Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a reinauguração da ponte de Almenara

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Boa tarde a todos e a todas!

Fiz questão de estar presente aqui hoje, e até me questionaram lá em Belo Horizonte: mas governador - era uma pessoa de fora do nosso Estado - o senhor vai outra vez a Almenara? O senhor já foi lá. E aí eu expliquei porque eu estava vindo aqui, e aí eu quero compartilhar isso com vocês.

Em primeiro lugar, pelo carinho que tenho com essa região. O doutor Jean Freire já falou aqui, chamou atenção para isso. Tenho um carinho todo especial pelo Vale do Jequitinhonha, acho que é uma região que, durante muito tempo, foi olhada de maneira secundária pelos governos de Estado. E nós, ao contrario, colocamos o Vale do Jequitinhonha no centro da nossa atenção e preocupação. Então, sempre que posso e tenho essa oportunidade, venho aqui. É a 15ª vez nesses dois anos e meio de governo que tenho a alegria e o orgulho de poder vir aqui no Vale.

Em segundo lugar, porque tenho amigos aqui. É uma cidade importante para Minas Gerais, para o Brasil, e temos que cultivar essa imagem e a importância que essa cidade tem. E pela obra em si, e aí o prefeito Ademir chamou atenção para isso, não é simplesmente uma ponte, é uma ligação muito importante para a região toda. Sem ela, ficamos sem um eixo de crescimento econômico importante para a região. E tem um simbolismo também. E aí eu queria compartilhar essa reflexão com vocês.

Eu vinha para cá pensando nisso. Enquanto outros Estados até próximos de nós estão mergulhados em dificuldades enormes, intransponíveis quase, com colapso nos serviços públicos, na saúde, educação, segurança -.basta ver o caso do Rio de Janeiro, e digo isso com tristeza, porque nós todos gostamos do Rio e temos solidariedade com nossos irmãos cariocas - mas ver a situação que o Rio está passando, e aqui em Minas, ao contrário, com a mesma situação financeira e orçamentaria que aqueles outros Estados têm, nós estamos enfrentando a crise e sabendo vencê-la com aquilo que os mineiros sabem fazer melhor, que é trabalho. Minas está trabalhando e o Estado está funcionando. Aqui evitamos que a crise levasse o serviço público ao colapso. As escolas funcionam, os postos de saúde funcionam, as polícias estão cumprindo seu dever. Enfim, estamos atravessando esse mar tempestuoso, nosso barquinho vai navegando.

Alguém poderia dizer que podia estar melhor. Claro que sim, se nós não tivéssemos quatro anos seguidos de crise. Se não tivéssemos tido a interrupção do processo democrático que foi o afastamento da presidenta da República. Enfim, se não tivesse tudo isso, podia estar melhor. Mas, com tudo isso, nós, mineiros e mineiras, devemos ter orgulho de dizer: o nosso Estado está melhor do que a maioria dos Estados brasileiros. E isso não é mérito nosso. Não é mérito do governo. O governo é só uma parte da coisa. É mérito de cada cidadão que tem essa vocação para o trabalho. Eu digo isso, e vou chamar a reflexão dos nossos estudantes que estão aqui para eles pensarem sobre esse assunto. O único estado do Brasil que tem na sua denominação de origem uma profissão somos nós. Quem nasce no Rio é carioca, quem nasce em São Paulo é paulista, o outro de Pernambuco é pernambucano, o outro é gaúcho. São denominações geográficas.

A nossa não, somos mineiros. Mineiro é profissão. Não somos padeiros, nem carpinteiros, nem serralheiros, somos mineiros, aquele que trabalha na mina. Então, Minas Gerais tem vocação para o trabalho que já está até no nome de quem nasce aqui. É gente que trabalha. A vocação maior de quem nasce em Minas Gerais é acordar cedo, trincar os dentes e trabalhar. E é o que nós estamos fazendo para enfrentar a crise. Com dinheiro ou sem dinheiro. Ademir me narrava ainda há pouco as dificuldades que os prefeitos têm e falou aqui, com muita justiça e sinceridade, do enorme problema que é hoje administrar um município. São 853 em Minas Gerais. Se o problema do prefeito é grande, imagina o do governador com 853 vezes aqueles problemas. Mas estamos enfrentando e estamos vencendo. Não tem dinheiro, mas tem boa vontade para trabalhar, tem o povo ao nosso lado nos sugerindo o que nós temos que fazer, porque tem muita coisa para ser feita, o dinheiro não dá para tudo, então a gente vai até a população, por isso os Fóruns Regionais de Governo são tão importantes, e a população nos diz aquilo que é mais importante, e vamos uma coisa de cada vez sendo resolvida com o que sabemos fazer de melhor, que é o trabalho, e com outra característica dos mineiros que quero encerrar falando dela.

Quando sobrevoava aqui, vi Almenara e fiquei pensando que beleza que essa cidade é. Entre a pedra e o rio está a bela cidade de Almenara. Entre o Morro do Cruzeiro e o Rio Jequitinhonha, a cidade de Almenara. E lembrei de uma frase de um grande escritor mineiro que falou muito sobre essa região e a maioria já leu ou ouvir falar sobre ele: Guimaraes Rosa, que falou muito das Gerais, das nossas minas. Escrevendo texto de 1959, ele falou sobre a mineiridade, a característica de ser mineiro, e ele começa com frase singela: “Minas o que é? Minas é a montanha”. Fico pensando que ele quer dizer que, diferentemente dos povos que vivem no litoral, onde a referência é o mar, e o mar é imprevisível, uma hora está calmo, outra esta tempestuoso, cinzento, verde, azul, brilhante, opaco, a montanha, que é nossa referência, não. É sólida, permanente. A pedra está sempre ali, com tempo bom, tempo ruim, está lá. Quase eterna, serena. Essa é a outra característica dos mineiros: a serenidade. E é a montanha que nos inspira essa serenidade, é olhar para ela, que em dia bom ou ruim está lá.

E assim nós vamos vencendo as dificuldades. Sempre sabemos que, depois de um dia ruim, vem um dia bom. Mas também não ficamos tão alegres, porque depois de um dia bom pode vir um dia ruim. Mas assim, com serenidade, se Deus quiser vamos dando um exemplo para o Brasil. Em outros lugares, estão fazendo muros para enfrentar a violência, para segregar os mais pobres das comunidades, muros para impedir que as pessoas tenham acesso aos bens que estão na cidade. Nós aqui não, nós estamos fazendo pontes. Estamos inaugurando, entregando a Minas uma ponte. É uma ligação. Aquilo que Minas sabe fazer bem, que é conversar, ligar, integrar, buscar aproximar as pessoas. Vamos continuar assim e se Deus quiser vamos continuar trabalhando assim, ouvindo as pessoas, com humildade, com fé em Deus e no futuro. Que Deus nos ilumine.

Obrigado a todos!