Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a solenidade que marcou a criação do Sistema Estadual de Cultura

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Eu estava lembrando, tem um poema do Carlos Drummond de Andrade, que chama receita de ano novo, que ele termina dizendo assim: se a gente quer mesmo um ano novo de fato, a gente tem que merecer o ano novo. Porque é dentro de cada um de nós que o ano novo cochila e espera desde sempre.

 

Hoje nós estamos fazendo por merecer um ano novo. Porque estamos celebrando juntos uma coisa muito importante, que eu diria que é apenas o que nós estamos fazendo. É o que isso simboliza. É o que isso celebra, que é a continuidade da política cultural em Minas Gerais.

 

Vem um governo e faz a lei, vem outro e aperfeiçoa, vem um terceiro corrige, mas o importante é que todos estão apontando na mesma direção. E o estado se fortalece e o nosso setor cultural se fortalece cada vez mais.

 

Esse final de semana, eu aproveitei para ler, eu ia falar terminar de ler, mas na verdade eu li de enfiada, um livro muito interessante que é a compilação da correspondência entre Carlos Drummond e Pedro Nava. Chama-se Descendo a Rua da Bahia. Até o Ângelo que me deu. E eu aproveitei para ler e fiquei me deliciando com essa correspondência do tempo em que as pessoas escreviam cartas, e se eu fosse mais pessimista eu diria que era no tempo em que as pessoas sabiam escrever. Hoje em dia está difícil achar quem saiba tão bem quanto esses dois.

 

Eu me lembrei, lendo Descendo a Rua da Bahia, de um trecho do livro do Pedro Nava, que é o Chão de Ferro. Todo mundo aqui conhece o Pedro Nava, não sei se todo mundo leu, mas quem não leu eu recomendo que leia urgentemente os livros do Pedro Nava. Os livros dele falam da Belo Horizonte dos anos 30 e ele fala que descer a Rua da Bahia, descer ou subir a Rua da Bahia, era uma arte delicada. Não só pelo movimento mecânico, que exigia, mas por tudo que significava aquela rua. Eu sempre me lembro disso porque é aqui pertinho, eu convivi muito na com a Rua da Bahia quando fui prefeito, tive uma alegria de poder prestar uma homenagem aos dois personagens do livro que eu li fizemos aquelas estátuas na confluência de Bahia com Goiás, estão lá até hoje, mas essa arte delicada que o Pedro Nava menciona.

 

Ele fala do caminhar do mineiro, então ele fala que é um jeito lento e seguro, um jeito devagar e preciso ao mesmo tempo. E ele diz este é o andar de Minas, paulatino e inabalável andar dos mineiros. Eu pensei que isso serve muito para essa celebração nossa aqui hoje. Na verdade, é uma caminhada que vai um passo após o outro. Às vezes, há estados em que a pressa é um emblema do estado. Tem um estado que diz que ele não pode parar, não sei se nós podemos ou não podemos parar, eu sei que Minas não para, mas também não fica fazendo propaganda de que está andando. O fato é que está andando lenta e seguramente. Paulatina e seguramente estamos avançando.

 

Começar o Ano Novo, é a primeira cerimônia mais pública que estamos fazendo aqui no Palácio da Liberdade, celebrando esse importantíssimo avanço, que não é do meu Governo, é de todo o setor cultural, todos os agentes, os ex-secretários, aqueles que por aqui passaram e deixaram a sua contribuição, celebrando juntos o avanço de Minas Gerais. Então, acho que isso é uma forma de fazer jus aquilo que Carlos Drummond nos recomendava, que é buscar dentro de nós o Ano Novo verdadeiro. Que seja assim. Que as palavras de Drummond e Pedro Nava nos ilumine ao longo de 2018.