Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a solenidade de comemoração dos 115 anos de Carlos Drummond de Andrade

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Bom dia a todos e a todas!

Esta é uma cerimônia singela, mas é muito importante. Todos que estão aqui, de alguma forma, conhecem e apreciam a poesia de Carlos Drummond de Andrade, e certamente não existe outro poeta que tenha simbolizado melhor a alma mineira do que Drummond. Vinha para cá fazendo reflexão do que falar e fiquei pensando uma coisa curiosa. Pensava que tem um artigo do Guimaraes Rosa, o mais célebre texto dele, sobre essa história do que é ser mineiro.

O texto começa assim: “Minas o que é? Minas é a montanha”. E ele explica em um artigo lindíssimo que ele escreveu na década de 50: Minas é a montanha. Mas Drummond discordava. Aquele célebre texto dele dizia que Minas não é uma palavra montanhosa, é uma palavra abissal, Minas é dentro e fundo. O Drummond era o homem da montanha, de Itabira, da região montanhosa, e diz que Minas não é a montanha, Minas é dentro e fundo, uma palavra abissal. Guimaraes Rosa é dos sertões, homem das gerais, do campo, das planícies e dos planaltos, e diz não, Minas é a montanha. E como se resolve essa questão? O próprio Drummond já deu a pista. Minas, o que é: só os mineiros sabem, mas nem os mineiros dizem o segredo revelado de Minas Gerais. Então vamos continuar sabendo qual é o sentido profundo. 

Nós vamos continuar sabendo qual é o sentido profundo, a alma profunda de Minas Gerais, e não vamos contar para ninguém, porque isso faz parte do “ser mineiro”. Mas eu acho, e estou fazendo aqui uma pequena digressão, só para dizer da importância da poesia nos dias de hoje. Eu acho que o Brasil precisa muito de poesia. Poesia traz esperança, alegria, traz para o coração das pessoas uma certa paz interior, e nesses dias turbulentos que nós estamos vivendo, mais do que nunca isso é necessário. Então, todo mundo aqui já recitou, o Palavra Viva fez um belíssimo mosaico dos textos do Drummond, e eu não vou me arriscar a acrescentar muita coisa. Mas eu conheço bem, não tão bem como vocês, mas conheço alguma coisa de Drummond.

Me encanta mais em Drummond os versos singelos, aquelas quadrinhas mais singelas. Tem uma tão singela que eu vou repeti-la aqui para encerrar. Que diz assim “A vida flui como água, como água se renova. Se a vida me foge, afago-a em casa esperança nova”. É com a esperança de que os versos de Drummond continuem nos iluminando por mais 115 anos que eu quero encerrar deixando um carinhoso abraço.

Obrigado a todos!