Pronunciamento do governador Fernando Pimentel durante a abertura do Fórum Regional de Governo - Território Caparaó

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Boa tarde a todos e a todas!

Eu quero compartilhar um sentimento aqui com vocês aqui e deixar duas palavras muito significativas nesse nosso encontro.

O sentimento, claro, é de alegria por reencontrar tantos amigos e amigas aqui do Território Caparaó. Essa região tem uma importância significativa não só para nós, para o Estado, mas para o Brasil como um todo. Nós estamos aqui, eu diria, no ponto culminante de Minas e do Sudeste brasileiro. O Caparaó é o ponto culminante do Brasil. É daqui que a gente olha para esse país e tem o sentimento de pertencimento à nação brasileira, que nós, mineiros e mineiras, com muito orgulho, temos muito mais do que outros territórios.

Então, é uma alegria muito grande estar aqui com vocês. Não é a primeira vez que eu venho e nem será a última. Se Deus quiser, voltarei muitas vezes para compartilhar com vocês os bons momentos e os momentos tristes também, porque amizade e companheirismo a gente desenvolve assim, na hora boa e na hora ruim. Então, o primeiro sentimento é de alegria.

Mas essa alegria não é só do encontro. É porque nós estamos celebrando também aqui, hoje, um mecanismo de governo que deu certo e que está produzindo resultados, que são os Fóruns Regionais de Governo. Tirar o governo da capital, de dentro das salas com ar condicionado lá de Belo Horizonte. Fizeram um prédio inteiro lá para isso, a chamada Cidade Administrativa. Gastaram um dinheirão absurdo fazendo aquele prédio e deixaram o interior de lado, como se Minas se limitasse à capital. E nós estamos fazendo o contrário desde o início da nossa gestão, nós estamos percorrendo as estradas de Minas Gerais, procurando as pessoas com humildade, com sinceridade, ouvindo todo mundo, disposto a ouvir críticas, se for o caso, sugestões, se for o caso, mas acima de tudo, construindo juntos, com cada mineiro, com cada mineira, um governo de todos e para todos, e isso está produzindo bons resultados.

Um dos resultados é o convênio que fizemos para terminar a obra do anexo do Hospital César Leite. Nós acabamos de baixar aqui também a doação - na verdade, vai ser um projeto de lei - doando o antigo Fórum, que agora vai ter o novo, vai ser inaugurado, o antigo Fórum para a prefeitura.

Eu podia dar inúmeros exemplos, das viaturas novas da Polícia Militar, das ambulâncias para a Saúde. Só de ambulâncias doamos aqui para o Território 34 veículos.

Às vezes, as pessoas lá de longe, lá da capital, ou à vezes até de outros estados - tem gente que administrava Minas Gerais lá do Rio de Janeiro – olham essas entregas e falam assim: ‘mas isso são pequenas entregas. Essas entregas são muito pequenas’. São pequenas para quem está lá longe – mas, para quem está aqui, vivendo a dificuldade que a nossa gente vive, são muito importantes, beneficiam muita gente. Os prefeitos que estão aqui sabem a diferença que faz para um município de 3 mil, 4 mil, 5 mil, 6 mil habitantes, receber um veículo novo, uma ambulância nova, para transportar os pacientes de forma adequada para um centro maior, onde ele pode ser atendido.

Em Minas Gerais é assim. Nós temos 853 municípios. Quase metade deles tem menos de 5 mil habitantes. Uma cidade com menos de 5 mil habitantes não tem como comportar um equipamento de saúde de primeiro nível. Não tem como, é insustentável para o governo do Estado e para a prefeitura manter. Então, é preciso deslocar de fato, o paciente. Aquele que já passou pela atenção básica – essa sim, nós temos que prestá-la no município –, mas aquele que já passou pela atenção básica e requer uma atenção especializada, ele tem que ser levado para um centro maior, é natural que seja assim.

É por isso que nós nos dedicamos a renovar integralmente a frota da saúde e também a frota da segurança pública. Polícia Militar e Polícia Civil estão recebendo equipamentos novos. Quem acha que isso é pouca coisa é porque não conhece Minas Gerais, fica em outro estado, quem sabe até em outro país, e olha de longe para os mineiros e, às vezes, olha até com certo desprezo. Nós somos mineiros, mineiras, e temos muito orgulho daquilo que fazemos, das nossas dificuldades e sucessos e vitórias.

E quero dizer uma palavra muito importante no momento que vivemos no país. Nós precisamos continuar persistindo no caminho que Minas sabe fazer melhor do que ninguém: o caminho do trabalho.

Estamos nos saindo melhor em relação à crise do que os demais estados brasileiros. Olhem para o nosso lado. Você não consegue marcar um atendimento de saúde no Rio de Janeiro, a segurança é um caos, o Rio Grande do Sul está em sérias dificuldades também. Estou falando de estados poderosos, que estavam em situações, às vezes, até melhores que a nossa e estão em situação lamentável.

Nós, mineiros e mineiras, estamos enfrentando a crise com trabalho, sem queixar, sem chorar pelos cantos.

Quando eu vou a Brasília – e eu vou muito para reivindicar os justos direitos de Minas Gerais, agora, por exemplo, estamos reivindicando o ressarcimento e indenização das perdas que o Estado teve com essa famigerada Lei Kandir, que começou em 1996, e tomou de Minas Gerais e dos municípios R$ 135 bilhões. Como pode aprovar uma lei que isenta de imposto estadual todas as exportações? Ora, quase metade do nosso Produto Interno Bruto (PIB) é exportado com café e minério de ferro, e nós não podemos cobrar o ICMS nem repassar para os municípios a parcela deles do ICMS. Isso somado deu uma perda de R$ 135 bilhões, e é isso que estamos reivindicando.

Tenho ido muito a Brasília reivindicar e tentar melhorar as condições que o governo federal tem nos oferecido. Elas são muito ruins, mas eu persisto.  Mas a minha grande reivindicação em Brasília, e essa eu quero dizer para vocês, porque vocês vão entender com muita facilidade, é uma palavra simples, é uma frase singela. Sabe o que eu digo no final de tudo para aqueles que estão na Esplanada dos Ministérios quando nos recebem? Eu digo uma frase que todo mundo aqui vai entender: deixem Minas trabalhar. Deixem a gente em paz, que nós sabemos enfrentar nossas dificuldades. Parem de nos atrapalhar, deixem os mineiros e as mineiras trabalharem.  

E o exemplo que vem do interior do Estado é um exemplo de trabalho, é o exemplo que nós estamos colhendo agora no campo do agronegócio, da agricultura familiar, os queijos mineiros estão sendo premiados internacionalmente, o nosso café, com o programa Certifica Minas, estão sendo internacionalmente premiados e subindo os valores - e nós, com isso, estamos gerando riqueza, gerando renda. Eu poderia passar o resto da tarde aqui dando exemplos de como o povo mineiro está enfrentando a crise. Nós somos governo e eu nem estou falando do governo. Estou falando do povo do nosso Estado. Enfrenta a crise com trabalho, com denodo, com dedicação, sem choradeira e sem reclamação.

E a outra palavra que vem de Minas, e eu quero encerrar com ela, vocês vão entender com toda a certeza, melhor até que outros territórios do nosso Estado. Eu gosto muito desta palavra, e ela está maravilhosamente descrita por um grande escritor mineiro, que é João Guimarães Rosa. Ele tem um texto no qual fala sobre a mineiridade, essa qualidade de ser mineiro, que nós todos nos orgulhamos de ser. E ele começa com uma frase singela, que aqui no Caparaó cai como luva. Diz assim Guimarães Rosa nesse texto lá dos anos 50: ‘Minas o que é? Minas é a montanha’. Pensem bem no que ele quer dizer com isso. Ele quer dizer que, diferentemente dos povos que vivem no litoral, nos territórios litorâneos, onde a referência é o mar, no nosso caso, a referência é a montanha. O mar é imprevisível, cada dia ele está de um jeito. Em um dia ele está tempestuoso, no outro dia está calmo. Um dia ele está brilhante, azul ou verde, em outro ele está cinza. Você não consegue prever o mar. A montanha não. A montanha é sólida, é permanente. A montanha é, acima de tudo, serena. E é essa palavra, além da palavra trabalho, que eu queria compartilhar com vocês.

Serenidade é o que nós precisamos nesse país tão tumultuado como o de hoje. Trabalhar todos os dias com dedicação e denodo, e ter serenidade. Dar tempo ao tempo, deixar as coisas se assentarem. Deixar que a Justiça, por exemplo, faça o seu trabalho com serenidade, com isenção, sem açodamento, sem o estardalhaço que às vezes agrada a mídia, mas agride o senso de justiça e o direito constitucional daqueles que, às vezes, por serem acusados, já passam a ser condenados. Calma, tenhamos serenidade, esperemos.

Eu esperei agora 13 anos para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgasse um processo do tempo em que eu era prefeito de Belo Horizonte e estava sendo acusado de praticar ilícitos em uma concorrência, em uma licitação de câmeras de vigilância para o centro da cidade. Treze anos levou para o STJ recusar a denúncia por absoluta e total inexistência de provas. Não tinha prova. Eu não fui julgado não, o STJ recusou a denúncia. Disseram, olha, essa denúncia não pode existir, não tem prova nenhuma contra ele. Mas, durante 13 anos, eu fui criticado, caluniado, perseguido.

Enfim, nós aqui sabemos o que isso significa do ponto de vista pessoal para cada um que sofre isso. Os prefeitos e prefeitas sabem disso muito bem, assim como os deputados e todos nós. Não importa, o passado fica para trás e nós não vamos olhar para trás, vamos olhar para frente. Serenidade. Nós, povo montanhês de Minas Grais, orgulhosos de nossas montanhas e da nossa vocação para o trabalho estamos querendo que o Brasil olhe para nós e nos tome como exemplo. Vamos enfrentar a crise e vencê-la com trabalho e com serenidade.

Que Deus nos ilumine.

Muito obrigado a vocês por essa atenção que me deram e pelo carinho que sempre vem desta região.