Discurso do governador Fernando Pimentel durante a solenidade do Dia de Minas Gerais

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Mineiras e Mineiros,

Mais uma vez comemoramos o Dia de Minas.  Desde 1979, por lei estadual, e a partir de 1997 reconhecido pela própria Constituição do Estado, o 16 de julho é celebrado aqui, na cidade de Mariana, nossa primeira vila, cidade e capital, onde podemos vivenciar, mais intensamente ainda, o sentimento profundo de Minas. As torres das igrejas, o casario, as montanhas, o grande maciço do Itacolomy que podemos admirar daqui e o legendário Ribeirão do Carmo são emblemas não só da primeira capital, mas também da própria mineiridade.

Digo sempre que nós todos somos mineiros, porque guardamos no gentílico que nos identifica a primeira e ainda primordial profissão da nossa gente. Somos conhecidos pelo trabalho com o qual construímos a primeira sociedade urbana do Brasil e uma cultura genuína, diferenciada de padrões importados. Somos mineiros porque somos das Minas Gerais, mineradores hoje do ferro como fomos no passado do ouro e dos diamantes no século do Aleijadinho, do mestre Ataíde, da Chica da Silva e do Tiradentes.

“Sou mineiro, sou do mundo, sou Minas Gerais”, já proclamou a música de Milton e Fernando Brant. E somos mineiros porque somos povo um trabalhador. O mineiro tem historicamente um compromisso radical com o trabalho. Mas temos também outra  singularidade, que as altas montanhas infundem em nossa alma.  Dizia Guimarães Rosa, em texto célebre, que      “Minas é a montanha, montanhas, o espaço erguido, a constante emergência, o esforço estático, a suspensa região. Atrás de muralhas e caminhos retorcidos, Minas começa, como um desafio de serenidade”.

É esta serenidade, aliada ao constante labor dos mineiros, que tem permitido ao nosso Estado enfrentar a crise avassaladora sem se deixar abater nem sucumbir em meio a tantas dificuldades. De fato, em Minas evitamos o colapso dos serviços públicos que ora aflige estados vizinhos, até há pouco tempo mais ricos e mais bem aquinhoados de recursos federais.  Aqui não fizemos e nem faremos ajuste fiscal prejudicando os serviços essenciais à nossa gente. Buscamos sim o equilíbrio das contas públicas, contas que herdamos absurdamente deficitárias, mas sem sacrificar a educação, a saúde ou a segurança pública. E as medidas que estamos tomando são construídas democraticamente, ouvindo a população através dos Fóruns Regionais de Governo, sempre em perfeita harmonia com o Poder Legislativo e o Judiciário Estadual, respeitadas a autonomia e independência de cada um deles. É esta harmonia, é esta permanente busca de consenso que caracteriza a ação de governo em Minas Gerais, e que hoje falta a outros estados da Federação, e falta mais ainda aos poderes da própria União, mergulhados numa disputa fraticida e insensata, da qual o grande perdedor é o povo brasileiro. 

Mariana nos dá o testemunho comovido dos mineiros que, enfrentando o desastre ambiental de 5 de novembro de 2015, souberam superar a tragédia e encontrar no drama das vítimas a força capaz de unir os marianenses e todos os irmãos mineiros em solidária luta pela recuperação das comunidades atingidas, do meio ambiente e da plenitude da vida social.

Agora, mais do que nunca, o Brasil precisa das virtudes de Minas, dos exemplos e dos atributos dessa gente montanhesa, altaneira sem deixar de ser modesta, amante da liberdade mas também da ordem e da disciplina institucional, essa gente hospitaleira e recatada, mas também sagaz e perseverante, que constrói sua história inspirada no passado mas de olhos postos no futuro.

O Brasil saberá aprender, com Mariana, como se vence uma crise, por mais extensa e dolorosa que seja.  Os mineiros e mineiras de todo o nosso território, das Minas e das Gerais, reverenciando a memória das vitimas de Bento Rodrigues, humildemente recolhem e oferecem ao Brasil a lição de serenidade e sabedoria, fé e esperança, fraternidade e crença no poder do trabalho – lição tão cara às nossas gerações. É nesses momentos de dura prova que demonstramos a capacidade do povo mineiro de honrar o nosso amor ao Brasil. Temos o dever de continuar trabalhando com vigor e entusiasmo. Herdamos de ilustres marianenses como o poeta inconfidente Cláudio Manuel um vínculo que não se rompe, porque nos une na luta pela liberdade e pela igualdade, pela justiça e pela felicidade de nosso povo.

Caros concidadãs e concidadãos de Mariana, prestemos nossas homenagens à memória do professor Roque Camello, que liderou a campanha pela criação do Dia de Minas e nos deixou um legado de iniciativas notáveis em favor da cultura e da educação.  E também hoje reconhecemos publicamente o heroísmo do sargento Marcos Marques da Silva, da nossa gloriosa Polícia Militar, que tombou em missão de combate pela mão de criminosos cruéis e covardes.  O episódio no qual o sargento Marcos sacrificou-se para preservar a vida dos reféns mostra o risco permanente da atividade policial, mas também a bravura deste mineiro que agora, condecorado postumamente com a Medalha Dia de Minas, ingressa merecidamente no panteão dos heróis. Aos seus familiares aqui presentes, peço aceitarem as condolências e a solidariedade do povo mineiro representado nesta hora por seu governador.

Prefeito Duarte Júnior e vereadores da primeira Câmara de Minas, o nosso Estado faz esta peregrinação anual a Mariana para reencontrar a fonte primeira de nossa cidadania. Faz bem a todos nós contemplar, nesta Praça Minas Gerais, a aura da mineiridade e sentir a energia que nos conduz no tempo histórico do Brasil rumo à solidariedade, ao desenvolvimento com justiça e à democracia sem máscaras.

Em nome de todos os mineiros, como Governador de nosso Estado, agradeço a Mariana a sua fidelidade ao verdadeiro espírito de Minas, aquele que o Carlos Drummond de Andrade evoca em um dos seus mais belos poemas, na confusão da grande cidade, como um “claro raio ordenador”.

Que esse clarão nos ilumine sempre e que Deus proteja e guie o Povo marianense e todos os mineiros e mineiras.

Viva Mariana! Viva Minas Gerais! Viva o Brasil!