Pronunciamento do governador Fernando Pimentel na abertura da Semana Internacional do Café

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Bom dia a todos e a todas!

Queria falar duas coisas. Primeiro, da importância de a gente resgatar esses valores, diria, mais essenciais de Minas Gerais. Nós estamos tratando de um deles, extremamente importante, que é o café, mas nós estamos fazendo outros da área agrícola, com o queijo, com a cachaça, com aquilo que a gente pode ter de melhor, com o leite. Nós estamos fazendo um esforço grande agora para trazer de volta o controle da Itambé, a CCPR (Cooperativa Central dos Produtores Rurais), estamos organizando aqui um pool de entidades mineiras e de bancos mineiros para comprar de volta a Itambé, que tinha sido vendida. Abriu-se uma possibilidade. Mas o café, dentro esses produtos todos que eu mencionei, talvez seja o que tenha o maior destaque.

Houve um tempo, em que parecia que a produção agrícola era motivo de vergonha para o produtor, era uma coisa menor, menosprezada, fala-se muito da indústria, da alta tecnologia, na indústria do futuro, como se a agricultura fosse uma coisa que nós devêssemos deixar de lado, esquecer, como se fosse atrasado. Mas, é o contrário.

As grandes oportunidades que nós estamos tendo estão surgindo justamente do agronegócio e da produção agrícola familiar, que também em Minas Gerais está tendo um destaque muito importante. No caso do café, eu não vou mencionar o que já falaram, mas preciso destacar dois programas: o Certifica Minas no Café - o Pedro Leitão (secretário da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) esteve há pouco na Suíça e ficou impressionado como esse programa nosso é pioneiro no mundo.

A Colômbia, por exemplo, que tem um café de alta qualidade não tem um programa semelhante. É por isso que estamos agora recebendo várias propostas de parcerias internacionais na área da certificação, que querem se somar com o programa que vai, da fato, ajudar muito na qualidade e no rendimento do nosso produto.

A outra coisa é o georreferenciamento da produção cafeeira, que está com 90% pronto e, até o começo do ano que vem, vamos ter esse produto, esse ativo disponível no Estado, que é uma coisa que já devia ter sido feita há muito tempo. Então, é um investimento, aliás, todo investimento no setor agrícola tem um retorno importantíssimo, um retorno na forma de emprego, renda, riqueza e de movimentação econômica da cadeia produtiva, que é muito extensa, longa.

O café agora ficou chique, mas, antes disso, tem uma série de atividades econômicas que são impactadas positivamente com o café, com a plantação e produção do café. O que nós estamos fazendo na verdade é resgatar um valor importantíssimo para a nossa cultura, a nossa origem, pelo fato de sermos mineiros. Tem uma música do Noel Rosa que diz que ‘São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá samba’. Tem que mudar.

Minas dá café e leite, samba a gente também faz, mas pode deixar a Vila Isabel lá. Mas hoje a maior bacia leiteira da América do Sul é Minas Gerais, nós somos o maior produtor de café do Brasil e, portanto, da América, e, portanto, café e leite é conosco mesmo, e nós temos que valorizar isso que a gente tem de tão essencial na nossa cultura.

A outra coisa que queria compartilhar não tem diretamente a ver com o nosso evento.

Falaram aqui “que o produtor de café é um herói”, e estou com essa palavra desde ontem na cabeça. Vou contar um caso de heroísmo para vocês. Ontem foi o Dia da Asa, 24 de outubro. Então, Minas tem a Medalha Santos Dumont, que a gente outorga às pessoas que têm mérito, que desempenharam atividades meritosas ao longo do ano, e faz isso na cidade de Santos Dumont.

Eu ia para lá, mas o tempo estava muito fechado, choveu muito naquela região, felizmente, e não consegui ir. Aí, uma parte da cerimônia eu trouxe para o Palácio da Liberdade, uma coisa singela, trouxe os familiares e os profissionais de Janaúba que estiveram envolvidos com os atendimentos das vítimas daquela tragédia que todos acompanhamos. Vieram dois militares, um sargento do Corpo de Bombeiros, a diretora da creche, uma professora, um médico que atendeu no hospital, e o viúvo da professora Heley Batista, que foi aquela professora que morreu socorrendo as crianças na escola. Bem, eu os condecorei e conversei com todos eles.

O viúvo, o marido Luiz Carlos, me falou uma coisa que me impactou muito. Eu falei que havíamos perdido a Heley, que tinha sido um gesto heroico dela, ela entrou e saiu da sala diversas vezes para tirar as crianças e, por isso, não teve com salva-la porque ela queimou quase todo o corpo. Mas o Luiz Carlos me falou uma coisa que me impressionou. Ele me disse que ela fez o que qualquer professora teria feito se estivesse no lugar dela.

Então, eu fiquei pensando que os heróis mesmo não estão em Brasília, não estão nos palácios, nos gabinetes. Os heróis somos todos nós, mineiros e mineiras que trabalham dia a dia para arrancar do chão o duro sustento, às vezes, na adversidade, e quando precisa, se precisa, se dispõe a doar a própria vida para salvar os outros. Fiquei muito impactado com isso. Os produtores são heróis mesmo, o heroísmo está na nossa vida cotidiana, e é isso que devemos homenagear.

Então, que os produtores de café e nós, mineiros e mineiras, nos inspiremos no exemplo dessa professora, tão querida que deu a vida por seus alunos. Vamos trabalhar que a gente vence a crise. Não é com reclamação, nem com choradeira que se vence a crise. É com trabalho, e é isso que Minas está fazendo.

Obrigado!