Pronunciamento do governador Fernando Pimentel na abertura do Fórum Regional de Governo em Frutal

  • ícone de compartilhamento
download do áudio

Boa tarde a todos e a todas!

Eu quero começar contando rapidamente para vocês um fato acontecido ontem, que ilustra bem o nosso encontro aqui hoje. Ontem eu dei uma entrevista a um jornalista do Rio de Janeiro. Mas era uma entrevista longa, esse jornalista é conhecido há bastante tempo. Ele chegou antes, ficou conversando um pouco comigo e ele viu em cima da minha mesa, antes de a gente descer para a entrevista, a agenda de hoje. E lá estava registrada essa reunião aqui em Frutal, o Fórum Regional e o título de cidadão honorário. Aí ele fez um comentário: ‘Frutal, onde é mesmo?’. Aí eu falei: ‘Frutal é lá no Triângulo Sul, perto de Uberaba, perto de Araxá’. Aí ele disse: ‘Ah, eu sei, mas é muito longe, não é, governador?’. Aí eu disse: ‘Olha, Minas é grande, né? Nem tudo é perto.’ ‘O senhor vai?’. Aí eu falei: ‘Vou, está na minha agenda, é claro que eu vou.’ Aí ele disse: ‘Mas isso não é uma chatura não? Esses Fóruns, esse título?’. Aí eu falei: ‘Ô meu companheiro, tem muito tempo que você não vem a Minas Gerais, deixa eu te explicar uma coisa.

Primeiro, é o seguinte, o Fórum Regional é a coisa mais importante que tem no Governo hoje, que é a forma de a gente estar perto das pessoas, escutar as lideranças da região, ter humildade para chegar perto, ouvir as reivindicações, as críticas, estão aqui os companheiros e companheiras do Sind-UTE estressados ali com uma parte do acordo, nós vamos cumprir, eles sabem que nós temos uma relação de respeito e de carinho com eles, são companheiros e companheiras nossas e a luta deles é a nossa luta. Aliás, quem luta, educa, e nós somos educadores, todos nós. Então, nós vamos cumprir. As dificuldades são passageiras, as dificuldades que a gente tem, financeiras e orçamentárias, passam, mas a nossa amizade e o nosso companheirismo com aqueles que trabalham por Minas Gerais é permanente. Mas, então, o Fórum é muito importante, porque permite que a gente chegue perto, escute, ouça as pessoas, se tiver críticas nós vamos ouvir também, sugestões, reivindicações, e dessa forma a gente consegue governar o Estado com mais eficiência, sabedoria e competência. Quem não governa assim, quem governa de longe - tem uns que governam lá do Rio de Janeiro não, é? Mas, enfim, esse tempo passou, graças a Deus - quem não governa assim faz errado, comete erros, toma decisões incorretas, aplica dinheiro de jeito errado, faz obras desnecessárias e deixa descobertas obras importantes.

Então, para evitar que esses erros sejam repetidos é que a gente faz o Fórum Regional. E eu expliquei isso para esse amigo meu, jornalista. Mas não deixei de falar também do título. Ele falou: ‘Ah, mas isso é muito chato, não é não?’. Aí eu falei: ‘Olha, é porque você não é mineiro. Deixa eu te explicar como é que funciona em Minas Gerais. Em Minas, é o seguinte. Nós todos, mineiros e mineiras, mas especialmente, os do interior - a cidade maior, como Belo Horizonte, talvez perca um pouco isso que eu vou falar -, mas no interior, não. Nós todos temos um carinho muito grande pelas nossas cidades. A gente é muito reconhecido no lugar em que a gente nasceu, se formou, criou a família, onde a gente vive. É tão grande o carinho que a gente trata a cidade da gente quase como a nossa casa, é a extensão da nossa casa. Então, quando a gente ganha um título desse, quando a Câmara Municipal me dá um título de cidadão honorário daquela cidade, é como se aquela cidade estivesse me chamando para a casa das pessoas, a casa dos moradores. E aqui em Minas nós temos uma expressão que é a seguinte, quando você chega na casa de alguém, você chega, não tem ninguém na varanda, ali na frente, a gente grita assim: ‘Ô de casa’.

E a pessoa lá de dentro responde: ‘Pode entrar’. Pois lá em Frutal eu não preciso mais gritar ‘ô de casa’, eu sou de casa. Aí ele entendeu porque é que nós temos essa empatia, essa ligação tão forte com nossas cidades, e porque, para mim, que sou homem nascido em Belo Horizonte, criado e trabalhei muito por Belo Horizonte como prefeito e como secretário, é uma honra imensa ser reconhecido como cidadão de outra cidade, no caso Frutal, por aquele pouquinho que eu já fiz naquela região e, se Deus quiser, vou fazer mais, se vocês ajudarem e Deus permitir. Bom, esse é só para começar nossa história. Eu não quero falar muito, mas quero dizer a vocês coisas importantes aqui hoje. Primeiro, eu quero dizer que nós vamos prosseguir nesse caminho de estar perto, de estar escutando e aos poucos resolver os problemas, atender aquilo que é mais urgente, escutando as pessoas.

Tem muita coisa para ser feita, tem que fazer escola, tem que reformar o posto de saúde, tem que ver as estradas municipais que levam para as usinas de cana-de-açúcar e que nós temos que resolver, ou através de PPP ou de outra maneira, são inúmeras as reivindicações. Bem, como é que resolve isso em um estado que tem 853 municípios? Pensem bem, aqui é um município, nós temos aqui um consórcio que deve ter 18 municípios, mas, igual Frutal tem mais 852 municípios e não tem dinheiro para fazer tudo, aliás nós estamos com dificuldade até para pagar a folha dos servidores. Como que resolve um problema desse? É muito simples: ouvindo as pessoas. São elas que vão nos dizer a prioridade daquelas regiões, o que é mais importante. Eu estava anteontem em São Francisco, lá no norte do Estado, na beira do Rio São Francisco, cidade bonita, tão quente quanto aqui, talvez até um pouco mais. E nós fomos lá para anunciar uma obra que foi escolhida no fórum regional daquela região, que é a ponte que atravessa o rio São Francisco e, liga a cidade de São Francisco ao município de Pintópolis, do outro lado. Uma ponte importantíssima para a região Norte. Vai economizar uma distância grande. Eles têm que atravessar de balsa, quando o rio está muito baixo a balsa não passa.

Eu estou dando só um exemplo do tipo de reivindicação que a gente recolhe nessas reuniões dos fóruns. Tem outras reivindicações, tem outras coisas importantes, mas a população priorizou a ponte. Nós fizemos o projeto, fomos lá entregar o projeto e anunciar que vamos até o final deste ano começar a obra da ponte. Bem, o dinheiro é pouco? É. O pirão é escasso? É. Mas ao invés de falar “farinha é pouca, meu pirão primeiro”, nós dizemos “farinha pouca, vamos fazer o pirão juntos e vamos dividir o pirão”. É assim que a gente tem feito com os prefeitos, com os municípios, com as cidades. E por isso, eu acho, e digo isso com muito orgulho, não por ser governador, governador passa, mas por ser mineiro: Minas Gerais está se saindo nessa crise devastadora que o Brasil está vivendo, crise econômica, política, institucional, social, Minas Gerais está se saindo melhor do que a maioria dos estados deste país. É só olhar no entorno e ver o que acontece. 

Digo isso com tristeza, porque nós todos gostamos dos nossos irmãos e irmãs cariocas, gostamos do Rio de Janeiro, mas basta ver o que está acontecendo no Rio de Janeiro. O Estado está literalmente se dissolvendo. Os serviços públicos entraram em colapso completo. Na segurança, na saúde, na educação, as escolas não funcionam em função dos tiroteios. A polícia não consegue entrar nas comunidades, nos aglomerados, nas vilas, nas favelas. A saúde também o caos. Nós, com a mesma dificuldade financeira que tem o Rio de Janeiro, estamos conseguindo manter o Estado funcionando. Não é pouca coisa em tempos de crise. Os prefeitos e as prefeitas aqui sabem disso. A dificuldade que é para a gente manter e estar mantendo, e a coisa está andando. E a população, e aí vamos agradecer a Deus porque o povo mineiro sabe ser compreensivo, paciente e tolerante quando precisa. Sabe da dificuldade, entende a dificuldade e apoia o seu governante na hora da dificuldade. Claro, sem deixar de cobrar o que é de direito. Isso tem que ser cobrado mesmo.

Mas entendendo que cada coisa vem ao seu tempo. Por isso que o fórum é importante, porque permite esse encontro, essa reflexão que nós estamos fazendo aqui – e, aí, determinar o que tem que ser feito primeiro. Em algumas regiões é um hospital, em outras é uma ponte, em outras é uma estrada, em outras é um aeroporto, como eu escutei a pouco tempo também no Norte de Minas. Tudo isso é importante, mas não pode ser tudo ao mesmo tempo. O modelo do fórum regional nos permite resolver os problemas um a um e manter o Estado funcionando e se saindo muito melhor que a média dos Estados brasileiros. Eu digo isso, para finalizar, lembrando um outro mineiro ilustre, um escritor, que nós gostamos muito dele porque ele fala das minas e fala das gerais que é Guimarães Rosa. Todo mundo aqui já leu alguma coisa ou sabe quem é Guimarães Rosa. Tem uma frase dele muito bonita, que eu gosto muito, porque ele escreve um artigo, creio que em 1959, falando sobre a mineiridade. O que é essa história de ser mineiro, o que é isso? Porque nós somos muito diferentes de outros estados. Então, ele começa com uma frase singela que eu acho que a gente deve refletir sobre ela.

Ele fala assim: “Minas o que é? Minas é a montanha. ” Aí a gente fica pensando, o que ele quer dizer com isso? Eu acho que ele quer dizer o seguinte: que, diferentemente dos povos que vivem no litoral, povos que têm como referência o mar, e o mar você sabe, o mar é imprevisível, o mar uma hora está tempestuoso, outra hora está calmo, um dia a água está quente, no outro dia está fria, um dia ele está azul, no outro dia está verde, no outro dia está escuro, está brilhante ou não está opaco - você nunca pode prever o mar. Agora nós, a nossa referência, não é o mar. É a montanha. A montanha, ao contrário, é totalmente previsível. Ela é sólida, ela é permanente, ela é quase eterna, ela está lá sempre. A gente acorda de manhã, dá uma olhada e está lá a nossa montanha. Ela é serena. Essa é uma característica fundamental de Minas Gerais, a serenidade. É por isso que os mineiros atravessaram ao longo da sua história tantas crises, tantas dificuldades, sempre de cabeça erguida. Fazendo o que sabem fazer de melhor, trabalhando. Sem ficar reclamando pelos cantos, cochichando daqui e dali, reclamando da vida. Eu digo que a vocação do mineiro é essa: acordar cedo, trincar os dentes e trabalhar. Atravessa o dia, chega de noite e agradece a Deus que deu saúde para aquele dia, e pede saúde para o dia seguinte. Trabalha de novo. E assim não tem crise que resista. Nós vamos enfrentando e vencendo. Por isso, com trabalho, com equilíbrio, com serenidade, com diálogo, com paciência, com humildade. Minas é maior do que qualquer crise. Vamos trabalhar. Viva Minas Gerais. Viva o Brasil.

Muito obrigado!