Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a inauguração da primeira unidade regional do Creas e lançamento de programa da Cemig

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A presença do Governo do Estado aqui - e não é pequena, é uma grande presença, secretários importantes estão aqui comigo, o diretor-presidente da Cemig está aqui comigo -, isso mostra, mais do que qualquer palavra minha, o carinho, o respeito e compromisso que a gente tem com essa região, que nós temos com o Vale do Jequitinhonha. Não passa mais que 40 dias, ou 45 dias, sem que o governador e boa parte do seu do seu governo esteja presente em alguma cidade do Vale do Jequitinhonha. E isso é porque nós temos compromisso com essa região. Nós somos mineiros, mas, mais do que tudo, nós somos Minas Gerais. Minas não é só minas, minas é Minas e Minas Gerais. E nós estamos aqui mostrando que a integração do estado só se dá se o Governo estiver presente em todas as regiões do estado.

Então, é com muita alegria que eu estou aqui hoje compartilhando com vocês boas notícias. Apesar das imensas dificuldades que, hoje, o estado tem, e todo mundo sabe disso, não é só Minas Gerais, todos os estados do Brasil, o próprio governo federal enfrenta uma crise financeira e orçamentaria enorme. Mas, com todas as dificuldades, estamos trazendo aquilo que é necessário para melhorar a vida das pessoas. Então, nós inauguramos aqui um Centro de Referência de Assistência Social (Creas) que é modelo não para essa região, mas para o país inteiro. Eu convido quem não conhece ainda que se desloque até lá, acabei de visitar o centro. Inclusive, em Águas Formosas será entregue outro centro de referência de assistência social tão bom quanto esse aqui de Almenera. Essa é a primeira notícia e, a partir de agora, nós vamos ter um centro permanente de atendimento à pessoas mais necessitadas aqui em Almenara, atendendo a região e os municípios vizinhos e outro em Águas Formosas.

A segunda coisa, que já foi mencionada aqui: nós começamos o programa de voos regionais também aqui em Almenara. E, com Almenara, agora já são 18 municípios atendidos com voos regionais da Codemig. Cidades que antes não tinham transporte aéreo regular. Nós colocamos, fizemos um esforço grande, o deputado Fábio Ramalho nos ajudou muito porque, de fato, nós tivemos uma dificuldade com o governo federal, a Infraero não queria permitir esse tipo de voos, mas nós bancamos, enfrentamos, o avião está aí e vai continuar servindo à população. A gente sabe como é importante, num caso de urgência, num deslocamento rápido, você ter o transporte aéreo. Então, a partir de agora, Almerana também tem transporte regional aéreo de boa qualidade para a população que precisar usar.
 
E a terceira coisa, não menos importante, que é a presença da Cemig. Sobre essa eu quero fazer um destaque especial. Vou contar uma história rápida porque quero que vocês reflitam junto comigo e compartilhem junto comigo, com o nosso governo, a decisão que tomamos.

Nós estamos com graves dificuldades orçamentárias. O déficit do estado, ou seja, a diferença entre o que o Estado arrecada e o que ele tem que gastar todo ano, chega a oito, nove bilhões de reais por ano. É muito dinheiro que falta no caixa e é por isso que a gente não consegue pagar os salários no quinto dia útil. A gente tem que escalonar o salário e pagá-lo em duas, três parcelas, ou então a gente não dá conta. E às vezes atrasa um repasse aqui, outro ali. Os prefeitos sabem disso. Nós tivemos dificuldades para continuar a manter em dia o repasse do transporte escolar, mas agora atualizamos. Também o repasse da assistência social, agora fizemos um aporte. É tudo difícil porque falta dinheiro.

Pois muito bem. O governo federal enviou para a Câmara dos Deputados o projeto de lei criando um regime de recuperação fiscal para os estados que estão em maior necessidade, que é o nosso caso, é o caso do Rio de Janeiro, é o caso do Rio Grande do Ssul. Só que nesse regime especial, que pressupõe uma ajuda do governo federal para o estado - que seria ficarmos três anos sem pagar as prestações da dívida que o Estado tem com a União. Ou seja, se deixa de pagar a prestação, é claro que isso alivia o seu caixa durante três anos -, mas, em contrapartida, o Estado teria que se comprometer a tomar medidas duras contra os servidores públicos, recusando promoções na carreira, tirando benefícios das carreiras dos servidores, inclusive da Polícia Militar, e mais - e pior - , também vendendo as suas empresas públicas, privatizando as suas empresas públicas. O Rio de Janeiro já aceitou e já colocou à venda a sua empresa, que é a última que ele tem, de saneamento público, que seria equivalente à nossa Copasa e lá no Rio chama-se Sedae. E o governador do Rio já aceitou, premido pela dificuldade, e vai vender a Sedae.
 
Nós nos recusamos a aderir a esse programa. Preferimos continuar enfrentando sozinhos as nossas dificuldades. E, agora sim, com essa reivindicação que o deputado Fábio está encarnando lá em Brasília, que é fazer o encontro de contas entre o crédito que nós temos a receber e o débito que é essa dívida com a União nós podemos resolver o problema de outra forma. Mas jamais vamos resolver o problema do déficit, que é real, mas não vamos resolver cortando direitos dos servidores públicos e muito menos vendendo as empresas públicas de Minas Gerais.
 
Sinceramente, vocês acham que se as centrais elétricas de Minas Gerais, a Cemig, criada na década de 1950 pelo saudoso ex-governador e ex-presidente e ex governador Juscelino Kubitschek, que criou a empresa pensando em Minas Gerais, pensando em modernizar, em levar energia elétrica - e até hoje nós não conseguimos, ainda faltam 50 mil famílias mineiras que não têm energia elétrica e, agora, o Bernardo Alvarenga está com a tarefa de resolver, nos próximos dois anos, colocar luz para essas famílias que ainda não têm.
 
Mas vejam bem, a Cemig, criada lá atrás. Vocês imaginem: se nós tivéssemos vendido a Cemig, se ela fosse uma empresa privada, vocês acham - falem sério - que o presidente da Cemig estaria sentado aqui conosco hoje, em Almenara, acompanhando o governador, vendo quais são os problemas, trazendo programas que vão melhorar a vida das pessoas, fazendo doação de eletrodomésticos, fazendo doação de kits de lâmpadas para melhorar a qualidade do serviço elétrico na casa das famílias mais necessitadas? É claro que não. Uma empresa privada trabalha com outra lógica, com a lógica exclusivamente do lucro. Provavelmente o presidente da Cemig, se fosse uma empresa privada, iria estar lá na bolsa de Nova York, no ar condicionado, viajando de primeira classe de avião, mas não. A nossa Cemig, a Cemig que nós queremos e vamos manter em Minas Gerais, está aqui conosco, enfrentando as dificuldades e ajudando os prefeitos e prefeitas a melhorar a iluminação nas suas cidades, a cada família que não tem luz elétrica, melhorar, modernizar, enfim, fazer aquilo que a gente quer fazer: prestar um serviço público de boa qualidade. É por isso que o Ademir Gobira tem tanto orgulho de ser funcionário da Cemig - e é assim que nós queremos manter.

Então, são duas formas de enxergar o serviço público, o Estado, diferentes. A nossa é essa que estou falando aqui. A nossa é a que traz o governador a Almenara, é a que leva o governador a vir dez vezes ao Vale do Jequitinhonha, com os seus secretários, com os presidentes das suas empresas, e ter humildade para reconhecer quando a gente erra, e ter humildade para conversar com cada prefeito e cada prefeita, e compartilhar com vocês o problema. Se nós não temos dinheiro, vamos escolher juntos o que é que a gente tem que fazer, o que é mais prioritário, o que é mais importante. É a ponte de Jacinto? Então vamos trabalhar, vamos fazer o projeto, vamos cuidar disso e assim que sobrar o primeiro dinheirinho vamos nos comprometer com isso. É resolver o problema da rodovia que não está asfaltada? Vamos fazer isso. Esse é um modelo. O outro modelo é vender empresas públicas, é cortar direitos dos servidores públicos e falar que vai equilibrar as contas públicas para continuar pagando juros altíssimos para os banqueiros, para os rentistas, para os detentores do capital financeiro. Isso nós não vamos fazer.

Então, Minas Gerais é diferente. Por isso, no momento em que, com muita veemência, o deputado Fábio Ramalho fala aqui que a voz de Minas se levanta para dizer não a uma reforma previdenciária que vai tirar direito dos trabalhadores, o governador faz eco com ele. Nós não vamos compartilhar propostas que firam os legítimos direitos dos brasileiros e das brasileiras, especialmente aqueles mais pobres, aqueles que mais necessitam de nós. Dizia-me o ex-presidente Lula, querido companheiro e amigo, que sempre se lembra de Minas Gerais e do Vale do Jequitinhonha. Uma vez ele me disse assim: Pimentel, rico não precisa de governo, o rico se vira sozinho. Quem precisa de governo é pobre, é o povo pobre e é para eles que nós temos que governar.

E é com esse espírito e com essa energia que eu recolho aqui em Almenara, dizendo para vocês, sinceramente, eu sou governador de Minas e das Gerais, eu sou o governador de todo o estado e tenho que compartilhar com todas as regiões as alegrias e as tristezas. Agora, tem uma em especial que fala alto em meu coração: é o Vale do Jequitinhonha. Eu tenho imenso carinho pelo Vale e vou continuar tendo. 

Então, aceitem desse mineiro como vocês o meu compromisso - o nosso compromisso, de todos que estão aqui - vamos continuar trabalhando juntos para melhorar a vida de cada mineiro e de cada mineira. Que Deus nos abençoe e nos ilumine nesse caminho. Muito obrigado a todos.