Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a solenidade de entrega de títulos de propriedade a ex-mutuários do MinasCaixa

  • ícone de compartilhamento
download do áudio

Eu vou ser breve, mas quero contar um caso para vocês, muito rápido. Antes de vir para cá, eu tomei um café da manhã com diretores de um banco de São Paulo que estão em Belo Horizonte, em Minas Gerais, procurando investimentos para fazer no Estado. E o governo está correndo atrás de investimentos. O governo está o tempo todo tentando atrair empresas e investidores para cá, para assegurar o crescimento econômico, geração de empregos e renda para o Estado. Então, eu tomei um café da manhã com eles, nossa agenda começa muito cedo, eu tenho menino novo em casa, então eu acordo muito cedo. Então, de manhã cedo eu já tinha esse café da manhã.

Tomamos café e, lá pelas tantas, eu pedi licença para sair, e um dos diretores estranhou: “Governador, mas o que é que você vai fazer nessa cidade?”. “Eu vou entregar títulos de propriedade de imóveis que o Estado está regularizando para os moradores”. “Mas essa cidade é grande?”. “Olha, não é muito grande não, mas para nós ela é uma cidade que tem uma importância histórica, é importante para o Estado”. “E esses títulos aí? Isso é uma coisa nova?”. E eu falei: “Não, são imóveis, propriedades, que, muitas vezes, tem mais de 40 anos, como é o caso do José Sebastião ali. Tem 40 anos que ele mora lá”.  “Mas o senhor faz questão de ir nisso?”. Ele estranhou muito que o governador de um Estado como Minas Gerais, um Estado grande, importante, esteja se deslocando para uma cidade que ele acha que é pequena, para uma cerimônia que ele acha que é pouco importante.

Aí eu tive que contar um caso para ele, para ver se ele entendia. Vocês, certamente, entendem. Mas ele, não sei, é um diretor de banco, um homem muito rico, né? Pode ser que ele não tenha a mesma visão que a gente. Aí eu falei assim: “Deixa eu explicar para o senhor porque eu estou indo lá. Eu convivi na vida pública com muita gente. Mas teve uma pessoa que me marcou muito e alguns de vocês aqui certamente já ouviram falar dele. O doutor Célio de Castro foi o prefeito de Belo Horizonte e eu trabalhei com ele, fui vice-prefeito junto com ele e depois o substituí. Era um médico muito conceituado, muito querido, com uma trajetória muito reconhecida na medicina e, depois, na política. Foi eleito prefeito e, quando ele foi reeleito, ele adoeceu e teve que se afastar da prefeitura e eu o substituí. Doutor Célio era um homem mais velho que eu e um dia ele me disse uma coisa que me marcou muito. Ele me disse: “Olha, Pimentel, você vai ter uma trajetória longa na política, mais longa do que a minha, então deixa eu te dizer uma coisa para você saber usar. Na política, na vida pública, a gente tem muito mais dissabores do que alegrias. Muito mais infortúnios do que acertos, a gente sofre muito, muita crítica, muita calúnia, muita mentira, muita acusação. Tudo isso vai ser levantado contra você. E mais: em muitos momentos você não vai conseguir fazer aquilo que você quer e que o povo pede para você fazer. Não vai ter dinheiro, vai faltar orçamento, às vezes você quer fazer e o Ministério Público não deixa, o Tribunal de Contas não deixa. Às vezes a legislação federal impede. Então, você fica naquele sofrimento, querendo resolver as coisas, angustiado, perde o sono à noite, tem que arrumar dinheiro para a folha de pagamento, os prefeitos sabem como é que é. Chega no fim do ano e tem que pagar o 13º, tem que arrumar dinheiro para isso. Isso tudo faz parte. Mas, de vez em quando, de raro em raro, você vai ter uma alegria, uma alegria assim, alguma coisa que você vai fazer e que vai encher o seu coração de alegria, porque você está resolvendo o problema de gente que precisava daquilo, que queria aquilo, que sonhava com aquilo. Quando você tiver uma alegria dessa, agarra nela, segura nela porque ela vai te ajudar a sustentar uma semana, um mês, dois meses, sabe lá quando é que vai ter outra”. E o cara ficou lá me olhando. E eu disse: “Pois então, eu estou te contando essa história porque minha alegria dessa semana é lá em São Domingos do Prata, entregar os títulos de propriedade para aqueles moradores lá. Para o senhor, pode ser uma coisa menor, o senhor tem casa própria há muitos anos, tem um bom rendimento, mora bem lá em São Paulo. Mas essas pessoas que eu vou encontrar é gente humilde, que lutou muito e que não tem o título, estão lá há 20, 30, 40 anos e não têm escritura. Elas não têm segurança para tocar a vida delas, dos filhos, dos netos. E eu vou poder, Deus me deu essa graça, proporcionar essa alegria e, mais do que isso, compartilhar essa alegria com esses mineiros e com essas mineiras. Então, o senhor vai me desculpar, eu tenho que sair, o senhor pode achar que é uma coisa singela, mas para mim não é não. E tenho certeza que todos que estão lá e os que não estão, porque os mineiros e as mineiras, nós, temos uma característica: nós somos um povo muito solidário, muito generoso. A gente se aflige com as dificuldades da gente, mas se aflige mais com a dificuldade do outro, a gente está sempre querendo ajudar. Então, todos os mineiros e mineiras entendem o gesto do governador quando ele vai a São Domingos do Prata, ou em Minas Novas, ou em Setubinha, como fui outro dia, entregar um título de propriedade rural de uma terra devoluta que está ocupada por uma família há mais de 20 anos, que produz, planta, mas não tinha a propriedade da terra. Nós regularizamos. Outro dia eu fui em Engenheiro Navarro e eu, pessoalmente, fui fazer a ligação de luz da família de número 40 mil. Nós ligamos a luz para 40 mil famílias no nosso mandato, que tiveram acesso a luz elétrica e que não tinham antes. Uma felicidade incrível daquela família. Então, são as minhas pequenas alegrias. Pequenas para quem está longe, enormes para quem está perto. E, para mim, é o combustível que a gente precisa para atravessar esse oceano de dificuldades.

Nós estamos vivendo um momento muito difícil em todo o Brasil, vocês todos estão vendo isso, essa crise devastadora, política, institucional, econômica, e Minas está enfrentando bem. Não é mérito do governo, eu tenho um pouquinho de mérito, mas é pouco. É mérito do povo de Minas Gerais. Eu viajo o Estado inteiro e vejo o exemplo dos mineiros. Aqui não tem ninguém reclamando da vida, chorando pelos cantos, lamuriando, blasfemando, não. Mineiro não faz isso Mineiro trabalha, acorda cedo, trinca os dentes e vai trabalhar. Atravessa o dia, agradece a Deus porque deu saúde, pede saúde para o dia seguinte e trabalha de novo. E aí, gente, trabalhando, não tem crise que resista. Minas Gerais está dando um exemplo para o Brasil. Temos imensas dificuldades, mas estamos muito melhor que a grande maioria dos Estados, nossos irmãos aqui em volta. Esses sim estão mergulhados em uma crise devastadora, colapso dos serviços públicos, nada está funcionando direito. Minas não. Temos dificuldade atrás de dificuldade, mas nós vamos superando uma a uma, é igual subir uma escada, um degrau de cada vez. Mas aqui hoje não foi subir uma escada não. Hoje, aqui, foi desfilar em uma esplanada com alegria imensa de ter podido entregar um título de casa própria para quem merece. Vamos agradecer a Deus que nos deu essa oportunidade, pedir a ele sabedoria, serenidade e continuar trabalhando por Minas Gerais.

Muito obrigado e tenham uma excelente semana de trabalho.