Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante o encontro com os blocos de carnaval

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Bom dia a todos!

Cumprimos o que pensamos em fazer, que era ouvir vocês todos, escuta-los e inaugurar essa novidade histórica. Esse lugar em que estamos aqui tem a idade de Belo Horizonte, 120 anos. E esse salão já viu muita gente, menos os blocos de Carnaval da capital do Estado, é a primeira vez que vocês vêm aqui. Então é muito recente para todo mundo, é a primeira vez na história do Estado e da cidade. Felizes de nós, por sermos protagonistas desse momento histórico.

Queria fazer uma breve reflexão aqui. Belo Horizonte foi uma cidade inventada, ela foi inventada, ela não existiria, pois aqui não é rota comercial, não está a margem de nenhum rio navegável, não é centro de zona econômica, a terra agrícola de melhor qualidade é mais para o Norte. Aqui era para ser um curral, o Curral Del Rey, e assim seria para todo sempre se um belo dia não tivessem resolvido construir aqui uma cidade. Portanto, é uma cidade inventada. Cidade inventada não tem vocação para nada. As vocações daqui foram construídas pelo nosso povo, pela nossa gente. Vocação de belo-horizontino é acordar cedo e ir trabalhar, mas é também fazer Carnaval, fazer boa música, boa convivência, a boa culinária, tudo que tem a ver com o encontro entre as pessoas, Belo Horizonte é a cidade do encontro.

Tudo que foi construído nesses 120 anos não tem a ver com acidente geográfico, com a beleza natural como é Salvador e o Rio de Janeiro, com um clima maravilhoso como tem em outras cidades do pais. Tudo que foi feito aqui tem a ver com gente, com o povo. E o que fizemos hoje aqui foi celebrar uma característica nossa, da nossa capital, uma cidade inventada que é reinventada todo dia. Todo dia de manhã a gente acorda e reinventa a cidade.

Por isso, o nosso Carnaval também foi inventado, nós incorporamos aqui, na tradição da cidade, uma coisa que, não vou dizer que só tem aqui, mas que basicamente é daqui, que é essa coisa dos blocos. Já existiu no passado, eu sou mais velho do que vocês todos aqui, então lá na década de 1950 tinha blocos na cidade. Não com a característica de hoje, os blocos eram mais seletivos, então tinha lá os Mulatos do Carlos Prates, Bocas Brancas da Floresta, Domésticas de Lourdes, e saiam em um caminhão, uma coisa meio modesta, mas todo Carnaval tinha. Isso foi aos poucos incorporado, mudando os costumes até chegarmos agora da década de 1980 pra cá, quando os blocos de rua efetivamente populares começaram a crescer, e agora tomaram essa dimensão que já ultrapassa as fronteiras da cidade.

E nós construímos aqui um formato - nós que eu digo não é governo, é o povo de Belo Horizonte -, que é um carnaval de tolerância, um carnaval que tem segurança para as pessoas. Não é só porque o Estado policia, é porque as pessoas se respeitam mesmo, porque há um clima mais ameno, mais fraterno no carnaval mineiro, no carnaval especialmente em Belo Horizonte, do que em outras grandes cidades. Isso é um diferencial que, para nós, dá muito orgulho. Isso faz muita diferença hoje em dia e nós podemos explorar isso de forma a tornar um dínamo econômico para a cidade. Eu acho que a prefeitura está entendendo assim como nós, portanto é parceira fundamental de vocês, mas o Estado, que nunca se envolveu nessa questão, agora se envolve. Não só porque está disposto a isso, mas porque vê que é importante mesmo nós criarmos esse ambiente em que você construa a segurança sem tirar a espontaneidade, sem tirar alegria, sem tirar o espaço de convivência fraterna que as pessoas têm no Carnaval.

Eu estou muito feliz de sermos protagonistas dessa construção. Tem muita coisa para fazer ainda para melhorar. Todos aqui lembraram detalhes importantes nessa construção, mas eu acho que cumprimos o nosso objetivo, que é fazer um carnaval que dê orgulho a todos nós. Que nos dê alegria. O povo está precisando de alegria, nós todos estamos precisando de alegria. Então vamos aproveitar esses dias que estão vindo aí para desfrutar juntos desse carnaval que nós vamos construir também juntos.

Obrigado a todos!