Pronunciamento do Fernando Pimentel durante inauguração de obras de melhoria e pavimentação da MG-176 e MG-429

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Vou contar uma história rápida aqui para vocês, que acho que é bom para a gente sentir como é que as pessoas, às vezes, enxergam as coisas de maneira diferente. Hoje pela manhã eu tive um café com empresários de fora do estado que estão estudando investimentos em Minas Gerais, e nós oferecemos um café da manhã para eles. E lá pelas tantas eu disse: olha, vou pedir licença para sair porque eu tenho que entregar uma obra, fazer uma pequena cerimônia no interior, lá em Luz.

Aí um dos empresários que eu não conhecia, não é de Minas, é de São Paulo, falou: Luz, que cidade é essa? Eu falei é uma cidade mais ou menos da região central do Estado. Ele falou: mas é grande a cidade? Eu falei, olha para mim é, são 17 mil, 18 mil habitantes, eu acho grande. Ele disse que não, isso era uma cidade pequena. Eu falei: Minas tem 853 municípios, desses 300 tem menos de 5 mil habitantes. Então uma cidade com 17 mil, 18 mil para mim é grande, mas se o senhor está assustado com o tamanho da cidade, eu vou lhe dizer que eu não vou na cidade, eu vou no distrito que chama Esteios, que é menorzinho, se tiver mil habitantes é muito. E ele perguntou: mas o senhor vai lá? Eu falei que vou. Vou porque nós vamos entregar uma obra que é muito importante para aquela localidade e para aquela região como um todo.

Mas aí eu fiquei mordido com aquela estranheza do sujeito sobre o que vai fazer, o lugar é pequeno, o governador não devia ir lá. E disse: vou explicar porque é que eu vou lá. Eu vou lá pelo seguinte: primeiro porque, como eu te falei, Minas é um Estado com municípios pequenos, o governador tem que se desdobrar para tentar estar em todos eles. Segundo, por uma outra coisa mais importante ainda, eu vou entregar uma obra que é um sonho daquela região há 40 anos pelo menos, que é a estrada que liga Luz à Lagoa da Prata, a estrada, as pontes, enfim. É uma via importante de acesso e aqui, o Aílton contou uma história de maneira muito emocionada, ele fazia a linha de leite há 30 anos. Mas até um certo tempo atrás você tinha que tirar o caminhão atolado na lama com junta de boi - depois melhorou porque já tinha trator, mas pensa bem, nós estamos falando de 20, 25 anos atrás.

Então eu falei para ele que eu vou lá porque eu quero compartilhar com aqueles meus conterrâneos, meus companheiros mineiros e mineiras, a alegria enorme de estar vendo uma entrega que resolve um grande e antigo problema da região.

E é para isso que serve o governo. O governo serve para resolver problema, governo não é para ficar criando problema uns para os outros, batendo boca, fazendo disputa, presidente brigando com governador, governador brigando com prefeito. Não. A população, quando elege um governante, ela quer que aquele governante resolva os problemas. Se não conseguir resolver, que ache alguma solução, que explique porque não está resolvendo, que tenha humildade, que tenha sinceridade, que olhe nos olhos das pessoas e fale a verdade. É isso que o povo quer.

Então, eu vou lá porque eu quero nesse momento compartilhar essa alegria, 40 anos esperando, nesses 40 anos tanta coisa aconteceu. Já teve inflação alta, depois teve Plano Real e acabou a inflação. Teve presidentes que foram retirados dos mandatos antes do mandato terminar. Teve anos maravilhosos de muita receita, de receita alta que permitiu ao governo do estado, por exemplo, construir aquela obra, aquele palácio suntuoso chamado Cidade Administrativa, que custou R$ 2 bilhões. Quantas pontes poderiam ter feito com aquele dinheiro, hein?! Quantos quilômetros de estrada asfaltada, mas fizeram outras escolhas. Agora não. Agora Minas tem um governo que faz a escolha que o povo quer, não é obra suntuosa, não é nada luxuoso, é resolver o problema das pessoas. Infelizmente essa escolha está sendo feita em um contexto de pouco dinheiro, em um contexto de dificuldade, maior crise econômica, política, institucional que o país vive. Mas apesar da crise, Minas - e aqui o Fábio Ramalho falou muito bem- Minas está muito melhor que a maioria dos estados.

E eu falo com tristeza porque a gente é brasileiro e torce para que dê certo, eu não quero que o Rio de Janeiro continue essa tragédia que está, que o Espírito Santo tenha dificuldade, não, nós queremos que todos estejam bem, mas nesse momento, com muito orgulho, não de governador, mas de ser cidadão mineiro, eu posso dizer para vocês sem medo de errar que, com toda dificuldade, Minas está melhor. Basta olhar a segurança, basta olhar o desempenho que nós temos também na questão da educação e da saúde. Está difícil? Está. Falta dinheiro aqui ou ali? Falta. Poderia estar melhor? Claro, se não tivesse crise. Mas está muito melhor que a média dos estados brasileiros. Então, eu falo isso com alegria e é essa alegria que me trouxe aqui. Compartilhar com vocês esse momento, uma entrega de uma obra importante, uma reivindicação antiga, um problema antigo da região que está sendo resolvido. E está sendo resolvido por que? Não é porque nós somos melhores que ninguém, é porque nós temos a mesma vocação de cada mineiro e cada mineira. Eu falo sempre que mineiro é um povo trabalhador, aqui tem crise, mas ninguém fica reclamando pelos cantos, choramingando, lamuriando.

Meu pai dizia assim: vocação do mineiro é acordar cedo, trincar os dentes e trabalhar. Trabalha o dia inteiro, de noite agradece a Deus que deu saúde, pede a Deus que dê saúde para o dia seguinte e repete no outro dia. E fazendo assim não tem crise que resista. Crise a gente enfrenta é com trabalho e com serenidade, com cabeça fria, sem bater boca como nós estamos vendo aí no governo federal acontecer.

Ontem eu assistia na televisão, na minha sala, aquela sessão do Supremo Tribunal Federal, uma coisa horrorosa, os ministros se ofendendo mutualmente, e o garçom que trabalha há muitos anos no Palácio da Liberdade com a gente, uma pessoa mais humilde, entrou na sala na hora e ele ficou ali do meu lado para servir um café e ficou vendo a cena. Eu comentei com ele: está vendo aí que coisa triste? Ele falou: é, triste mesmo porque se eles tratam assim uns aos outros, imagina conosco o que eles não vão fazer. Se o grau de desrespeito entre eles, de falta de civilidade e até de educação é esse, imagina comigo, que não sou de lá. E com o outro mais humilde ainda, que cai um caso na mão de um juiz daquele.

Quer dizer então que nós temos que agradecer a Deus que Minas não está assim. Aqui nós temos uma relação excelente com o Poder Legislativo, com o Poder Judiciário, com serenidade, com equilíbrio, com trabalho. Falta dinheiro, mas a gente vai explicando, vai contornando o problema, vai ouvindo as pessoas com humildade, com sinceridade, e vai vencendo as dificuldades.

Então esse é o caminho que Minas escolheu para atravessar essa tempestade, esse tomento que é essa crise econômica. Vamos atravessando e, se Deus quiser, vamos ter muito futuro ainda para todos os mineiros e mineiras. Então vamos ficar felizes. Fizemos uma entrega importante para a região e queremos fazer muitas outras. Que Deus nos ilumine neste caminho.

Obrigado!