Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante o Fórum Regional no Território Sudoeste

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Boa tarde a todos e a todas!

Eu queria compartilhar com vocês apenas dois sentimentos. O primeiro sentimento, muito grande, muito autêntico, é de alegria, a emoção de estar aqui presente em Passos, com os prefeitos da região e com meus companheiros e amigos que, independentemente de partido político, de filiação partidária, nós temos uma ligação muito forte com os municípios.

Vocês sabem que eu fui prefeito de Belo Horizonte em dois mandatos. Já trabalhei na prefeitura como secretário. Então, eu tenho um carinho muito grande pelos municípios.  Eu sempre brinco com os prefeitos, usando uma metáfora: se fosse uma guerra, eles seriam a infantaria. Aqueles que estão lá dentro da trincheira, na primeira linha.

A infantaria do serviço público, da prestação de bons serviços, são os municípios, são as equipes dos municípios, os secretários, os vereadores, os prefeitos. Então, nós temos de dar muito apoio ao trabalho deles. E é por isso que eles sabem que as portas estão abertas no Palácio da Liberdade. A hora que chegam são bem recebidos. Todas as vezes que eles vão lá, eles são bem recebidos, e quando a gente vem para os fóruns, a gente traz o Governo do Estado para estar perto dos prefeitos. Então, é uma alegria encontrá-los. Alegria essa, meus amigos e amigas, porque estamos começando a colher bons resultados, que são os fóruns regionais.

Estar perto não é só porque a gente é mineiro e cultiva esse sentimento, esse procedimento de convivência. Mineiro gosta de convivência, mas não é só por isso não. Do ponto de vista político e administrativo, os fóruns geram um modelo muito eficiente de resolver os problemas.

É porque estamos perto que a gente conseguiu abrir o curso de medicina na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), que era uma reivindicação histórica e vamos manter. Mesmo com a crise, com as dificuldades que o Estado tem - e não é novidade, o O Brasil inteiro está mergulhado nessa crise -, mesmo assim estamos conseguindo manter. Porque nós estamos perto é que identificamos a questão da retomada as obras da MG-050.

É porque estamos perto, no modelo dos fóruns regionais, que a gente identificou, mesmo nas dificuldades, essa falha absurda de não ter um centro socioeducativo aqui em Passos – aliás, não tem na região inteira, o primeiro vai ser aqui. Demorou, mas nós fizemos, a obra está pronta, o prédio está pronto, agora foi feita a consulta pública para escolher a organização civil que vai tomar conta para nós, e agora, o secretário Sergio (Segurança Pública) vai cuidar disso pessoalmente e nós vamos ter o centro socioeducativo funcionando e tirando um peso enorme das costas das nossas policias, civil e militar.

Já investimos muito na área de segurança. Já colocamos nas ruas 2.700 soldados, novos soldados da Polícia Militar, desde 2015, e mais de mil investigadores. Aliás, desse 2.700, 72 vieram aqui para Passos. Enfim, é uma grande alegria ver que esses resultados começam a aparecer.

Às vezes, as pessoas de longe acham que isso é pouco. A o governo entregou ônibus escolares - e entregamos mesmo. Aqui na região foram 34 ônibus, se não me engano. Muitos municípios ganharam ônibus escolares e 25 ambulâncias, tudo fruto das demandas que a gente levanta e apura junto com os prefeitos e com as lideranças regionais nos fóruns de governo.

Pode ser até que um ônibus escolar não seja importante para uma cidade grande - e olha que Passos é uma cidade grande, e o ônibus foi importante. Então, se é importante para Passos, imaginem para uma cidade como Bom Jesus da Penha? Eu estou falando Bom Jesus da Penha porque é aqui pertinho, mas poderia ser Fortaleza de Minas. Perguntem para os prefeitos a diferença que faz uma ambulância nova. 

Vejam bem, Minas Gerais tem 853 municípios, 400 deles com menos de 6 mil ou 5 mil habitantes. Um município pequeno não tem condições de sediar um equipamento grande, permanente. Você não coloca um hospital, você não coloca uma clínica especializada de grande porte em uma cidade de 4 mil habitantes. Não tem como, as vezes nem o médico consegue alocar.

Então, entregar uma ambulância nova para um município de três, quatro mil habitantes, faz toda a diferença para transportar os pacientes para uma cidade maior e assim ser atendido. Só quem não conhece Minas Gerais acha que isso é pouco, isso é irrelevante. E olha que nós já tivemos antes de mim muitos governos que não entenderam o nosso Estado.

Governavam lá de longe, lá da capital. Uns lá do Rio de Janeiro. Aí não tem jeito. Tem de estar perto, minha gente. Tem de ir nos municípios. Semana passada a gente estava em Nanuque, fazendo o Fórum Regional lá em Nanuque, lá no Mucuri. Vocês precisam de ver a alegria das pessoas, e essa equipe toda estava lá. Lá, a realidade é outra, é totalmente diferente da realidade do Sudoeste. Lá, falta água, não tem água. Então, nós temos de cuidar de Minas com olhar regionalizado. Senão, não vai funcionar. Ainda mais quando você vive uma crise dessa como o país está passando, com os recursos escassos, onde o dinheiro é pouco, você tem de aplicá-lo muito bem. Tem de aplicar bem e ouvir as populações, as lideranças das pessoas que são os vereadores, são os prefeitos, são os representantes dos empresários, dos trabalhadores.

O Fórum Regional reúne esse conjunto de lideranças e traz para o governo as demandas, e aí nós vamos, junto com as pessoas, escolhendo. Tem de fazer a ponte, o posto de saúde e a estrada, mas tudo ao mesmo tempo não tem jeito, então, quem escolhe a prioridade é a própria população, por meio dos Fóruns Regionais, e isso está produzindo bons resultados. É por isso, e digo com orgulho não por ser governador, porque o governador passa, mas por ser mineiro. É por isso que Minas Gerais está se saindo muito melhor que a maioria dos Estados brasileiros nesta crise. A nossa situação financeira é a mesma do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul, do Espírito Santo, ou seja, déficit, falta recursos. Falo com tristeza do que está acontecendo no Rio de Janeiro, todos nós gostamos e somos simpáticos ao Rio de Janeiro, mas o Rio está acabando, é o colapso completo dos serviços públicos, na educação, na saúde. O governador Pezão, meu amigo, disse que o Estado está tentando começar a pagar o salário de abril, nós já estamos em agosto. Em Minas, temos dificuldades, estamos tendo de fazer escala de pagamentos, pagando de três vezes, mas nós estamos pagando o salário, não tem nenhum serviço interrompido. A polícia está prestando o serviço, está na rua, as escolas estão abertas e funcionando, os postos de saúde, os hospitais, tem atraso aqui ou ali, mas as coisas estão funcionando. E isso é porque o governo é muito bom ou o governador é muito inteligente? Não. Isso é porque os mineiros e as mineiras cultivam primeiro uma vocação enorme para o trabalho, e não tem jeito de enfrentar a crise se não for com trabalho, e os mineiros sabem trabalhar. Falo sempre que nossa vocação é acordar cedo, trincar os dentes e ir trabalhar. Atravessar o dia trabalhando e, no fim do dia, agradecer a Deus porque deu saúde e pedir saúde para o dia seguinte.

É com trabalho que Minas está enfrentando a crise. Quando eu vou a Brasília e, infelizmente tenho que ir com certa frequência, os deputados federais me acompanham, eu só falo uma coisa para este governo que está aí e que, vamos falar a verdade, que não gosta de Minas, está tentando tomar as usinas da Cemig, está empurrando com a barriga o ressarcimento da Lei Kandir, mas não importa, a gente respeita e mantém uma relação institucional, eu só peço uma coisa nos ministérios e nas repartições federais: deixem Minas trabalhar. Se vocês não podem nos ajudar, pelo menos não atrapalhem. Deixem que a gente faça as coisas do nosso jeito e, aos pouquinhos, nós vamos conseguindo. Tudo está indo, podia ser melhor, perguntem aos prefeitos, se tivéssemos dinheiro, nós estaríamos dando show, mas não temos, vamos devagarinho. Acerta daqui e dali, mas vai resolvendo os problemas. Governo é para resolver problemas, e não para criar problemas. Não é para virar as costas e sair resmungando e chorando pelos cantos que a crise está muito ruim. Tem jeito, vamos trabalhar que tem jeito, e é isso que Minas sabe fazer, e com serenidade, que é outra característica dos mineiros. A primeira é o trabalho, alguém já disse que o primeiro nome de Minas é a liberdade, eu digo que o segundo é o trabalho. A nossa denominação de origem é um trabalho: mineiro.

A outra característica nossa é a serenidade, e é por isso que aqui em Minas nós temos uma relação tão boa com o poder Legislativo, independentemente de disputa política. Disputa política tem de ter mesmo e é natural da democracia, mas na hora que precisa de união para defender os interesses do Estado, todos estão juntos. Também com o poder Judiciário, não posso me queixar nada do poder Judiciário. Cada poder aqui em Minas, guardada sua independência, a sua autonomia, o seu papel institucional, mas todos trabalham com harmonia para achar um bom resultado e melhorar a vida das pessoas. É uma diferença absurda, por exemplo, em relação ao que a gente vê em Brasília e em outros Estados. É uma luta fraticida entre os poderes e o grande prejudicado sempre é a população. Aqui não. Você não vê essa confusão que nós vemos em Brasília aqui no Estado. Então, nós temos de ter orgulho disso, porque é a segunda característica nossa é a serenidade. Mineiro é sereno.

Tem um grande escritor mineiro que todos conhecem, João Guimarães Rosa, que tem uma frase que eu gosto muito, singela, sobre a mineiridade: “Minas é a montanha”. Ele quer dizer uma coisa singela. Os povos que vivem no litoral têm como referência o mar, que é sempre imprevisível. O mar um dia está tempestuoso, um dia está calmo, um dia está brilhante, azul, verde, cinzento, sem cor. Nós, povos do interior, nossa referência é a montanha. A montanha, ao contrário do mar, é absolutamente previsível, ela está sempre lá. Olha a Serra da Canastra. Ela é serena, sólida, permanente. Então, nós mineiros temos esse sentimento da permanência, da serenidade, porque tem dia bom, tem dia ruim, mas no outro dia melhora. E o que nos dá isso é a nossa localização geográfica, é a história de Minas Gerais, é sermos esse povo que trabalha, que tem fé em Deus, no futuro e vai rompendo, por isso Minas Gerais está com todas as dificuldades, muito melhor que os demais Estados brasileiros, e isso é mérito de todos os mineiros, de todos vocês aqui. Eu estou só verbalizando aquilo que eu vejo acontecer nesse Estado. Eu viajo o Estado inteiro e não vejo ninguém reclamando, só trabalhando. E é assim que vamos superar a crise. 

Obrigado a todos e a todas!