Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante ato em defesa da Cemig na usina hidrelétrica de Miranda

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Deixa eu contar um caso rápido para vocês. Ontem à noite nós estávamos em Belo Horizonte, o deputado Adalclever estava comigo, e nós estávamos com um grupo de empresários de fora daqui que estão vindo investir em Minas Gerais e queria conhecer o estado. Fizeram lá uma recepção na Assembleia e estavámos eu e Adalclever. E lá pelas tantas pedi licença e, ele também, e eu disse: nós estamos saindo porque amanhã cedo a gente vai lá para Miranda, que é quase a fronteira com São Paulo, porque temos lá um ato em defesa das usinas da Cemig. Aí, um deles não entendeu e falou: “como é que é isso? Vocês vão defender as usinas?” É um ato com os movimentos, sociais, nós vamos estar lá, companheiros do estado inteiro, militantes de todo estado e nós estamos fazendo um ato para defender aquilo que é dos mineiros, que são as usinas que geram energia pra Minas Gerais e para o Brasil. Falaram: “mas o senhor vai nisso? Senhor é o governador do Estado, governador vai nisso?”

Eu falei: deixa eu te explicar uma coisa: eu sou governador, eu estou governador, mas eu sou militante político, militante sindical, militante social, é de lá que eu vim. Eu vim foi da luta contra ditadura, eu vim foi da luta pela anistia, pelas diretas já, pela redemocratização, eu vim da luta contra discriminação, pela igualdade entre homem e mulher, contra a discriminação racial, contra todo tipo de desigualdade social. É de lá que eu vim e é para lá que eu vou voltar quando eu deixar de ser governador. Então esses companheiros e essas companheiras que estão lá me esperando amanhã são a minha gente, o meu povo. É como se fosse a minha família, por isso que eu vou lá. Eu vou encontrar com eles e nós juntos vamos dizer em alto e bom som para o Brasil inteiro entender: não mexam com Minas Gerais, nós estamos quietos, deixa a gente quieto aqui. Deixa nós com nossas usinas, deixa a Cemig produzindo energia, deixa os trabalhadores da Cemig lutando pelo pão deles e produzindo desenvolvimento econômico, deixa nossas indústrias se instalarem usando energia, deixa os nossos trabalhadores da pequena produção agrícola, da produção familiar terem acesso à energia elétrica barata porque só conseguimos isso com as nossas usinas. Não mexam conosco.

O que nós queremos é o nosso direito, é manter o que já é nosso, as usinas que já são nossas. O Governo Federal quer receber, tudo bem nós podemos negociar, nós estamos lá conversando. Os deputados estão ajudando, o deputado Fábio Ramalho está ajudando, a bancada estadual, a bancada federal, o nosso presidente Bernardo Salomão, eu mesmo estava lá ontem participando de reuniões. Nós estamos dispostos a arranjar uma solução negociada. O que nós não queremos é que venham na mão grande botar nossas usinas no leilão para o estrangeiro comprar e depois vender energia cara para os mineiros e para as mineiras, isso não. Isso nós não vamos aceitar.

Tudo que foi dito aqui e vocês, meus companheiros e companheiras, entenderam o que está em jogo. Não é só quatro usinas, a Bia (Beatriz Cerqueira, presidente da CUT-MG) falou aqui e falou muito bem, é mais do que isso. Se abrir a porteira passa a boiada toda. Daqui a pouco vai tudo embora. Já estão querendo vender a loteria da Caixa Econômica, estão querendo vender os aeroportos, estão querendo vender o Banco do Brasil, estão querendo vender o país inteiro, aí não. Então vamos começar, vamos combinar, vamos começar essa resistência aqui em Minas. Vamos começar aqui porque aqui que as coisas boas começam.

E vou dizer uma coisa para vocês: Minas já entrou em algumas brigas e não perdeu nenhuma. Começou lá atrás com a Guerra dos Emboabas, brigamos com os paulistas para não deixar eles entrarem aqui em Minas e tomar nossa região do ouro. Ganhamos. Depois nós entramos em uma briga que foi a Inconfidência Mineira, na época foi derrotado, mas depois foi a Independência do Brasil inspirada na luta dos nossos inconfidentes. Passou um tempo, veio o Século XX, 1930, entramos na briga para derrubar a República Velha e construir a República Nova com Getúlio Vargas presidente, com Minas e o Rio Grande do Sul que fizeram essa briga. Ganhamos.

Então, aos poucos, Minas vai ganhando e conquistando espaço e mostrando que nós somos um povo pacato, ordeiro, sereno, mas que, se precisar, nós sabemos brigar. Neste fim de semana, nós vamos começar uma campanha muito bacana e com palavra de ordem simples: “Mexeu com Minas, mexeu comigo. Mexeu com Minas, mexeu conosco”. Nós vamos defender a Cemig e não vamos entregar as usinas, que são nossas, para estrangeiro nenhum. É com esse brado que nós vamos ganhar. É negociar de um lado e resistir de outro.