamos deixar ela armazenada em um reservatório que permita depois o uso da água, não precisa ser para consumo humano, mas para muita coisa a gente pode reusar a água de chuva. No mundo inteiro, hoje, o reuso de água de chuva, de água pluvial é matéria de escola, todo projeto tem que ter, e nós no Brasil nem estamos sonhando com isso ainda. Então, nós vamos ter que mudar a nossa cultura profundamente nessa questão da água. Esse é um desafio que está posto. Estou falando isso porque aqui estão os prefeitos e prefeitas, as equipes das prefeituras, vamos começar a pensar nisso, gente. Nós vamos ter que mexer nas legislações municipais, de licenciamento de projeto exigindo para aprovar o projeto reuso de água. Isso vai ser fundamental daqui para frente.

Não quero me estender muito. Queria dar este pequeno recado para vocês. Dividir essa alegria com vocês e dizer que eu continuo com o mesmo espírito daquela missão que eu tive há muitos anos atrás, de alguém que me disse que quem precisa de governo são os pobres, que é para isso que nós vamos para o governo. Governar para quem precisa.

Obrigado a todos!