Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante solenidade de entrega de academias ao ar livre e kits de material esportivo

  • ícone de compartilhamento
download do áudio

 

Bom dia a todos e a todas!

Essa semana nós tivemos uma semana típica de trabalho. Eu ia falar semana de governador, mas é mais parecida com a de prefeito. Nós estivemos aqui na segunda-feira recebendo os prefeitos e entregando cerca de 300 ambulâncias e veículos para a saúde para os municípios mineiros. Na terça-feira, eu fui à Teófilo Otoni inaugurar uma escola, a Escola Estadual de Liberdade, em um distrito que se chama Lajinha, e que era uma reivindicação histórica daquela comunidade. A escola funcionava tão precariamente que o Estado tinha alugado um motel da cidade para alojar as salas de aula e os alunos dessa escola. Era uma condição extremamente precária e até desonrosa para os professores e para os alunos. E nós substituímos, fizemos uma escola muito bonita, e eu fiz questão de ir lá inaugurar e fui muito bem recebido, como sempre sou em Minas Gerais e naquela região.

Isso foi de manhã. À tarde eu fui para Brasília. Eu fui, o presidente da Assembleia Legislativa, Adalclever Lopes, me acompanhou, alguns deputados que estão aqui, e muitas lideranças de Minas Gerais. Nós fomos em uma audiência com o ministro Dias Tófoli, do Supremo Tribunal Federal, que está responsável pelo processo que a Cemig move contra a União brigando para manter àquelas três usinas, Jaguara, São Simão e Miranda, que juntas significam 50% da geração de energia da Cemig hoje, e que nós estamos correndo o risco de perder porque o Governo Federal entendeu que não pode prorrogar o prazo da concessão para a Cemig e ele então quer tomar as usinas e fazer um leilão para quem der mais, até mesmo para um investidor estrangeiro que vier ao Brasil e quiser ficar com essas usinas.

Isso vai ser um impacto na economia mineira terrível, porque não é só perder a operação das usinas que hoje a Cemig faz, é pior do que isso, pois se o investidor vier ao Brasil e pagar o que o governo está pedindo, cerca de R$ 11 bilhões por essas três usinas, o investidor que pagar depois vai se ressarcir na conta de luz. Então esse preço vai passar para a tarifa de energia elétrica que os mineiros e mineiras pagam, que hoje é relativamente barata, mas vai ficar três vezes mais cara, vai triplicar a tarifa residencial, porque o investidor vai querer ressarcir esse valor.

Então nós fomos ao ministro, conversamos, pedimos, fizemos ver a ele as nossas razões. O julgamento está marcado para o dia 22 de agosto e a gente tem esperança de que consiga paralisar esse processo de leilão e negociar com a União a permanência dessas usinas com a Cemig. Evidentemente a Cemig também está disposta a pagar em condições que nós temos que negociar com o Governo Federal, mas ela jamais vai repassar esse custo para a tarifa dos mineiros, coisa que com certeza outra empresa que comprar essas usinas vai fazer.

É uma luta que hoje é de todos os mineiros. Por isso nós estávamos lá com o ministro Dias Tófoli, que nos recebeu muito bem, evidentemente ele não adiantou o seu voto, é uma questão judicial, mas para vocês verem o tamanho da encrenca. Os prefeitos e prefeitas aqui já se informaram a respeito disso. Eu só estou contando essa história para vocês vejam como nós estamos empenhados nessa batalha.

E aqui hoje de manhã esse encontro é de alegria, porque eu posso me encontrar com os prefeitos e prefeitas, todos eles nossos parceiros, com os deputados, que são os grandes responsáveis por essas entregas, que na verdade vocês sabem como é que funciona. São emendas parlamentares que a gente conversa com os deputados e eles aceitam transformar a emenda - eles têm todo o direito de indicar para onde vai o dinheiro das emendas deles -, mas ele aceita deixar essa demanda à critério do Estado para comprar equipamentos e aí colocar nos municípios que eles indicam.

Se essas emendas fossem distribuídas diretamente para os municípios para comprar o mesmo equipamento, com certeza o município iria pagar mais caro. Como o Estado compra de forma agregada, da mesma forma como foi feito com as ambulâncias - quem compra 300 ambulâncias tem um preço melhor do que para quem compra uma ou duas. Por isso, os deputados concordam com a gente que é melhor fazer nesse formato e aí nós podemos comprar as academias ao ar livre e fazer essa entrega que eu tenho certeza que é extremamente importante para cada um dos municípios que estão aqui representados.

Então é uma semana de muito trabalho, e olha que estamos na quarta-feira. Temos amanhã, que nós vamos para Passos fazer o Fórum Regional de Governo, ainda tem a sexta-feira que temos uma quantidade grande de agendas. Enfim, uma semana típica de prefeitos. Porque eu vou falar a verdade para vocês. Prefeito trabalha muito, não tem descanso. Tem que vir à Belo Horizonte, tem que percorrer os municípios e os municípios, a maioria deles, tem distritos distantes das sedes, e o prefeito tem que estar o tempo todo se deslocando. As vezes ele vai à uma cidade pólo da região para resolver problemas que ele não consegue resolver na cidade dele. Eu tenho um enorme carinho, respeito e admiração pelo trabalho dos prefeitos e das prefeitas. E é por isso que a gente prestigia tanto os municípios.

Claro, sem os deputados isso seria impossível, porque são eles quem trazem para nós as mensagens dos municípios. Minas tem 853 municípios, nem se eu quisesse eu consigo estar presente em cada um dos municípios, é impossível.

Eu não consigo estar presente em cada um desses municípios, é impossível. Para isso existe a Assembleia Legislativa, que reduz o número para 77, que é número de deputados que nós temos. Aí já é possível, eu consigo receber, conversar, participar das reuniões de líderes e de bancadas, ou das comissões. E os nossos secretários acompanham junto com a assembleia, a vida e as necessidades de cada um dos municípios de Minas Gerais.

Então é um mecanismo democrático que nós temos que valorizar. Nessa crise que o Brasil está vivendo agora - é a maior crise que nós já passamos na nossa história, crise econômica, política, institucional. Eu vejo, e vocês estão acompanhando isso, que está havendo uma desvalorização, um ataque muito forte, não só à atividade política, mas especialmente à atividade parlamentar. Como se fosse errado o trabalho dos deputados. Como se essas emendas fossem uma coisa criminosa. “Ah, porque estão fazendo emenda, não deveria ser assim”. Mas é ao contrário, essa é a verdadeira democracia. Porque você faz de forma transparente, utilizando o orçamento público com o melhor proposito, que é ajudar os municípios.

E assim os deputados estão efetivamente cumprindo seu papel. Eu faço questão de falar isso porque, no meio dessa confusão toda que virou o cenário político brasileiro, nós temos que valorizar quem trabalha. Valorizar os prefeitos, prefeitas, os vereadores, os parlamentares estaduais, federais que estavam ontem conosco lá em Brasília, nos acompanhando na audiência com o ministro Dias Tófolli e hoje vão fazer uma grande manifestação no plenário da Câmara Federal em defesa da Cemig. Nós temos de valorizar a democracia, porque se hoje se as coisas estão complicadas, o caminho para simplificar e para sair da crise necessariamente passa pela democracia, pela atividade política, pela representação popular.

Temos de valorizar quem tem voto. E todo mundo que está aqui hoje tem voto. Todo mundo que está aqui foi eleito para receber os problemas da sua cidade, para melhorar a vida dos seus conterrâneos, para representar as suas regiões, ou foi eleito, como foi meu caso, para governar Minas Gerais.

Não é fácil, é difícil, mas nós estamos conseguindo nos sair melhor. Eu falo isso com muito orgulho, deixando essa mensagem. Nós, mineiros e mineiras, temos de ter muito orgulho, porque Minas está se saindo dessa crise muito melhor que a maioria dos estados brasileiros. Basta olhar aqui para o lado e ver o que está acontecendo, por exemplo, com o Rio de Janeiro. É um estado querido por nós todos, nós temos muito carinho e simpatia pelos irmãos cariocas, mas o Rio de Janeiro entrou em colapso quase que completo dos serviços públicos. Da segurança, na educação, na saúde. A universidade estadual do Rio está com três meses de salários atrasados. Então, não iniciará as aulas do segundo semestre. Os professores não vão dar aula e nem os funcionários. E não é culpa do governador, ele está se esforçando, mas não consegue.

Eu tive a pouco notícias que o governo do estado do Rio está começando a pagar agora o mês de abril dos inativos. Porque eles estão conseguindo mal mal pagar os ativos, com dois meses de atraso. A última folha paga foi de março, ou seja, um quadro trágico. E veja bem, a situação financeira do Rio é igual a nossa. Eles decretaram emergência financeira.  Nós também, o Rio Grande do Sul também, nós estamos em situação de emergência financeira. Só que aqui, Minas trabalha. Não porque trabalha em silêncio, mas trabalha com seriedade, trabalha com espirito público.

Nós conseguimos estabelecer em Minas Gerais - e isso é mérito de todos nós, não é do governo nem do governador - um ambiente de harmonia entre os poderes. É por isso que estão aqui os 22 deputados. É por isso que estão aqui 155 prefeitos. O poder Executivo dos municípios e do Estado, o poder Legislativo estadual e até o Judiciário – claro, cada um respeitando a sua independência, a sua autonomia, estamos trabalhando juntos para Minas atravessar a crise sem naufragar e estamos conseguindo.

Quando você olha para Brasília, o quadro é completamente diferente. É uma disputa fraticida entre os poderes Executivo contra Legislativo, e se metendo no Judiciário. O maior prejudicado é a população. Em Minas não. Com seriedade, com equilíbrio, mas acima de tudo, com muito trabalho, nós estamos enfrentando a crise. E vamos vencê-la. Minas é muito maior do que qualquer crise. Todos vocês que estão aqui são testemunhas, e mais do que isso, são personagens de enfrentamento e de muita galhardia que os mineiros e mineras estão fazendo.

A vocação dos mineiros é essa, trabalhar. Levantar cedo, trincar os dentes e trabalhar o dia inteiro e, no final do dia, agradecer a Deus porque atravessou o dia de trabalho, e pede saúde para atravessar o dia seguinte. E assim nós vamos vencendo a crise. É isso que eu recolho em todos os lugares em que eu vou em Minas Gerais. Minas trabalha e trabalha com seriedade, buscando harmonia, com serenidade, e vamos construindo o caminho de saída. Dinheiro falta, nós não temos, os prefeitos sabem que nós não temos, mas dinheiro não é tudo.  Muita coisa pode ser feita simplesmente com trabalho, com boa vontade, com dedicação - e nós estamos fazendo.

Então, essa entrega aqui hoje simboliza o enfrentamento da crise pelos mineiros e pelas mineiras. Não é mérito de ninguém individualmente, mas é mérito de todos nós. Vamos ter orgulho disso. Minas está enfrentando a crise e está ajudando o Brasil a sair dela.

Obrigado a todos!