Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante anúncio da construção de ponte unindo as cidades de São Francisco e Pintópolis

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Bom dia a todos e a todas!

Estava ontem em Belo Horizonte à noite em uma exposição internacional da indústria da mineração. Fui visitar e conversar com os executivos, dirigentes das empresas, a maioria deles não mora em Minas e não conhece o Estado. Conversando com um deles, comentei que viria a São Francisco hoje. E me perguntaram o que eu faria em São Francisco, uma cidade distante de Belo Horizonte. Eu disse que viria aqui fazer três coisas: encerrar um programa de energia eficiente da Cemig, que faz a troca das geladeiras antigas por novas para economizar energia nas casas da população de baixa renda, e também troca lâmpadas, aqui acho que trocamos 25 mil lâmpadas por LED, que consome um quinto da lâmpada tradicional; e anunciar a ponte entre São Francisco e Pintópolis, sobre o rio São Francisco, que é uma obra importantíssima. O sujeito me perguntou se esses eventos eram tão importantes e se mereciam a vinda do governador a São Francisco. Expliquei a ele que ele não tinha ideia da importância que é uma família humilde receber uma geladeira nova. Primeiro porque é novo, segundo porque economia pode não ser importante para quem é rico, mas, para quem está aqui, é importante.

Segundo, expliquei a questão da ponte e expliquei que se ele achava que era uma ponte qualquer, não era não. Essa ponte é a mais importante travessia do Rio São Francisco nesta região, que até hoje não foi feita, e que, se Deus quiser, nós vamos fazer. E eu contei a esse sujeito que a terceira coisa é que eu gosto de São Francisco e o povo aqui gosta de mim, disse que iria rever meus amigos, encontrar com prefeitos da região, trabalhadores, quilombolas, lideranças, o pessoal da pequena produção familiar, os oficiais da Polícia Militar.

A gente governa é assim, é chegando perto. Caso contrário, você não sabe dos problemas e não consegue resolvê-los. Aí o sujeito entendeu o motivo do governador fazer questão de vir a São Francisco e dar essa boa notícia em primeiro lugar. O projeto está pronto, vocês viram aí. Projeto bonito, não é uma ponte qualquer não. Agora, estamos licitando a obra e o secretário Murilo Valadares disse que mais uns três ou quatro meses estará com contrato assinado. O dia que for assinar o contrato e eu for dar a ordem de serviço para começar a botar as máquinas aí na beira do rio eu volto aqui de novo. 

Nós vamos voltar aqui para dar a ordem de serviço. E aí, quando a gente vem, a gente escuta as reivindicações das pessoas - e é natural que seja assim, e tem que ser assim. A gente governa é desse jeito, os prefeitos e as ex-prefeitas daqui sabem disso. Você governa é com o pé na estrada. Se for de asfalto, ótimo, mas se for de chão, bota o pé lá também. E quem sabe se sobrar dinheiro a gente até a transforma em asfaltada, que nem nós vamos fazer agora lá em Pintópolis, ligando lá para cima, com Urucuia. Nós vamos fazer isso, pode ter certeza. Nós vamos fazer o projeto, se Deus quiser, a gente ainda consegue entregar o projeto dentro do governo. E depois, se continuarmos, a gente faz a estrada.

Por que é que eu estou dizendo isso? Porque hoje em dia está na moda falar mal dos políticos, dos administradores públicos, dos gestores públicos, dos ex-presidentes, dos governadores, dos prefeitos. Criticar é a coisa mais fácil do mundo. Mas olha aqui, vamos ter um pouquinho de paciência. A situação é difícil mesmo. Está difícil para todo lado. Olha essa crise que o Brasil está atravessando. Nós nunca vimos uma crise desse tamanho. Crise econômica, política, institucional, tudo junto, tudo misturado, mas nós continuamos trabalhando. E, aqui em Minas Gerais, vamos falar a verdade, com o orgulho de ser mineiro - não é de ser governador, governador passa, mas eu sou mineiro, eu tenho orgulho do meu estado - nós estamos saindo da crise, enfrentando a crise melhor que a maioria dos estados. É só ver o que está acontecendo aí no Rio de Janeiro. Olha o que está acontecendo em outros estados em volta de nós. A violência tomando conta, os serviços públicos entrando em colapso. Aqui, não. Está com dificuldade? Está, mas as escolas estão funcionando, os postos de saúde estão atendendo, nós estamos com a Polícia Militar cumprindo seu dever, a Polícia Civil também. O Estado não parou de funcionar, está funcionando. Ah, mas tem dificuldade. Claro que tem. Às vezes falta um remédio no posto, às vezes falta um médico para trabalhar, às vezes você tem que botar alguém na fila da cirurgia, a gente sabe que é difícil mesmo, não tem dinheiro sobrando, mas nós não paramos de funcionar e de atender as pessoas.

E, com toda a dificuldade, a gente ainda consegue fazer alguma coisa nova, como essa ponte que, se Deus quiser, nós vamos construir aqui na travessia do Rio São Francisco.

Eu me lembro a primeira vez que eu vim, o Paulo (Guedes) falou aqui, foi na campanha. Quem me chamou a atenção foram Paulo Guedes e Ademir Camilo. Disseram: “O senhor tem que ir lá em São Francisco”. Aliás, no dia que nós viemos, os dois estavam comigo. A balsa não estava passando, porque não tinha chovido, então o rio baixou demais e a balsa não passava. Eu perguntei para o prefeito: “Está passando?”. O prefeito falou: “Está, porque tem uma draga lá trabalhando, tira a areia, consegue passar. Se a draga parar, não passa”. Agora, como é que nós vamos ter uma estrada tão importante como essa dependendo da chuva, ou da balsa, ou da draga? Não é possível, tem que ter uma ponte, gente. Pelo amor de Deus, nós estamos no século XXI.

Os governos que passaram - não quero falar mal de ninguém, eu não acho que a gente ganha nada falando mal dos outros, então só vou constatar um fato: os governos anteriores, vamos falar a verdade, tiveram menos dificuldade, porque tinha dinheiro. Era no tempo do presidente Lula, tinha dinheiro, sobrou dinheiro para fazer muita coisa. Mas aí foram fazer a Cidade Administrativa lá em Belo Horizonte, foram fazer coisas que não precisava em outros lugares, e aquilo que precisava não fizeram. Por isso é importante a gente manter esse modelo que nós estamos fazendo.

Criamos os Fóruns Regionais de Governo, a gente vai para as regiões, conversa com as pessoas, tem que ter humildade para escutar crítica, se tiver, tem que ter paciência para escutar, é assim que é. Tem que superar e vencer.

Tem muita coisa para ser feita, mas o povo que escolhe o que é mais importante. Tem que fazer hospital, escola, estrada, ponte. Agora, não tem dinheiro para fazer tudo. Então, o povo escolhe o que é mais importante. Aqui é a ponte, então, vamos fazer a ponte. As outras coisas nós vamos fazer aos poucos, e ouvindo as pessoas com paciência, com humildade, com dedicação, com compromisso com aqueles que a gente representa.

Eu quero encerrar com o Guimarães Rosa, que tem uma frase bonita sobre São Francisco. Não é qualquer cidade que tem citação do Guimarães Rosa, não. Guimarães Rosa fala: “a formosa cidade de São Francisco, a quem o rio olha com tanto amor”. Olha que coisa bonita!

Lembrei de uma outra pessoa que quero falar dela. Ontem eu estava em São Paulo com um amigo querido que eu admiro muito e vocês todos, com certeza, conhecem e respeitam tanto quanto eu. E ele me ensinou uma lição, não ontem, mas há muitos anos atrás, eu ainda era prefeito e ele não era governante, e ele me disse uma coisa que vale para todos os prefeitos aqui. Eu estou falando do nosso querido ex-presidente Lula, que estava comigo ontem em São Paulo. Eu era prefeito e ele me disse: ‘Pimentel, preste atenção: quem precisa de governo são os pobres. Rico não precisa não, tem que governar é para os pobres, é para eles que nós governamos”. Eu nunca me esqueci disso. São os mais pobres, os mais desassistidos, aqueles que ficaram abandonados, humilhados, são esses que precisam do Estado, do governo.

A gente governa para todos, mas tem que ser igual pai e mãe, que têm um olhar para aquele filho que está precisando. E, por isso, que a gente cuida do Norte de Minas, do Vale do Jequitinhonha, do Vale do Mucuri com tanto carinho. As outras regiões, a gente cuida também, mas não precisa estar tão presente, tão atento.  Essa lição acho que vale para todos nós e, se Deus quiser, vamos continuar nesse caminho. Acho que no ano que vem vamos ter mais coisas boas para anunciar, sempre com esse olhar, daquele que governa junto com todos, mas prestando mais atenção naqueles que mais precisam.

Obrigado a todos!