Pronunciamento do Governador Fernando Pimentel durante Fórum Regional de Governo no Território Sul

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Bom dia a todos e a todas!

Eu quero dizer duas coisas para vocês. Vocês certamente notaram o carinho com que a gente trata os prefeitos, e aí não sou eu, já fui prefeito e tenho carinho e amizades por todos eles, mas não sou eu pessoalmente, é o governo e a Assembleia Legislativa. Nós temos nos prefeitos e nas prefeitas aqueles que são os agentes públicos mais importantes para atender bem a população. São os prefeitos e as prefeitas, assim como os vereadores, os secretários municipais, que estão na ponta de lança onde o atendimento público é feito, e é por isso que a gente tem tanto carinho e consideração. Às vezes, quem está longe não percebe a importância do que a gente faz. Esse ato aqui hoje, de entregar veículos novos para a saúde, ambulâncias ou veículos de transporte de pacientes, tem uma importância enorme para uma cidade de quatro, cinco, seis mil habitantes, que não consegue abrigar na sua cidade um equipamento de saúde mais complexo. Ela não tem outra alternativa a não ser transportar o paciente, o doente, aquela pessoa que precisa do cuidado, para um município maior.

Então, renovar permanentemente a frota da saúde, assim como a frota da Polícia Militar, da Polícia Civil, enfim, o equipamento de transporte e do governo do Estado, é fundamental em um estado como Minas Gerais, tão grande e com tantos municípios. São 853, e quase 400 deles têm menos de 10 mil habitantes, 300 têm menos de cinco mil habitantes, então, se você não tem esse olhar, você não entendeu nada de Minas Gerais. E é justamente porque a gente tem esse olhar e aprende cada dia mais com os nossos amigos e amigas dos municípios que nós temos tanto carinho com os prefeitos e as prefeitas.

Estou dizendo isso porque é natural que, em um momento de crise como o que nós estamos vivendo no Brasil, em um momento de dificuldade financeira, de crise institucional, de crise políticas, as relações políticas ficam muito atritadas, as reivindicações surgem com mais força, e é natural que seja assim. Na crise, as pessoas ficam mais nervosas, vamos dizer assim. Mas, aqui em Minas, graças a Deus, estamos conseguindo superar a crise sem deixar esse clima de intolerância, discórdia, de disputa menor, entre os agentes federativos, município, Estado, poder Executivo, Legislativo, Judiciário, com outros Poderes. Não.

Aqui nós conseguimos um clima de harmonia. Podemos ter diferenças, aqui ou ali tem dificuldades mesmo, atraso de repasse, e conseguimos resolver. A dificuldade é imensa. Todo prefeito e prefeita, todo administrador público que está aqui, e temos muitos, sabe do que eu estou falando. A nossa angústia, no governo do Estado, quando chega o dia do pagamento e a gente vê que o recurso não vai dar para pagar a primeira parcela, ou a segunda parcela da folha. Às vezes, falta um dia e aquela angústia que a gente tem, mas com paciência, tolerância, com entendimento, com harmonia, aos poucos nós vamos superando.

Minas está enfrentando essa crise muito melhor do que a média dos estados brasileiros. Basta olhar para o lado e ver o que está acontecendo, por exemplo, com o Rio de Janeiro. Eu digo isso com tristeza, porque todos nós gostamos do Rio e somos solidários com as dificuldades dos nossos irmãos cariocas. Mas, o Rio de Janeiro está se dissolvendo a céu aberto, os serviços públicos entraram em colapso, a segurança, a saúde, a educação. Aqui, nada disso, graças a Deus está acontecendo. As escolas funcionam, os postos de saúde atendem, a polícia está na rua cumprindo sua obrigação.

Alguém pode dizer ‘ah, mas poderia estar melhor’. Claro que poderia estar melhor. Se nós não tivéssemos essa crise devastadora, que já vão 3, 4 anos de recessão econômica, o PIB acumulado caiu quase 10% nesse período. Se não tivesse essa crise política, até com afastamento de presidentes da República, com o Congresso entrando em conflito o tempo todo com o Judiciário Federal. Se o cenário fosse outro, tudo podia estar melhor, mas nesse cenário que nós estamos vivendo, vamos falar a verdade, o nosso barquinho, o barquinho de Minas Gerais, está navegando. Não afundou e nem vai afundar, porque os mineiros não vão permitir. Não sou eu, não é o meu governo, não são os deputados - é o povo de Minas Gerais que tem uma característica muito especial, aliás, duas. Eu vou falar só delas para encerrar. Duas muito fortes.

A primeira, gente, é o seguinte: é um povo trabalhador. A gente fala isso, todo mundo sabe, aqui. Mas, às vezes, fora daqui não sabe, então é bom esclarecer. Não é por acaso que nós somos o único Estado da federação que tem na denominação de origem uma profissão. Os outros não têm. O sujeito que nasceu em Pernambuco é pernambucano, em Mato Grosso, mato grossense, em Goiás, é goiano, e assim vai. Nós somos mineiros. Mineiro é uma profissão. Podia ser padeiro, carpinteiro, marceneiro, mas é mineiro, o que trabalha na Mina. Então, alguém já falou aí que o primeiro nome de Minas é liberdade. E é verdade, está na nossa bandeira: “liberdade ainda que tardia”. Mas então eu vou arriscar a dizer: se o primeiro é liberdade, o segundo é trabalho. Nós somos trabalhadores, e crise a gente enfrenta é com trabalho.

Qual é a vocação do mineiro? Acorda cedo, trinca os dentes e vai trabalhar. Trabalha o dia inteiro. No final do dia, agradece a Deus, que deu saúde para atravessar o dia, e pede saúde para o dia seguinte, porque ele vai trabalhar mais - e aí, meu amigo, não tem crise que resista ao trabalho. É por isso que Minas está melhor que a grande maioria dos estados, ainda que a dificuldade nossa seja a mesma ou até maior do que Rio de Janeiro, do que Rio Grande do Sul, do que Espírito Santo. Nós estamos trabalhando e, com trabalho, estamos vencendo a crise. Tenho muito orgulho de dizer isso, volto a dizer, não como governador, mas como mineiro, como filho de Minas Gerais: é aqui que nós estamos vencendo a crise e ajudando o Brasil com o nosso exemplo, com esse exemplo de harmonia, de trabalho. O mineiro não está aí nos cantos reclamando, falando mal da vida. Não adianta. Reclamar não resolve nada. Os prefeitos e prefeitas aqui sabem disso. Nós temos é que trabalhar. E vamos trabalhar.

Por quê que um Fórum de Governo como esse que a gente faz é importante? Porque aqui nós nos encontramos e dividimos os nossos problemas entre nós, e vamos buscando as soluções. Não tem dinheiro para fazer tudo, nós sabemos que não tem. O dinheiro é escasso. Então vamos escolher aquilo que é mais importante. Aqui em Varginha, na Região Sul, a coisa mais significativa, estão aqui os prefeitos, ali os vereadores. Vamos duplicar a rodovia. O pouquinho de dinheiro que tem, se aplicá-lo mal, perdeu tempo, perdeu tudo. Por isso, vamos aplicar certo. Essa duplicação aqui vai ajudar muito a região inteira. Então, estamos dando a ordem de serviço, demos aqui, e se Deus quiser, semana que vem já tem máquina aí trabalhando para a gente duplicar a rodovia que vai até a BR-381.

A mesma coisa lá em Três Corações, fazer a ponte sobre o Rio do Peixe lá naquela ligação para São Tomé das Letras. Eu podia falar outras coisas, mas não preciso falar muito. Todo mundo aqui já entendeu: é dividir o problema. Tem gente que fala assim ‘farinha pouca, meu pirão primeiro’. Nós não. Farinha pouca, vamos dividir o pirão. Senta e vamos dividir, ver o que é mais importante para cada cidade e fazer o que é mais importante. ‘Ah, mas e as outras coisas?’. Depois a gente faz. Com tempo, com paciência, com trabalho, a gente chega lá.

Mas a outra característica, para encerrar, que eu queria dizer para vocês, que Minas tem e que eu acho que nós temos que trabalhar muito nessa direção, temos que ter muita atenção com ela, eu vou usar uma frase de um escritor mineiro só para ilustrar essa característica. Nós todos a temos. Mas eu vou usar essa frase porque eu a acho muito bonita. É Guimarães Rosa o escritor que eu quero mencionar. Todo mundo aqui já leu alguma coisa ou já ouviu falar de Guimarães Rosa, um grande mineiro lá de Cordisburgo, que escreveu aquele livro clássico ‘O Grande Sertão Veredas’. Tem um texto do Guimarães Rosa da década de 1950 em que ele quer falar sobre a mineiridade. A característica dos mineiros, quais são? E ele começa com uma frase singela. Ele fala assim: ‘Minas, o que é? Minas é a montanha’. E o que é que ele quer dizer com isso? Ele quer dizer que, diferentemente dos povos que estão no litoral, como os cariocas, baianos, enfim, aqueles que têm o mar como referência, a nossa referência é a montanha. Nós somos um povo do interior e o nosso estado é montanhoso. O mar é imprevisível. Cada dia ele está de um jeito. Um dia ele está tempestuoso, no outro dia ele está calmo. O sujeito chega na janela, olha o mar verde, bonito. No dia seguinte ele abre a janela, o mar está cinza, em um dia está brilhante, no outro dia está opaco, então você não consegue prever o mar. A montanha, não. O mineiro abre a janela, a montanha está sempre lá. Sólida, permanente, quase eterna. A montanha está sempre serena.

É das montanhas que vem a nossa segunda característica mais importante: serenidade. É o que nós mineiros temos. Muita serenidade. Para enfrentar a crise é trabalho e serenidade. Serenidade para quê? Para enfrentar as dificuldades, para enfrentar as críticas, quando vêm, as reivindicações. Tem que ter humildade para isso, tem que ter serenidade para isso. Quem é prefeito e prefeita sabe disso. Não adianta esquentar a cabeça. Vamos com calma, tem que ter tolerância. As virtudes da democracia são essas: tolerância, paciência, discernimento. Serenidade. Acima de tudo, você tem que ser sereno. Não deixar de trabalhar, mas trabalhar com calma. Serenidade para deixar passar a tempestade. Serenidade para a poeira sentar.

Serenidade para a Justiça fazer o trabalho dela. A gente está vendo tanta notícia ruim, tanto escândalo, mas o tempo ajuda, e a gente tem que ter serenidade para separar o joio do trigo, o bom do mau, o certo do errado. A Justiça às vezes parece lenta, mas ela não é lenta. Ela tem o tempo da Justiça. O sujeito que é acusado não pode ser condenado previamente. Vamos esperar que a defesa se faça, que o devido processo legal aconteça e, lá na frente, vamos ver a verdade se estabelecer. Mas, para isso, tem que ter serenidade. Não pode ter essa exacerbação, essa intolerância, esse clima de ódio que às vezes a gente está assistindo se espalhar pelo país. Mas aqui em Minas não. Aqui é trabalho e serenidade.

Então, meus queridos, é com muita alegria que eu vou encerrar dizendo para vocês que vir aqui ao Sul de Minas Gerais, vir a Varginha, às outras cidades também, o Território Sul tem 118 municípios, são 2,5 milhões de habitantes, é 10% do PIB de Minas Gerais que está aqui no Sul de Minas, uma região maravilhosa porque congrega coisas tradicionais, como a cultura do café, a cultura do leite, com tecnologias avançadas como a gente vê ali em Santa Rita do Sapucaí, em Itajubá, ou agora em Extrema, aqui em Varginha mesmo, em Alfenas. Então, isso tudo somado dá o que é a região Sul e da importância dela para Minas Gerais. Então é com muita alegria que eu venho aqui dizer para vocês que Minas Gerais vai continuar nesse caminho: trabalho e serenidade. Enfrentar a crise de cabeça erguida olhando para o futuro e que seja a região Sul um exemplo para toda Minas Gerais e todo Brasil.

Que Deus ilumine a todos, um abraço carinhoso.