Discurso do governador Fernando Pimentel durante a assinatura de despacho governamental para realização das obras de recuperação da E.E. Paula Rocha, em Sabará

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Bom dia a todos e a todas!

Eu vou dizer para vocês assim, do coração: me incomodava muito não ter conseguido, até agora, dar essa ordem de serviço e fazer essa obra andar. Eu vim aqui há quase três anos, aqui na Praça Melo Viana, gravei até um programa de campanha aqui na porta da escola, e eu cobrava todo dia, ou pedia alguém para cobrar a todos da Secretaria de Obras e da Secretaria de Educação.

E aí você vai descobrindo as coisas. Inicialmente, tínhamos um projeto para a obra. O projeto não foi aprovado, pelo Iepha. Aí, teve que voltar, refazer, fazer outro. Nesse meio tempo, perdeu-se o contrato original e tivemos que fazer outra licitação. Tudo no setor público é muito demorado, tudo é difícil, tudo é fiscalizado, tudo é minunciosamente fiscalizado.

Então, quem está aqui e é do governo, sabe o que eu vou falar. Os senhores e senhoras que estão nos escutando, portanto, sabem também. Criticar é muito fácil. Criticar que não fez, que atrasou. Mas pega para fazer, aí você vai descobrindo as dificuldades.

Graças ao bom Deus nós conseguimos chegar ao final desse processo. A ordem de serviço já foi dada. E eu quero voltar aqui, se tudo correr bem, para gente inaugurar junto essa obra com a direção da escola, com os alunos, fazer uma coisa bonita, porque é isso que interessa para nós.

Agora vocês vejam as dificuldades. Eu vim para cá e o Wander (Wander Borges, prefeito de Sabará) veio comigo no carro, e eu cobrei dele porque a obra da ponte na avenida Alberto Xavier está parada. Achei que era culpa dele, já enviamos o dinheiro, já colocou as vigas. Mas não é isso. São as outorgas que estão faltando. Eu não sabia.

As pessoas, às vezes de longe, acham que o governador sabe tudo e pode muito. Olha, sabe muito pouco e pode quase nada. A verdade é essa.

Então eu descubro que não tem outorga ainda. Então a gente tem de destrinchar essas coisas, e isso demanda tempo e paciência, e às vezes você esbarra em dificuldades que dependem de outros poderes, ou do Legislativo, ou do Judiciário. Por isso tudo é tão difícil e a gente tem que comemorar quando tem sucesso como esse desta escola.

Então, o que a gente está fazendo para agilizar as coisas? Nós criamos um mecanismo de governo que demos o nome de Fóruns Regionais de Governo. Eu estou percorrendo o Estado inteiro, todo interior com esse mecanismo, que é uma grande assembleia, uma grande reunião, onde as lideranças de cada região e do estado - são 17 regiões – participam. Lideranças políticas, regionais, no campo da educação, os trabalhadores, os voluntários, os movimentos sociais. E aí você consegue priorizar o que é mais importante para a região. Porque nós não temos dinheiro, o Estado está em uma situação orçamentária terrível, nós herdamos um déficit de R$ 10 bilhões, agora estamos diminuindo aos pouquinhos, mas ainda assim permanece um déficit ainda muito substancial. Então, quem tem pouco dinheiro não pode errar na aplicação do dinheiro e, para não errar você tem de ouvir a população. Tem de estar perto, tem de chegar lá, tem de ter humildade para ouvir críticas, tem de chegar perto dos prefeitos e escutar qual é a necessidade e deixar que as comunidades escolham aquilo que é mais importante.

Tem a ponte, tem a escola, tem o posto de saúde, tem o quartel da Polícia Militar. Tudo tem que ser feito, mas qual é o mais importante? Não sou eu quem vai decidir, nem os secretários. Quem vai decidir é a população, e é por isso que nós criamos os Fóruns Regionais de Governo, que estão funcionando bem. Essa escola, por exemplo, entrou no Fórum Regional Metropolitano e passou como prioridade da região. Está aí agora a resposta e a entrega que o governo faz.

Então, tem de ter paciência, tolerância, e tem de fazer aquilo que os mineiros sabem fazer de melhor.

Eu gosto de falar isso e vou repetir aqui para encerrar porque, às vezes, a gente esquece. Minas Gerais é o único Estado da federação que tem no seu gentílico, na sua denominação de origem, uma profissão. Em todos, a sua denominação de origem é geográfica. O gaúcho nasceu lá no Rio Grande do Sul, o paranaense lá no Paraná, o paulista é de São Paulo, o carioca é do Rio, o pernambucano, de Pernambuco. Nós somos mineiros. Mineiro é quem nasceu em Minas, mas é também uma profissão. Poderia ser carpinteiro, marceneiro, serralheiro. Mineiro é quem trabalha na mina. Então, se alguém já disse uma vez que o primeiro nome de Minas é liberdade, e isso até está na nossa bandeira - Liberdade, ainda que tardia - eu vou, humildemente, me arriscar a dizer: o primeiro nome é liberdade, mas o segundo é trabalho.

Nós, mineiros, somos um povo trabalhador, e é por isso que estamos vencendo a crise. E isso nos unifica, independentemente de divergência política, um partido de lá, outro de cá.

Em Minas, nós estamos trabalhando com a serenidade, com a sabedoria típica dos mineiros, para salvar o Estado dos efeitos terríveis dessa crise devastadora que o Brasil está vivendo. Crise política, crise econômica, institucional, social. Nós não escapamos dela, mas nós estamos nos saindo melhor do que a maioria dos Estados do país. Basta olhar em torno e ver, e eu vou falar isso com muita tristeza, porque é um Estado que nós amamos e admiramos, mas é o que está acontecendo no Estado do Rio de Janeiro. O Estado entrou em colapso nos serviços públicos, na saúde, na educação, na segurança, de tal maneira que a população está absolutamente insegura de viver naquele Estado. Nós lamentamos isso, queremos que o Rio saia dessa situação - mas, mais do que isso, vamos impedir que Minas Gerais chegue a esse ponto. Aqui, isso não vai acontecer.

Nós não vamos fazer ajuste fiscal das contas públicas sacrificando o povo de Minas Gerais, cortando recursos da educação, da saúde, da segurança. Isso não faremos. Vamos buscar outro caminho para equilibrar as contas públicas. Aliás, já estamos fazendo isso. A Assembleia Legislativa acabou de aprovar, ainda no início deste mês, um conjunto de projetos que nós mandamos, que agora são leis, que nos permitem criar fundos de investimento, fundo imobiliário e lançar papeis no mercado, lastreados pelos ativos desses fundos, de tal maneira que nós vamos poder captar recursos extraordinários e buscar o equilíbrio das contas sem estar sacrificando a população do Estado. Então, é um caminho diferente do que estamos assistindo em Brasília.

É um caminho, primeiro, de harmonia entre os Poderes. Aqui, o que estamos fazendo, as escolhas que estão sendo feitas, as políticas que estão sendo implementadas, além de serem objeto de consulta à população são também harmoniosamente construídos com o Poder Legislativo, com o Poder Judiciário, claro, cada um guardando a sua autonomia, a sua independência, mas trabalhando em conjunto pelo bem de Minas Gerais. Harmonia que falta lá em Brasília. O que nós estamos vendo lá em Brasília é uma luta fratricida entre os Poderes, e o maior prejudicado é o povo brasileiro.

Então, em Minas, em um ambiente de harmonia, com a serenidade que caracteriza o povo mineiro e com a vocação para o trabalho que nós temos, nós estamos vencendo e, se Deus quiser, vamos vencer esse período de crise. E aqui está um exemplo de uma entrega importante que foi priorizada pela população, que foi objeto de luta pela comunidade da escola, do prefeito, dos antigos prefeitos também, vamos honrá-los, tem vários deles aqui, quero homenageá-los também, e do Governo do Estado. Juntos, nós estamos conseguindo esse objetivo.

Que Deus nos ilumine, vamos continuar nesse caminho, uma boa semana de trabalho a todos. Muito obrigado.