Fernando Pimentel recebe título de cidadão honorário de Lajinha

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Meus amigos e minhas amigas, boa tarde!

Eu vou ser breve no meu agradecimento, mas vou contar uma coisa rápida, mas que é interessante para mostrar como é que Minas, muitas vezes é diferente dos outros Estados.

Hoje, antes de vir para cá, eu passei por um café da manhã com empresários de fora do estado de Minas Gerais, que estão vindo investir aqui. Era um café da Federação das Indústrias e eu passei rapidamente para cumprimenta-los e aí pedi licença, porque eu não iria ficar e disse: ‘ Olha, eu tenho que ir, vou ao interior do estado, vou a Lajinha receber um título de cidadão honorário’. Aí, um empresário que estava lá, que não é mineiro, é paulista, disse assim: ‘Mas, governador, essa cidade fica aonde?’. Eu falei: ‘Fica no Leste de Minas, quase na divisa com o Espírito Santo, e é uma cidade que está me homenageando e eu vou lá’. Aí ele me perguntou: ‘É uma cidade grande?’ E eu disse: ‘Para nós, é. É uma cidade de quase 20 mil habitantes hoje. Para nós é grande’. E ele disse: ‘Ah, mas 20 mil não é tão grande. Será que vale a pena o senhor ir lá?’. Aí eu parei e falei, deixa eu explicar para esse cidadão, que não é mineiro, como é que as coisas funcionam em Minas Gerais. Minas tem 853 municípios e eu sou o governador do Estado, portanto, de todos os municípios. E, para mim, todos têm a mesma importância. Se Lajinha tivesse 2 mil, 3 mil habitantes, como tem quase a metade dos municípios mineiros, eu iria também. Mas não é só pelo tamanho e pelo fato de eu ser o governador.

Tem uma coisa mais importante. Em Minas, especialmente no interior do Estado, as cidades são como a casa da gente. O mineiro tem a sua casa, a sua fazenda, a sua propriedade, mas ele estende o sentimento doméstico dele, sentimento de pertencimento, para a terra dele, a cidade dele. Então, a cidade é a nossa casa. É assim que é em Minas. E quando a gente chega na casa de alguém aqui em Minas, você está do lado de fora e vai entrar. Então você diz assim: ‘ Ô, de casa’, e lá de dentro a pessoa responde: ‘Pode entrar.’ Pois bem, eu agora estou ganhando o título de cidadão de Lajinha. Sabe o que isso significa? Que quando eu chegar lá eu não preciso gritar: ‘Ô, de casa’. Eu já sou de casa.

Bom, eu espero que ele tenha entendido, com esse exemplo simplório que eu dei, mas que no fundo, nós mineiros e mineiras sabemos bem. Quando uma cidade entrega a alguém essa honraria de ser cidadão honorário, aquilo significa que está chamando para dentro da sua casa. Isso é uma coisa muito importante e a que nós, mineiros, damos muito valor. Por isso, fiz questão de vir aqui, e sou muito agradecido a vocês por isso.

E também porque sei que esse é um reconhecimento do trabalho que a gente está tentando fazer em Minas Gerais ao longo desses dois anos e meio que estamos governando. Trabalho difícil, trabalho árduo. Todos vocês sabem que, quando chegamos, encontramos o estado em uma situação muito ruim do ponto de vista financeiro, orçamentário - e ainda não conseguimos equilibrar as contas. Mais ainda porque, além dessa situação, enfrentamos uma crise terrível no país inteiro. Talvez seja a maior crise econômica, política, institucional que o Brasil já conheceu ao longo de toda a sua história. Nós ainda estamos no meio dela, mas estamos trabalhando, enfrentando com todos os recursos possíveis para evitar que essa crise faça com que nosso estado naufrague. E temos conseguido sucesso. A verdade é que Minas está se saindo melhor do que a maioria dos estados brasileiros, nesse momento de crise. Basta olhar aqui para o lado, o Rio de Janeiro, estado querido por todos nós, e mesmo o Espírito Santo. o Rio praticamente entrou em colapso nos serviços públicos, na saúde, na educação, na segurança. O Espirito Santo foi palco de cenas terríveis há poucos meses atrás na área da segurança, mas em Minas nada disso está acontecendo e nem vai acontecer. E por um motivo simples: não é porque temos mais dinheiro, pelo contrário, nós estamos tão mal financeiramente quanto os outros estados; não é porque somos mais espertos, pelo contrário, nós somos cautelosos, até excessivamente tímidos. O motivo é porque nós trabalhamos muito. A vocação do mineiro e da mineira é o trabalho. Eu costumo dizer, e quero repetir aqui, que o único estado da federação que tem na sua denominação de origem uma profissão somos nós, Minas Gerais. Todos os Estados têm na sua denominação de origem um fator geográfico. O gaúcho nasceu no Rio Grande do Sul, o paranaense, no Paraná, o paulista em São Paulo, o carioca no Rio, o pernambucano, em Pernambuco, e por aí vai. Nós somos mineiros. Mineiro é quem nasceu em Minas, mas é, também, uma profissão, aquele que trabalha nas minas. Podia ser padeiro, serralheiro, carpinteiro, marceneiro - mas não, mineiro. É uma profissão. Isso tem um significado profundo. Vale dizer que, se o primeiro nome de Minas é a liberdade, como já disse um célebre político do nosso estado, eu quero humildemente dizer outra coisa: o segundo nome de Minas é trabalho. É a nossa vocação, é o que eu vejo aqui em Lajinha, na região, em Manhuaçu, é o que eu vejo na região do Caparaó, no Leste do estado, em todo o estado. Mineiros e mineiras acordam cedo e trabalham o dia inteiro sem reclamação, sem críticas, sem lamúrias. Não é com lamúrias e reclamações que Minas Gerais enfrenta a crise. É com trabalho. É por isso que nós estamos indo melhor que a maioria dos estados, e eu tenho muito orgulho de dizer isso.

E aí, quero encerrar dizendo outra coisa importante. E aqui nesta região isso que vou dizer fica mais forte ainda, porque é muito simbólico daquilo que a gente vive, que a gente sente. Minas tem uma característica de ser um povo trabalhador, dedicado à sua tarefa, que olha pra frente e não olha para trás e, por isso, avança e dá exemplos para o Brasil. Mas tem outra característica tão importante quanto essa. E, para falar dela, eu quero invocar aqui um escritor que nós todos conhecemos, um grande mineiro, João Guimarães Rosa, o homem que escreveu “Grande Sertão: Veredas”, e tem um texto dele sobre a mineiridade, quer dizer, a característica de ser mineiro, um texto antigo, dos anos 50, que ele começa com uma frase singela mas muito significativa. Ele diz assim, ‘Minas, o que é? Minas é a montanha.’ O que ele quer dizer com isso? E aqui, nós estamos nos contrafortes do Caparaó, é muito fácil a gente entender. Diferentemente dos povos que vivem no litoral, nós vivemos no interior, perto das montanhas. No litoral, a referência das pessoas é o mar. E o mar é sempre imprevisível. Ele é tempestuoso, às vezes, outras ele é calmo. Às vezes ele é brilhante, outras, é cinzento. Você não consegue prever o mar. A montanha, que é nossa referência, não. Ela é previsível, está sempre lá. Aqui tem a pedra, que, aliás, é chamada de Pedra Torta, não sei porque, eu acho ela tão retilínea,  triangular. Basta olhar para ela que ela está lá sempre igual. Sólida, impávida, quase eterna. Mas, acima de tudo, serena. Os mineiros, somos serenos. O que é essa característica? É aquilo de olhar o futuro com calma, com serenidade, com cautela. Sem medo, mas sem valentia excessiva. Somos corajosos, mas a coragem é filha da cautela, da valentia. Assim somos nós, os mineiros. E, nós agora, no Brasil, precisamos, acima de tudo, disso. Trabalho, de um lado, e serenidade, do outro. Para enfrentar as críticas, as acusações que agora estão proliferando, em grande maioria não têm provas, não serão provadas, mas nós temos de ter serenidade para atravessar a tormenta, a serenidade de continuar trabalhando, construindo um futuro melhor para nós, para nossos filhos, para os nossos netos.

É para isso que nós viemos ao mundo, para deixá-lo melhor que quando nós chegamos aqui. Vamos embora um dia, todos nós, nenhum de nós é eterno, e temos o compromisso de deixar o mundo melhor. E eu recebo hoje a homenagem de vocês, aqui de Lajinha, como um tributo a esse compromisso, que não é só meu, é de todo mundo.

Vamos trabalhar por um mundo melhor. Viva Lajinha, viva Minas Gerais, viva o Brasil.