Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a solenidade de entrega de ônibus escolares e ambulância para o Território Vale do Aço

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Boa tarde a todos e a todas!

Vou contar um caso para vocês que eu acho que é importante, para compartilhar nossa visão de governo. Eu saí agora de um almoço em Belo Horizonte com uma comitiva de empresários de outros estados que vieram a Belo Horizonte para estudar possibilidades de investimentos no estado. Almocei com eles e depois pedi licença para sair mais cedo, porque tinha que voar aqui para Timóteo. E um deles, um empresário que não conhece muito bem Minas Gerais, me disse: “Governador, você vai onde exatamente?”. Eu disse que viria a Timóteo, no Vale do Aço. Ele falou: “É uma cidade grande?”. Eu disse: para nós, é. Tem mais de 80 mil habitantes, é uma cidade de porte médio. Mas ele perguntou o que eu viria fazer. Eu disse que entregaria ambulâncias e ônibus escolares para cerca de 100 municípios do nosso estado. Ele perguntou se eu achava que isso era tão importante que merecia a presença do governador. Tive que explicar para ele como que é Minas Gerais. 

Temos 853 municípios e, desses, mais de 700 têm menos de 20 mil habitantes, portanto já são cidades de porte menor. Mais de 300 tem menos de 5 mil habitantes, cidades muito pequenas. Então, em um estado com esse desenho, nos não conseguimos ter um sistema de saúde que funcione bem se não tivermos veículos para transportar os pacientes, porque é impossível ter um hospital de grande porte numa cidade de 5 mil habitantes. Você só tem o atendimento básico. Quando precisa de mais, a pessoa tem de ser transportada para uma cidade maior. Por isso que a ambulância é tão importante em Minas Gerais. Quem acha que não é importante é porque não conhece o estado. Quem acha que isso não tem importância e acha que é uma entrega muito pequena, não sabe que é pequena para quem esta longe, mas para quem esta perto e precisando é grande, é importante e salva a vida das pessoas.

Eu também expliquei para ele como é que funciona o ônibus o escolar. Falei que em Minas Gerais os municípios menores têm 3 mil ou 4 mil habitantes, mas que, muitas vezes, na sede tem apenas 1 mil habitantes. Os outros moram nos distritos, na zona rural. Aí, naquele aglomerado não tem linha de ônibus regular, porque nenhuma empresa vai colocar um ônibus para fazer um serviço para 30, 40 famílias. Sabe como é feita a ligação daquele distrito  até a sede para quem não tem carro ou motocicleta? É o ônibus escolar que vai buscar os meninos de manhã para a escola e depois traz de volta à tarde. Esse ônibus é muito importante para cidades pequenas. E não é só para os meninos irem para a escola. É um meio de comunicação às vezes fundamental para um distrito pequeno e para uma cidade menor, e nós temos mais de 300 municípios com essa característica em Minas Gerais.

Ele prestou atenção e entendeu. E disse: “Agora estou entendendo porque o senhor é governador do Estado”. Eu falei: Pois é. Eu conheço o meu estado e sei o que é importante para melhorar a vida das pessoas. 

Estou dizendo isso com muita ênfase porque, de vez em quando, a gente fica cansado de ouvir criticas de quem não entende como é o estado de Minas Gerais, de quem olha de longe, lá do gabinete com ar condicionado, ou lá de longe, lá em Brasília ou no Rio de Janeiro. Tem muita gente que fica dando palpite sobre Minas lá do Rio de Janeiro.

Nós não. Estamos aqui, com os pés no chão, junto com vocês, sofrendo as mesmas dificuldades, sonhando os mesmos sonhos, tendo as mesmas alegrias. Às vezes, são poucas, mas são compartilhadas coletivamente entre nós, e hoje é um dia de alegria para nós, de poder atender aquilo que os municípios mais precisam, que é ter instrumentos para fazer um atendimento público, um serviço público de boa qualidade. A nossa prioridade é essa. Por isso que falaram aqui e destacaram que a nossa posição, do governo, é de fato diferente de outros governos que apoiam esse tipo de ajuste fiscal que querem fazer no Brasil à custa do servidor publico e da prestação de serviços públicos. Isso nós não vamos fazer. Fazer ajustes cortando direitos do servidor e prejudicando a população, nós não vamos fazer. Podemos passar aperto, ter dificuldades, estamos tendo muitas, mas sempre contamos com a compreensão dos nossos parceiros, das prefeituras, dos deputados e dos servidores para garantir que o serviço público não seja interrompido.

É por isso que no meio dessa crise imensa que o Brasil está atravessando, crise politica, econômica, financeira, institucional, Minas Gerais continua funcionando. Os postos de saúde funcionam, as escolas, a polícia está cumprindo seu dever, as coisas continuam funcionando. Alguém pode dizer: mas isso é obrigação do Estado, tem de funcionar mesmo. Eu também acho. Mas vai lá no Rio de Janeiro para saber se está funcionando, no Rio Grande do Sul, no Espírito Santo. Não está. São estados onde o serviço publico entrou em colapso e o posto de saúde fecha porque o governo não consegue pagar os servidores, não tem remédio, a policia não vai para a rua porque não tem gasolina para colocar no carro e assim sucessivamente. E isso vai piorar se nós embarcarmos num modelo de ajuste que corta o gasto público e, obviamente, prejudica a prestação do serviço publico. Nós não vamos fazer isso. Com dificuldade, mas com muita serenidade, com harmonia entre o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Judiciário, que têm o mesmo entendimento que nós, vamos conduzindo Minas Gerais serenamente nessa trilha, olhando para o futuro, sem jogar pedra no passado, mas corrigindo os erros onde for preciso, onde for necessário.

Quero dizer aos prefeitos e prefeitas que estão aqui - a grande maioria está chegando agora nas prefeituras, já que a eleição foi ano passado, muitos prefeitos de primeiro mandato - que contem sempre com o apoio do governo do Estado. Não achem que o apoio significa que vamos conseguir resolver tudo, porque estamos com muitas dificuldades também, mas nunca faltará a vocês o nosso decidido apoio naquilo que for possível ajudar a resolver. Fui prefeito, sei a dificuldade que é conduzir o município, ainda mais agora nesses tempos de crise e escassez de recursos, mas sempre estarei do lado de vocês para tentar resolver as dificuldades.

Tem um dito popular que diz assim: farinha pouca, meu pirão primeiro. Eu não concordo. Farinha pouca, vamos dividir o pirão. E é isso o que nos vamos fazer em Minas Gerais, com muita serenidade e sabedoria. É uma alegria grande de estar aqui no Vale do Aço, em Timóteo, cidade hospitaleira e importante para Minas Gerais. Alegria grande de poder entregar esses veículos da saúde e da educação que, sem dúvida nenhuma, vão ajudar a melhorar a vida de cada mineiro. Vamos continuar nesse caminho, trabalhando por Minas Gerais.